Eu tenho sido o protagonista das análises a remakes e a remasterizações, muitas delas da PlayStation, e apesar de ver sempre valor naquilo que é oferecido, fico sempre a pensar e a reflectir se o jogo deveria apenas viver no tempo e no espaço em que foi desenvolvido ou se deveria voltar à vida ou a uma nova vida. Ora bem o remake de Shadow of the Colossus veio dizer uma coisa muito clara a todos nós: “É assim que se faz!”

É de facto assim que se faz um verdadeiro remake, é com reestruturação de todo o conteúdo para uma nova consola, para aquilo que ela oferece, para a capacidade que possui, para que a ideia, a mecânica de um jogo tão especial, possa ter o trabalho gráfico que merece nesta nova realidade. Para isso todos os cenários seguiram as directivas e essência do original, mas com um detalhe que por vezes assusta. Facilmente, e mesmo logo no início reparamos na crina do nosso cavalo a esvoaçar, a vegetação a corresponder à passagem do nosso fiel cavalo, os efeitos de iluminação a dar o realismo que este jogo merecia.

O jogo, para aqueles que já o jogaram anteriormente não será de estranhar a falta de direcções ou de diálogos, mas se antes poderia parecer que o momento alto era enfrentar o Colosso, agora tal não acontece. Atenção continua a ser o momento alto e são 16 momentos altos distribuídos pelos 16 Colossos que vamos enfrentar, mas a beleza que este jogo tem, o sentimento de liberdade e expressão fazem com que cada minuto seja uma contemplação à genial ideia de Fumito Ueda.

Para aqueles que nunca jogaram, posso desde logo dizer que nunca foi tão bom fazê-lo, e devo dizer ainda apenas uma pequena contextualização perante o jogo, onde o protagonista Wander terá de salvar uma princesa (onde é que eu já vi isto?!), princesa essa que está, qual bela adormecida, só poderá ser trazida de volta à terra dos vivos se derrotarmos os Colossos. É isso que basicamente vamos saber durante todo o jogo, com um pequeno mapa, uma espada que apontada ao Sol nos orienta para o próximo Colosso e um arco e uma flecha.

A forma como temos que destruir estes Colossos varia entre eles, é preciso encontrar o seu ponto fraco e a partir daí montar a nossa estratégia que passa muitas vezes por escalar esse Colosso e tentar atingi-lo nesse ponto para o “mandar abaixo”. Os cenários vão mudando, seja na água ou no ar, as batalhas são efectivamente épicas e podem demorar entre 10 minutos a meia hora, dependendo da vossa perícia. Como alguns Colossos apenas vagueiam sem nos fazer mal algum existe sempre um sentimento que estamos a retirar a vida a alguém inocente para salvarmos a nossa princesa, tirar a vida a uma criatura para dar vida a outra, claramente um pensamento que o autor desta obra de arte queria que nos interpelasse a mente. Talvez por isso mesmo quando espetamos a nossa espada no ponto fraco e derrotamos o Colosso a sua caída ao chão seja tão vagarosa, como se nos sentíssemos mal por o fazer, e em algumas circunstâncias sentimos mesmo.

Shadow of the Colossus era uma obra prima na altura em que foi pela primeira vez editado e é ainda mais uma obra prima com este remake na PS4 e em especial na PS4 Pro onde temos a opção do Modo Desempenho que apresenta uma taxa de fotogramas extremamente fluídas de 60fps ou no modo cinemático que dá ênfase à qualidade de imagem e, para os detentores de ecrãs 4K HDR a qualidade de 4K dinâmico. Até mesmo para quem não tem uma TV 4K, os utilizadores de uma PS4 Pro ao correr o Modo Cinemático vão receber uma apresentação em 1080p nativa que é gerada a partir de um alvo de renderização de 1440p. O jogo em si é especial e a qualidade gráfica que este remake apresenta faz jus ao jogo, podemos mesmo dizer que agora sim faz jus ao jogo, e para mim é imperdível.

5.0

Sim

  • Um verdadeiro remake
  • Graficamente soberbo
  • Continua a ter o âmago que nos fez adorar este jogo

Não

  • Os comandos por vezes não são tão intuitivos
  • A rotação da câmara por vezes complica a acção
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