Em pleno Outono de 1970, William Hamilton, um homem de negócios contrata um detective particular, este ultimo será a personagem principal deste arrepiante e misterioso jogo de seu nome Kona. Como todos os bons jogos de suspense e mistério é vivido na primeira pessoa. Convêm referir desde logo que este título é o primeiro da série de quatro jogos que poderás jogar.

Serás então Carl Faubert um detective privado de 42 anos proveniente de Montreal, no Canadá. Como referi, Carl foi contratado por William Hamilton para descobrir quem lhe anda a vandalizar a sua mansão de caça. Mas o que parecia ser um trabalho banal para o detective, torna-se um caso repleto de mortes e acontecimentos misteriosos.

Pois bem, tudo começa quando Carl estava a caminho de Atamipek Lake e tem um despiste com a sua Pickup vermelha, ficando atordoado e perdendo mesmo os sentidos durante alguns momentos. Independentemente deste acontecimento, tudo estava a correr normalmente. Ao recuperar os sentidos deparou-se com uma situação surreal, tudo o que antes estava coberto com as folhas caducas das árvores, de um momento para o outro, ficou coberto com um grande e espesso manto de neve e um frio de rachar.Antes de começar a análise propriamente dita, penso que seja importante confessar que fiquei satisfeito quando soube que ia analisar este jogo. A história fascinou-me desde início, eu adoro jogos com mistério em que temos de completá-los para descobrir toda a verdade. Nisso Kona faz as delícias dos amantes de jogos de suspense, porque só mesmo no fim do jogo é que sabemos o que causou este “Inverno” precoce.

Quem joga Kona sabe que não o podemos comparar com outros títulos tais como NieR: Automata, Horizon Zero Dawn, entre outros jogos desta gama, pois estão num campeonato bastante superior. Afirmo isto porque estamos a falar de um jogo que tem algumas limitações. O que é uma pena, porque a Parabole podia tirar partido de uma história boa e de boas ideias que colocaram no jogo.

Vou começar a referir os aspectos menos positivos deste jogo e infelizmente são alguns. O primeiro que se não deparar desde o princípio até ao fim são os seus gráficos, apesar de não serem maus, podiam estar mais aprimorados. Para terem um pouco de noção do que quero dizer posso dar o exemplo que por vezes momentos pensei que estava a jogar numa consola de geração anterior (pode parecer um pouco exagerado, mas não foge muito da realidade).

Durante a nossa jornada, os sons que ouvimos provêm da voz do narrador do jogo (que nos ajuda bastante em certos momentos), dos efeitos sonoros do jogo e da música que é tocada nos rádios que encontramos em vários locais. Neste último ponto vais deparar com outro aspecto decepcionante, sempre que ligas o aparelho radiofónico vais ouvir permanentemente as mesmas músicas, o que se torna bastante chato.

Nem tudo o que se ouve é desagradável. Os efeitos sonoros que nos acompanham neste jogo são bastante bons e se fizerem como eu – usar uns headphones com bom isolamento de ruído exterior – vais sentir que estás mesmo em Atamipek Lake.

Passando agora para os efeitos visuais, estes estão bons em quase todo o jogo, exceptuando algumas ocasiões. Por exemplo, no desenrolar da história vamos encontrar lobos que temos de lhes tirar a vida antes que eles tirem a nossa. Um utensílio que nos vai dar bastante jeito é o machado e quando infligimos golpes certeiros nestes animais parece que estamos a acertar em cepos, vou-me explicar melhor, quando conseguimos acertar neles, nada acontece praticamente, e quando conseguimos matá-los com duas machadadas, estes deitam-se como se de sesta se tratasse.

Claramente aqui existe algo a melhorar, pois faz todo o sentido existir a presença de sangue, algo que durante todo o jogo (se a minha memória não me atraiçoa) vi apenas uma vez. Até porque este é um jogo com PEGI 16, o aparecimento de sangue não teria qualquer problema e aumentava ainda mais o realismo.

É com a palavra “realismo” que prossigo nesta análise. Independentemente dos aspectos menos positivos de Kona, a jogabilidade é muito realista e dá para verificar que foi planeada ao pormenor pela equipa Parabole. Começando a minha explicação no que toca a este ponto de vista, existem três factores que influenciam a vida de Carl. São eles a saúde física, a temperatura do corpo e a parte psicológica. Tens que ter bastante atenção a eles, principalmente ao nível de vida e à temperatura do corpo, pois estes afectam directamente a vida do nosso detective. Isto é, se o contador da tua vida acabar, como é óbvio, morres. Em relação a temperatura também existe um contador e quando este chega a um ponto mais baixo vais começando a perder os sentidos, o que torna mais difícil a tarefa de caminhares a pé, de carrinha ou até de mota da neve (este foi um aspecto que me surpreendeu bastante, devido ao realismo). Escusado será mencionar que também morremos quando o contador ficar vazio. A saúde mental não dita o teu fim directamente, mas condiciona-o bastante. Se não tiveres bem mentalmente não vais conseguir correr muito tempo seguido, por exemplo.

As consequências destes três aspectos podem ser evitadas. No caso da vida, tens kits de primeiros-socorros e medicamentos que ajudam bastante a melhorar fisicamente, no caso da parte mental, podes auxiliar Carl com uma “cervejinha” ou até mesmo com um “cigarrito”. Atenção se fumares um cigarro, vais aplicar a célebre frase: “estás a pregar mais um prego no teu caixão” isto porque perdes um pouco de vida após fumares.

Sobre a temperatura corporal, adianto-te que é a condição que te vai trazer mais dores de cabeça. A receita para que não desça abruptamente é fazeres fogueiras ou acenderes as lareiras de casas que vais encontrando no mapa. Se estás a pensar que basta encontrar as lareiras ou os locais para as fogueiras, então estás muito enganado. Aqui vais precisar de três ingredientes, acendalhas, fósforos e madeira. Estes itens têm de ser apanhados durante as tuas caminhas e nas casas existentes.

Passando agora para o cerne da questão ou como quem diz, falando nos quebra cabeças e no que se tem de fazer. Sendo um jogo de investigação que te obriga a estar atento ao que se passa para saber o que é preciso fazer, confesso que Kona podia ser mais desafiante. Não estou a dizer que achei super fácil, mas confesso que não foi difícil acabar a sua história. Estamos também a lidar com um jogo que é curtinho na sua duração.

Em suma, posso dizer que apesar dos pontos negativos que encontrei no jogo, e que são alguns, Kona torna-se viciante no decorrer da história e consegue levar o mistério até aos últimos momentos do jogo. Confesso que estou curioso pela continuação deste episódio e espero solenemente que no próximo capitulo os pontos fracos que vimos estejam melhorados.

 

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Nascido no coração de Lisboa, este rapaz, nunca foi o mesmo a partir do momento em que o pai lhe ofereceu o primeiro Gran Turismo.Apaixonado por jogos de corridas, mas principalmente do Gran Turismo, comprou todos os jogos da saga até hoje. Dezanove anos depois, tem um novo amor, Forza Horizon...mas não esqueceu Gran Turismo.

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