Developer: Herbarium Games
Plataforma: PC
Data de Lançamento: Por anunciar

Desde a primeira vez que vi o trailer de BUS: Bro U Survived, fiquei rendido ao jogo, não por apresentar uma capacidade gráfica fora do comum ou uma história inacreditável, mas por chamar a atenção pela sua vertente cómica, divertida e por uma jogabilidade simples, aliada a uma componente cooperativa que nos permite jogar com amigos.

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Por esse motivo, aceitei o desafio da Herbarium Games e atirei-me de cabeça para o prólogo do jogo, que já se encontra disponível gratuitamente no Steam para todos os jogadores. Desde os primeiros minutos, fica bem clara a ideia que o jogo quer transmitir: não levar nada demasiado a sério, começando logo pelo próprio apocalipse zombie em que estamos inseridos. Este pequeno prólogo, que não dura mais de uma hora, funciona como uma forma bastante descontraída e acessível de mostrar aos jogadores aquilo que o jogo tem para oferecer. Tudo é apresentado num tom leve, quase caótico, mas surpreendentemente divertido, com mecânicas bem pensadas que encaixam na perfeição na experiência.

A introdução começa com o nosso personagem a sofrer um acidente de carro, saindo completamente ileso, e a ser auxiliado via áudio por outro personagem, G, que nos orienta até encontrarmos um autocarro. Até chegarmos a esse ponto, são-nos apresentados os comandos básicos, que se revelam extremamente acessíveis, como andar, baixar, saltar, apanhar itens, interagir com o ambiente e combater os zombies. Depois dessa fase inicial, chegamos a um ferro-velho onde encontramos um autocarro bastante danificado. A partir daí, percebemos que não só temos de o libertar do local onde está preso, como também instalar um motor e colocar quatro pneus que se encontram espalhados pelo espaço.

É neste momento que nos são introduzidas as mecânicas de interacção com certos dispositivos e que percebemos que o jogo inclui pequenos quebra-cabeças simples que precisamos de resolver para avançar. Diria que este tutorial está muito bem construído, conseguindo preparar-nos de forma consistente para aquilo que nos espera mais à frente. Um dos exemplos mais claros é a possibilidade de reparar certos mecanismos através de uma ferramenta que parece ser fundamental para todo o jogo, dando desde logo a entender que existirão muitas mais situações no futuro onde será necessário recorrer a este tipo de interacções, e até com outras ferramentas que certamente aparecerão.

Algo que também se torna evidente muito rapidamente é que, embora seja perfeitamente possível jogar a solo, nota-se claramente que BUS: Bro U Survived foi pensado para ser jogado em grupo, com várias situações que ganham outra dimensão quando imaginadas em cooperação com amigos.

Após completar esta missão de tutorial, cujo objectivo passa por colocar o autocarro a funcionar e, se possível, transportar alguns itens de valor no seu interior, G indica-nos o caminho para a sua base de operações, um local seguro que podemos considerar como o nosso ponto central de preparação antes de iniciarmos as missões.

Neste espaço, encontramos vários equipamentos que não estão a funcionar, como é o caso de um fabricator que, segundo nos é explicado, necessita de um mecânico para ser reparado. Assim, a primeira missão consiste em resgatar uma mecânica para colocar esse fabricator a funcionar. Aqui, mais uma vez, somos obrigados a colocar à prova todas as mecânicas aprendidas no tutorial. Trata-se de uma missão essencial, não só pela sua importância, mas também por servir para consolidar tudo aquilo que o jogo tenta oferecer.

Além disso, na base, temos acesso a um mapa de toda a zona onde o jogo se desenrola, sendo aí que decidimos quais as missões que iremos realizar. Desde logo, é possível perceber que o mapa é bastante grande, o que indica que o jogo deverá contar com um bom número de missões para nos manter entretidos quando for lançado. Torna-se também claro que, para além da mecânica, existirão outros personagens que poderão ser resgatados e integrados na nossa base de operações. Tudo aponta nesse sentido, seja pela forma como a base está estruturada, seja pelas várias áreas e equipamentos que nela encontramos, dando a entender que este espaço irá evoluir de forma significativa ao longo da experiência.

Há exploração, combates contra zombies e uma forte sensação de improviso, onde as coisas raramente correm exactamente como planeado. O jogo não esconde o seu lado mais exagerado e carismático, mostrando inclusive a presença de desafios finais, neste caso uma espécie de boss, bastante fácil de ultrapassar, mas que demonstra bem o quão fora da caixa o jogo consegue ser, o que acaba por ser um ponto bastante positivo.

Um dos elementos que se percebe desde cedo que será essencial é o autocarro, que servirá como o nosso principal meio de transporte para as missões. Mesmo nesta versão inicial, já se nota a importância que este veículo terá ao longo de toda a experiência, funcionando quase como um símbolo da identidade do jogo e da própria equipa de sobreviventes.

No aspecto visual o jogo apresenta um estilo simples, colorido e coerente com o seu tom leve e divertido. Não impressiona pela qualidade gráfica, mas compensa com personalidade e uma direcção artística que mostra um estilo mais cartoonesco, recheado de elementos absurdos, algo que acaba por dar uma identidade muito própria ao jogo. O desempenho, pelo menos nesta fase inicial, mostrou-se bastante estável.

A nível sonoro revela-se bastante interessante, com uma boa música de fundo que encaixa na perfeição, assim como um voice acting competente, especialmente no que toca à vertente humorística.

BUS: Bro U Survived deixou-me com uma sensação bastante positiva. O prólogo cumpre bem o seu papel ao apresentar o mundo, as mecânicas base e o espírito do jogo, sem prometer mais do que aquilo que consegue oferecer nesta fase. Existe uma base sólida, ideias interessantes e um foco claro na diversão cooperativa. Se o resto da experiência conseguir desenvolver estes elementos com maior profundidade, o jogo tem tudo para se destacar dentro deste género. Resta agora esperar que assim aconteça.

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Rui Gonçalves
Desde o tempo do seu Spectrum+2 128k que adora informática. Programador de profissão nunca deixou de lado os jogos, louco por RPGs e jogos de futebol. Adora filmes de acção e de ficção científica, mas depois de ver o Matrix nunca mais foi o mesmo.