Um tiro na perna

Pode ser só impressão minha mas a equipa do Salão de Jogos tem toda a mania que é Sniper em todos os jogos, basta olharmos para quando jogamos em modo cooperativo em Ghost Recon Wildlands em que está tudo mais preocupado em “snippar” os inimigos do que os objectivos que tem para fazer. Talvez por isso rapidamente me perguntaram o que eu estava a achar de Sniper Ghost Warrior 3, até porque o Pedro Completo analisou o Sniper Elite 4 e também estava empolgado com este jogo.

Bem, aqui vai então a resposta a eles e a todos os que nos seguem, sempre fundamentada pois claro. Vou começar por dizer que depois das imagens e vídeos disponibilizados usando a nova versão do CryEngine fiquei com a sensação que o jogo, depois dos vários adiamentos e percalços estava no caminho certo, mas será que conseguiu concretizar isso?! Em parte sim! O jogo tem um enredo até porreiro, e em vez de sermos apenas um militar com uma missão designada e salvar o mundo, temos aqui um componente emocional, no Prólogo do jogo ficamos a conhecer o nosso irmão e como era a sua relação na adolescência e depois anos mais tarde juntos numa operação entre a Ucrânia e a Rússia, onde somos emboscados e deixados inconscientes enquanto forças militares pró-russas raptam o nosso irmão. Dois anos mais tarde tentamos encontrar respostas e encontrar o tal irmão. Nada mau para história que neste tipos de jogo costuma ser bastante vazia.

Ora se a história não é vazia, o mapa também não o é, numa altura em que cada vez mais jogos tentam criar um Open World, Sniper Ghost Warrior 3 não foi excepção e consegue-o fazer de uma forma satisfatória. Não é fácil ter uma máquina a renderizar um mapa extenso sem perder detalhe e por isso nem todos o conseguem fazer, e aqui existem bastantes falhas a meu ver. Desde logo nas texturas, mesmo jogando na PS4 Pro verificámos texturas “rijas” da vegetação, granulado constante, personagens a flutuar no ar ou pior do que isso a serem mortas e de repente voltarem a “spawnar”, qual morto vivo. Para além disso é muito chato quando vamos mirar a enquanto o estamos a fazer vemos o jogo a renderizar objectos e paisagens. Por mais que tentemos não reparar nisto, num jogo em que vamos passar a vida a mirar é impossível não retirar daqui um grande “No No!”.

O problema do Open World que encontramos neste jogo é também sintomático a nível dos objectivos, passado algumas horas a lógica é sempre a mesma, pegamos no jipe, conduzimos até ao destino ou o local que achamos ser o melhor para cumprir os objectivos da missão, snippamos e voltamos para o jipe e vamos para outra direcção. Ao início, até gostamos do facto de podermos ter um plano ou uma estratégia própria para realizar os objectivos, essa liberdade, mas depois percebemos que isso se repete vezes e vezes sem conta e muitas vezes se saímos do local para tentar arranjar um melhor “spot”, os inimigos voltam a spawnar e isso é muita chato.

A nível da execução o jogo está muito bem conseguido, especialmente se jogarem em dificuldades mais avançadas, coordenar o zoom com a distância do nosso inimigo, o vento, a nossa respiração, o apoio em que a arma está, para além de podermos adaptar de forma bastante ampla e significativa todas as partes da nossa snipper, dá-nos uma satisfação imensa ver a a bala a percorrer longos metros até esmifrar os miolos dos nossos inimigos. Nesse ponto Sniper Ghost Warrior 3 acertou em cheio.

No entanto já falhou redondamente na questão dos loadings, é impossível, falharmos objectivos ou morrermos e o loading rondar algumas vezes os 5 minutos, nesta geração de consolas já não dá para acreditar nisso e é super irritante. Outra coisa que não consigo compreender é como a equipa falou em tempos na pré-produção do jogo de um modo online e não está presente na versão final do jogo.

Sniper Ghost Warrior 3 peca pela sua falta de competência em determinadas vertentes, como já referimos, ganhando no sentido em que se posicionou na série em termos de se adaptar ao Open World e de atribuir uma história convincente e atractiva, a sua execução é que não foi exemplar, foi um tiro que acertou, mas que não foi em cheio.

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