Developer: Nintendo
Plataforma: Nintendo Switch 2
Data de Lançamento: 15 de janeiro de 2026

Animal Crossing: New Horizons foi um daqueles jogos que parece ter chegado no momento perfeito. Lembro-me bem que estávamos em plena pandemia do COVID-19 e precisávamos de momentos mais calmos, sem ser apenas as notícias que nos entravam pela casa adentro, cheias de desgraças e mortes por todo o lado. Este era o jogo que nos fazia acalmar, pensar em coisas boas, jogar de forma tranquila, sem pressas, e construir uma ilha verdadeiramente bonita, ao nosso gosto, que se ia preenchendo à medida que chegavam novos habitantes.

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Talvez por isso, o jogo ganhou um estatuto que nenhum outro Animal Crossing tinha alcançado. Embora todos os títulos da série tivessem tido bastante sucesso, New Horizons atingiu números verdadeiramente espetaculares, mostrando como os jogadores criaram uma relação especial com o jogo. Mesmo quase seis anos após o lançamento, continua a ser jogado por imensos jogadores, tendo recebido várias atualizações gratuitas e até um DLC pago.

Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition chega essencialmente para dois tipos de jogadores: aqueles que nunca tinham experimentado o jogo e os fãs que nunca o largaram. A Nintendo não teve qualquer intenção de reinventar o título, mas sim apresentar uma edição refinada do mesmo. Desde o primeiro momento, a Nintendo Switch 2 Edition assume que New Horizons já é um jogo completo, rico e estabelecido. Em vez de mudanças estruturais ou reviravoltas no design, esta versão aposta numa melhoria gráfica, maior fluidez e algumas funcionalidades adicionais que procuram tirar partido do novo hardware, sempre com cuidado evidente em preservar o espírito tranquilo e acolhedor que define a franquia.

Embora a componente gráfica seja quase sempre aquela que deixo para o fim nas análises, neste caso merece destaque inicial, precisamente por ser o elemento que mais chama a atenção. Seja em modo dock ou portátil, a diferença face à versão original é notável. No modo dock, a resolução atinge agora 4K, oferecendo cenários mais nítidos, estáveis e detalhados, tornando a ilha mais expressiva. As cores mantêm a suavidade reconfortante típica da série, mas ganham uma clareza que faz com que texturas, contornos e pequenas animações se destaquem de forma natural. Tudo continua como era, mas com um polimento que reforça a identidade visual do jogo, tornando a experiência mais agradável, sobretudo em televisões de grandes dimensões.

Mesmo em modo portátil, onde o impacto da resolução não é tão grande, a apresentação beneficia de uma performance mais estável. As transições são mais rápidas, os tempos de carregamento foram reduzidos e ilhas mais densamente decoradas deixam de sofrer penalizações de fluidez. Ainda assim, é bastante estranho o jogo não se apresentar a 60 fps, continuando nos 30 como na versão da Nintendo Switch original.

Uma das novidades mais notáveis desta versão é a introdução do modo rato, uma tentativa clara da Nintendo em modernizar a interação com o jogo, especialmente nas vertentes mais criativas. Com o Joy-Con 2, é possível posicionar, rodar e ajustar objetos com uma precisão que supera o controlo analógico tradicional, algo particularmente útil na decoração de interiores e na criação de padrões personalizados. Em tarefas que exigem cuidado e detalhe, como desenhar roupas ou escrever mensagens no placard da ilha, esta funcionalidade aproxima a experiência à de uma interface de computador, tornando o processo mais rápido, intuitivo e menos frustrante.

No entanto, apesar do potencial evidente, o modo rato não está completamente integrado ao jogo. A impossibilidade de navegar pelos menus e inventários com este esquema de controlo obriga a alternar constantemente entre métodos, tornando-o mais um complemento eficaz em momentos específicos do que uma forma de controlo permanente. Ainda assim, é uma adição bem-vinda, que mostra um caminho promissor, mas que poderia ter sido explorada de forma mais profunda, especialmente num jogo com tanta liberdade criativa.

Outra novidade é o megafone, que utiliza o microfone integrado da Nintendo Switch 2 para chamar os habitantes pelo nome. Para os fãs mais antigos da série, trata-se de uma funcionalidade nostálgica, já vista noutros títulos. Ao chamar os vizinhos, recebemos uma indicação da sua localização, tornando a procura de personagens mais divertida e evitando a rotina de percorrer a ilha à procura de alguém específico. Contudo, o reconhecimento de voz nem sempre é consistente, falhando com nomes semelhantes ou determinadas pronúncias, o que limita a sua utilidade. Ainda assim, é um extra curioso e divertido, mesmo que não transforme o jogo de maneira significativa.

