A surpresa deste último Developer_Direct da Xbox foi a nova proposta da Double Fine liderada por Tim Schafer que apresentou Kiln. À boleia do artigo do Xbox Wire damos conta dos pormenores deste novo jogo moldável.
Criar o teu próprio vaso não é apenas uma atividade agradável – estás literalmente a construir o teu vaso do zero, e as tuas escolhas influenciam diretamente como o teu personagem se comporta no jogo. Na conversa reproduzida no Xbox Wire, do Diretor de Projeto, Derek Brand, são estas criações personalizadas que dão vida aos elementos únicos de Kiln. A equipa trabalhou arduamente para equilibrar a sensação de fazer as coisas tu próprio com uma acessibilidade que permite entrar no jogo sentindo que fizeste o vaso certo para a tarefa certa.

“Fazer vasos na vida real é muito difícil,” explica Brand. “Exige muita prática e com o tempo podes tornar-te bom, mas não é algo em que possas simplesmente mergulhar. Queríamos que a olaria fosse super fácil e acessível – basta um botão e o comando analógico – e que pudesses fazer qualquer forma que quisesses. Queríamos que as pessoas se sentissem imediatamente mestres desta arte.”
Lançar um bloco de barro na roda e depois passar para a modelagem da peça é muito natural. Ao mover o comando analógico para cima e para baixo ao longo do barro a girar, rapidamente se começa a perceber a mecânica. Curto e redondo, alto e fino, ou uma mistura de ambos – as ferramentas estão lá para fazer qualquer forma de vaso que se queira.

Determinar a forma começa pelo tamanho de barro que queres usar – pequeno, médio ou grande. Esta é a primeira grande decisão – queres um vaso rápido e pequeno, mais equilibrado, ou enorme e durável? Dentro de cada categoria de peso, há oito formas possíveis na roda, como garrafas, copos e tigelas para transportar água para a batalha (a água é uma grande parte do lado competitivo de Kiln, mais sobre isso depois).
Cada forma criada tem um movimento especial, um ataque básico e um ataque aéreo próprios – fui informado de que existem 24 ataques especiais no total, todos inspirados na funcionalidade das suas formas. Por exemplo, um prato pequeno que se assemelha a um disco de hóquei pode ter um tiro especial que ricocheteia em vários inimigos. Vasos em forma de copo têm um ataque de área que dispara pipocas. Um grande cilindro pode transformar-se num enorme martelo capaz de esmagar inimigos.
“A parte da olaria atrai pessoas que podem não querer saltar diretamente para um jogo multiplayer,” acrescenta Brand. “Alguns só querem experimentar a criação de vasos. E se conseguirmos, vamos levá-los devagar para o ‘agora quero bater em alguém com este vaso’. Não queremos que seja uma mudança difícil entre estas duas coisas.”

Ao moldar os vasos, temos de ter em conta que a capacidade de água e a saúde são inversamente proporcionais – quanto maior a capacidade, menor a saúde. Isso obriga a pensar na composição futura das equipas, garantindo alguma variedade – combatentes magros, grandes transportadores e uma mistura pelo meio – para levar para a batalha.
Depois vem a personalização, onde podes escolher entre vários vidrados, alças, padrões e até autocolantes para tornar a tua criação única. Depois de finalizado, o vaso vai ao forno para solidificar a forma final – e segue-se The Wedge, o hub social do jogo, uma pequena fatia do domínio da deusa Celadon.
The Wedge oferece muito a um jogador recém-saído do estúdio de olaria. Há um dojo onde os vasos podem treinar contra manequins e testar ataques especiais. Podes encontrar outros vasos criados por jogadores (que podes usar nas batalhas). Existe também a loja no jogo, gerida pelo cão e companheiro de Celadon, Slip. Ele recolhe objetos divertidos do universo, como máquinas de arcada, microfones antigos ou Excalibur, e coloca-os à venda como autocolantes e enfeites para personalizar os vasos – ganhas créditos ao participar em partidas, que depois podes gastar em personalização. E há o Potty, que gosta de ser destruído. Funciona como saco de pancadas para praticar ataques de combate. Ele não é um especialista em batalha, mas quer ajudar. Se o encontrares e o atingires no Lobby – ele muda de local diariamente – dá-te recompensas únicas.

Explorar The Wedge é extremamente divertido e aberto. É como encontrar bolas de futebol para chutar, saltar para dentro de vasos vazios ou empilhá-los. Tudo parece projetado para incentivar o jogo em conjunto e uma forma mais física e menos verbal de comunicar com outros jogadores – exatamente como Brand planeou.
“Temos uma roda de comunicação onde podes fazer coisas simples, como colocar um coração acima da tua cabeça. Se gostares do vaso de alguém, podes mostrar ‘Adorei’. Também podes dançar. Queríamos simplificar estas interações para ‘Gosto disto’ ou ‘Vamos socializar’. Podes também interagir como nas batalhas – rolar, abanar, brincar. Dependendo do tamanho e forma do vaso, estas interações podem ser muito divertidas.”
No combate temos o modo Quench em vários mapas, onde duas equipas de quatro jogadores competem para ver quem consegue verter água no forno gigante da equipa adversária. Os mapas são variados, com obstáculos diferentes, transportando água de um lado para o outro.

“Quando pensamos no mundo, queríamos incorporar a tecnologia e a arte antiga; apoiar-nos nisso,” diz Brand. “Começas no mundo de Celadon, deusa da criação e destruição. Tu és um pequeno espírito, um sprite flutuante. Existem outros deuses ausentes, mas que deixaram ilhas flutuantes dos seus antigos domínios, e cada mapa baseia-se em deuses da Grécia ou do Egito antigos.”
Um dos mapas mais interessantes é Athena’s map room, com passagens estreitas e esponjas estrategicamente colocadas, que podes molhar para criar paredes temporárias e bloquear adversários, ganhando segundos preciosos para transportar água.
“Demos aos antigos deuses personalidades distintas. Por exemplo, Hermes tem um mapa no seu centro de expedição, com pacotes a circular e passadeiras em movimento. Dionísio tem um mapa tipo Boogie Lounge, com pista de dança central – se pisares um tile, és forçado a dançar, criando um campo de batalha dinâmico.”
Brand explica que a equipa aposta na variação de mapas, mais do que modos de jogo para o lançamento. “No pós-lançamento queremos ouvir a comunidade, mas no lançamento estamos focados no modo Quench e na experiência do lobby, com vários mapas, cada um com mecânicas únicas.”

Kiln vai sair na Primavera de 2026, como título Xbox Play Anywhere e otimizado para portátil, na Xbox Series X|S, Xbox PC, Xbox Cloud Gaming, PlayStation 5, Steam e Xbox Game Pass Ultimate.



