Como seria de esperar – sendo o ecrã da Nintendo Switch um touch screen – mais cedo ou mais tarde, surgiriam jogos totalmente concebidos para ambiente touch (tal como nos nossos tablets ou smarthphones). Pois bem, o jogo que analisámos desta vez, é o primeiro jogo que saiu com essas especificações. Falo então de VOEZ, um jogo musical que já é conhecido de alguns utilizadores de Android e iOS, já que se encontrava disponível para essas plataformas desde o ano passado.

A história do jogo é bastante simples. Chelsea, uma menina que vive em Lan Kong Town (uma cidade fictícia), tem o dom e a paixão de cantar e decide então criar uma banda com cinco dos seus colegas de Lan Kong High School (a sua escola Secundária). Ao longo do jogo, é possível perceber pelas diversas imagens do seu diário que a banda vai atingindo cada vez mais sucesso, até que se torna uma banda internacional.

Comecei por contar a história do jogo apenas para se enquadrarem, pois a verdade é que a história em nada interessa para jogabilidade ou para a progressão no jogo. A única coisa que nos leva a escolher determinadas musicas ou a tentar chegar a determinada pontuação, é o diário de Chelsea. Ao todo são 76 páginas e todas elas bloqueadas, sendo que o acesso será ganho conforme completam objectivos, que vão desde tocar um variado número de músicas; obter determinada pontuação; ou conseguir passar uma musica num determinado ranking e numa determinada velocidade. Essas 76 páginas podem ir desde imagens, a pequenos apontamentos, excertos de mensagens, entre outras coisas.

Devo desde já avisar que as cerca de 100 músicas que o jogo apresenta, entre os três níveis de dificuldade (Fácil, difícil e especial), são todas elas asiáticas, significando que dificilmente no continente Europeu alguém as conhecerá, o que se poderá tornar complicado em níveis de dificuldade mais altos.

Quando iniciam o jogo pela primeira vez terão de fazer um tutorial que vos explicará as várias mecânicas do jogo. Dando alguns exemplos: quando surge um losango no ecrã devem tocar nele (Tap); quando esse losango aparece seguido de uma barra preta devem manter o dedo a pressionar o ecrã ao longo da barra (Hold); quando aparece um losango com uma seta para a direita ou para a esquerda devem carregar nele e arrastá-lo na direcção que a seta indica (Swipe); e por fim, quando aparece um pequeno losango branco devem tocar levemente nele (Slide).

A mecânica é bastante simples e intuitiva, especialmente quando as músicas estão em modo easy, uma vez que é tudo muito básico e falhamos poucas ou quase nenhumas notas. O problema é quando decidimos aumentar a dificuldade, é aí que VOEZ mostra todo o seu potencial e mostra, ao mesmo tempo, como o nosso jeitinho afinal não era assim tanto.

Posso dizer que é difícil gostar do jogo logo no início. Nas primeiras músicas fiquei com a “pulga” atrás da orelha, sentia que aquilo não era jogo para mim e que até seria algo maçador. No entanto, é com o tempo que o jogo vai “entranhado” e dão por vocês já naquela fase do “só mais uma antes de desligar”. Pois é, VOEZ têm esse efeito de jogo viciante, sem ter nada que o indique à primeira vista.

Quanto à sua jogabilidade, “coordenação” é a palavra certa, principalmente em dificuldades mais avançadas, não sendo raras as vezes que damos por nós com os dedos das duas mãos enleados uns nos outros. É muito importante a coordenação dos dedos e das duas mãos aliadas a uma rapidez quase cirúrgica. Tenho quase a certeza que existem músicas que diversas pessoas (como eu) nunca conseguiram completar com um Full Combo. Mas a verdade é que quando o conseguem fazer – seja em que dificuldade e em que música for – a satisfação é enorme (Um full combo acontece quando acertamos em todas as notas).

Infelizmente, tal como referi há pouco, não contem com qualquer música conhecida para a maioria dos Europeus, o que significa que é preciso apreciar aquele género e claro, sem percebemos uma única palavra. Pode também tornar-se um pouco repetitivo, mas isso também acontece noutros jogos musicais como Guitar Hero e Rock Band, a diferença é que neste usam apenas o touch screen e nos outros são necessários alguns periféricos, como a guitarra ou a bateria. Diria que  antes de se aventurarem por VOEZ, aconselho a instalarem no vosso smartphone a versão gratuita, de forma a testarem. Se gostarem, atirem-se de cabeça para esta versão da Nintendo Switch, pois o ecrã é bem maior e ajuda a uma melhor coordenação, com o atractivo de ser a versão completa do jogo (com todas as músicas).

Concluindo, VOEZ trás inovação a este estilo de jogo, mostrando que um touchscreen consegue fazer maravilhas em certos contextos. Além disso, torna-se viciante e divertido depois de se familiarizarem com as mecânicas do jogo. Se em cima disto gostarem do estilo de música, nesse caso, a experiência não poderia ser melhor.

About The Author

Rui Gonçalves

Desde o tempo do seu Spectrum+2 128k que adora informática. Programador de profissão nunca deixou de lado os jogos, louco por RPGs e jogos de futebol. Adora filmes de acção e de ficção científica, mas depois de ver o Matrix nunca mais foi o mesmo.

Related Posts

Leave a Reply

Your email address will not be published.