 No que toca ao multijogador, esta versão apresenta melhorias claras em relação à original, com o aumento do limite para doze jogadores online. Esta expansão permite criar encontros mais animados e sociais, aproximando-se daquilo que muitos experimentámos nos primeiros meses após o lançamento, quando visitar ilhas de amigos ou receber visitantes na nossa própria era uma das principais atividades do jogo, complementada pela partilha de itens. Com a chegada da atualização 3.0 e das Dream Islands, a interação social tornou-se ainda mais relevante, permitindo que amigos colaborem em projetos partilhados. O jogo passa assim a suportar construções de maior escala, onde vários jogadores podem decorar, construir e experimentar ideias em conjunto, revivendo a essência comunitária que tornou New Horizons tão especial no seu lançamento.

Embora não seja exclusiva da Nintendo Switch 2, a atualização 3.0 de Animal Crossing: New Horizons, disponível também para a Nintendo Switch original, representa uma das expansões de conteúdo mais significativas desde o lançamento do jogo. Traz uma série de novidades que acrescentam profundidade e longevidade. Entre as adições mais notáveis destaca-se o novo hotel junto ao cais, um espaço que integra mecânicas de design de interiores já vistas na expansão Happy Home Paradise com o núcleo do jogo principal. Podemos decorar quartos temáticos diariamente, explorar diferentes estilos e utilizar tanto mobília nova como itens previamente recolhidos, criando uma dinâmica que incentiva criatividade e retorno constante.

Outro destaque, já referido acima, é o sistema das Dream Islands, que permite guardar até três ilhas completamente em branco para experimentação e construção livre. Estas ilhas funcionam como verdadeiras “telas” criativas ilimitadas, permitindo convidar amigos a colaborar em tempo real e utilizar todos os itens e recursos já desbloqueados. Esta funcionalidade expande significativamente o potencial de personalização, possibilitando a criação de ilhas totalmente únicas sem afetar a ilha original, ao mesmo tempo que promove uma experiência social divertida e colaborativa.

A atualização 3.0 também trouxe melhorias substanciais à jogabilidade diária, especialmente na gestão de armazenamento e recursos. Agora podemos guardar até 9.000 itens, incluindo árvores, arbustos e flores, e aceder a materiais de bricolage diretamente do inventário, simplificando processos que antes exigiam transporte manual de objetos. Esta alteração torna a gestão de itens muito mais fluida, reduzindo o tempo gasto em tarefas repetitivas e melhorando significativamente a experiência de jogo

Além disso, o personagem Resetti oferece um suporte valioso na organização da ilha. Com a sua ajuda, é possível redefinir áreas inteiras, mover ou armazenar mobília, flores e padrões de forma rápida e segura, permitindo uma reconfiguração mais eficiente da ilha. Este tipo de melhoria de qualidade de vida é discreto, mas faz uma diferença enorme quando queremos alterar algo.

Por fim, a atualização introduz novos itens de colaboração com outras marcas e franquias, como LEGO, The Legend of Zelda e Splatoon. Estes conteúdos desbloqueiam mobília temática, roupas e acessórios inspirados nestes universos. Os itens LEGO podem ser adquiridos diretamente através da Nook Shopping e usados livremente, enquanto as colaborações com Zelda e Splatoon incluem personagens convidadas e elementos decorativos exclusivos.

No entanto, a Nintendo Switch 2 Edition falha num ponto que sinceramente não estava à espera, a ausência da língua portuguesa no jogo. Tendo em conta que títulos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild e The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom receberam a nossa língua nas respetivas versões para a Nintendo Switch 2, seria razoável esperar o mesmo para Animal Crossing: New Horizons. A falta de localização exclui desnecessariamente jogadores mais novos ou com dificuldades no inglês do universo da franquia, algo que podia ter sido facilmente corrigido.

Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition é acima de tudo uma versão mais polida do jogo, adiciona algumas funcionalidades interessantes e melhora significativamente a resolução do jogo, melhorando a performance e a fluidez. Esta edição é ideal para os fãs de longa data que desejam experimentar uma versão refinada do jogo, bem como para novos jogadores que querem mergulhar pela primeira vez neste universo acolhedor e criativo.

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Rui Gonçalves
Desde o tempo do seu Spectrum+2 128k que adora informática. Programador de profissão nunca deixou de lado os jogos, louco por RPGs e jogos de futebol. Adora filmes de acção e de ficção científica, mas depois de ver o Matrix nunca mais foi o mesmo.
analise-animal-crossing-new-horizons-nintendo-switch-2-edition<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #339966;">SIM</span></strong></h4> <ul> <li style="text-align: justify;">Gráficos melhorados e maior resolução</li> <li style="text-align: justify;">Jogabilidade mais fluida</li> <li style="text-align: justify;">Multijogador suporta até doze jogadores online</li> </ul> <h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff0000;">NÃO</span></strong></h4> <ul> <li style="text-align: justify;">Língua portuguesa não está disponível</li> <li style="text-align: justify;">Não existiu melhoria de fps</li> <li style="text-align: justify;">Implementação diminuta do modo rato</li> </ul>