Uma batalha feroz!

A From Software é bem conhecida dos jogadores pelos seus RPGs de dificuldade elevada, tais como Demons Souls, Dark Souls, Dark Souls 2 e Bloodborne, sendo que, e em especial os dois últimos casos, influenciaram e muito Dark Souls 3, resultando num jogo bastante apurado.

Quem conhece a serie sabe bem o que significa jogar Dark Souls 3, resumindo ao máximo, posso dizer que três palavras servem para descrevê-lo: morrer, insistir e gratificante. Começando pela primeira, em Dark Souls seja ele qual for, não há que ter problemas em morrer, porque vai mesmo acontecer vezes sem conta, vamos ter vontade de desistir, vai ser desesperante, vamos ter vontade de muitas coisas pouco agradáveis, e é por essa razão particular que muitos abandonam Dark Souls. No entanto, porquê insistir? Começamos por explicar que Dark Souls não é um RPG normal, e aqui vocês irão mesmo ter de aprender e decorar, isto porque não é um jogo nos moldes normais do que se espera de um RPG. Em Dark Souls é preciso uma adaptação extrema às dificuldades que os inimigos nos impõem, aprendendo e antecipando todos os seus movimentos, compreendendo assim a forma mais eficaz de os ultrapassar. Dito isto, irão igualmente perceber quando falamos em gratificação, uma vez que a sensação de realização surge não só pela resiliência, como nas recompensas com as quais somos premiados após cada obstáculo, acreditem, no final vale a pena.

A nossa “alcunha” é Ashen One, sendo esse nome pelo qual os vários NPCs nos abordam, e fazendo frente a outros jogos do género, neste, não somos o herói, e muito menos aquele que mata tudo e todos, muito pelo contrário, somos um fraco ser feito de cinzas, mal equipado e insignificante. O inimaginável depende exclusivamente daquilo que conseguirem atingir com um comando nas mãos. Contudo, há que dizê-lo, o nosso personagem pode ter as suas limitações, mas não possuir a capacidade de subir um muro à altura da sua cintura é algo que num título de 2016 é no mínimo incompreensível, especialmente se tivermos em conta a incongruência dos desafios (esses sim sobre-humanos), com os quais nos vamos deparando na nossa aventura.

Voltando aos inimigos, como já havíamos referido, a dificuldade é tal que irá obrigar-nos a registar a mecânica de cada um, de modo a entendermos a melhor forma de o superar. Se com alguns temos de ser pacientes, noutros ser-nos-á exigida uma maior agressividade de forma a não ser dado qualquer tempo de reagir. Sendo que é importantíssimo saber quando rebolar, recuar e a melhor forma de flanquear. Como se não bastasse, além dos desafios que os inimigos e bosses (por vezes desesperantes) vão oferecendo, terão igualmente de lidar com bugs que vos deixarão com os nervos à flor da pele. Mais particularmente de sermos atacados através da parede, ou de inimigos que conseguimos surpreender de costas, e subitamente ficam de frente para nós, e tudo sem percebermos muito bem como. Lamentavelmente é algo que acontece várias vezes, e a desculpa da dificuldade não chega, e exige-se naturalmente um maior cuidado a quem desenvolve jogos desta dimensão.

Os Bosses são o esplendor de qualquer batalha que encontrarmos, e a dificuldade vai subindo exponencialmente, comparável apenas a uma luta entre David e Golias, sendo que aqui a diferença é a de David morrer inúmeras vezes. Não existe um Boss igual a outro, e se em alguns conseguimos detectar facilmente as suas fraquezas, noutros vai ser necessário muito trabalho de observação até darmos com a vulnerabilidade.

Falando na jogabilidade, temos a escolha de equipar a arma nas duas mãos, ou arma e escudo, sendo que naturalmente estarão mais protegidos com um escudo mas o dano infligido no inimigo também será menor. Como já havia sido referido, existe a possibilidade de rebolar, recuar e defender. Os controlos respondem bem e com rapidez, contudo influenciados por uma barra de stamina que quando se esgota dá lugar a uma completa apatia. Mas nada que não se aprenda a controlar e a dominar com precisão.

Graficamente é daqueles jogos que cativam no momento em que os olhamos. Todavia, em Dark Souls 3 não podemos propriamente dizer que há paisagens que nos deixam de boca aberta pela sua beleza, antes pelo contrário, deixam-nos impressionados pela sua imagem de destruição, como por exemplo nas enormes muralhas que vemos ao longe, ou dos pântanos sombrios que arrepiam pela obscuridade. O facto de ter sido lançado apenas para as plataformas de nova geração (Xbox One, PlayStation 4 e PC) facilitou nesse aspecto, visto que foi assim possível chegar ao potencial visual que se exigia a Dark Souls 3. Claro que por vezes podemos notar algumas quebras de FPS mas nada do outro mundo, e é até algo normal principalmente nas consolas, uma vez que o poder de processamento não é igual ao de um PC.

O mapa de Dark Souls 3 é bastante vasto, com imensas regiões para nos aventurarmos e posso mesmo dizer que vale muito a pena explorá-lo. São imensos os locais com itens para apanharmos, muitos mini-boss para matar, assim como inúmeros inimigos escondidos e prontinhos a atacar-nos. A From Software soube também usar quase todas as zonas do mapa, sendo que não existem praticamente espaços vazios onde não possamos ir e quase todos as áreas que olhamos têm algures um acesso, seja por uma ponte que vemos ao longe, ou por via de um calabouço mais escondido. Ficamos com a sensação constante de haver segredos ocultos em cada espaço, apenas não sabemos como dar com eles, além disso, o mapa é pródigo em ilusões, o que resulta em vermos por vezes paredes que não existem, quando tudo o que temos de fazer é simplesmente atravessá-las. Para quem gosta de investigar à vontade, pode contar com 40 a 50 horas de jogo.

A banda sonora encaixa perfeitamente, tanto as músicas como os efeitos sonoros parecem feitos para cada um dos cenários, e não são raras as vezes nos empolgam, ou nos fazem hesitar com receio.

Dark Souls 3 é um culminar de experiências bem conseguidas da From Software, podemos mesmo dizer que é o melhor jogo de toda a serie, e tanto os novos jogadores como aqueles mais conhecedores da saga irão gostar com certeza.

SimENaoDarkSouls3

Published
Categories Análises
Views 117
Ir para a barra de ferramentas