Developer: Lightning Rod Games
Plataforma: Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox One, PC
Data de Lançamento: 17 de Maio de 2020

A Fold Apart é um jogo bastante diferente do habitual, uma vez que é virado para jogadores que gostam de resolver problemas – como puzzles e quebra-cabeças – mas que ao mesmo tempo chama a atenção e mostra as dificuldades que envolvem uma relação à distância. Como por exemplo dificuldade em demonstrar os verdadeiros sentimentos, ou ser mal interpretado por alguma palavra escrita que não foi bem compreendida. Basicamente todos aqueles problemas que quem já passou por isso, sabe bem o que representam e o que custam.

O início do jogo começa com a possibilidade de escolhermos 4 tipos de casais, de maneira a abranger todos os géneros. A partir daí o jogo enquadra-nos na história de um casal de namorados que são extremamente felizes, mas que devido a uma excelente proposta de emprego, vêem-se obrigados a separarem-se e viverem o seu amor à distância. É bastante interessante a maneira como os criadores criaram o enlace entre os dilemas de uma relação vivida à distância e os puzzles e quebra-cabeças que teremos de resolver – quase como se fossemos a consciência da personagem.

O jogo é composto por seis capítulos, e será ao longo destes capítulos que vamos conhecendo os princípios, a profissão, e os gostos de cada um dos personagens. No meu caso, que escolhi um casal heterossexual, a personagem feminina é professora e muito feliz por viver perto do campo e longe da cidade, e ele um arquitecto que conseguiu um emprego numa grande cidade.

Os quebra-cabeças do jogo e os seus puzzles são criados a partir dos sentimentos, do medo e da insegurança, sendo nessas encruzilhadas que o jogo nos coloca na resolução de puzzles. Outra parte bastante interessante é que iremos jogar com os dois personagens, percebendo os medos e fragilidades de cada um. É bastante interessante perceber o medo de escolher mal uma palavra e magoar o outro, ou por vezes nem dizerem aquilo que gostariam com medo de uma má interpretação.

Todos esses dilemas vão aparecendo no ecrã escritos em inglês, mas caso prefiram jogar noutra língua, apareceram as legendas na parte de cima do ecrã, com todas as traduções.

Os puzzles e quebra-cabeças são super interessantes e vão aumentando a sua dificuldade com o avançar dos capítulos. O objectivo é sempre chegar a uma estrela que se encontra no cenário, porém, o problema é que nunca existe caminho directo para lá chegar, e para isso precisamos de ir “brincando” com o ecrã de jogo. Imaginem uma folha de papel em que está desenhada dos dois lados, existem diversas plataformas que parecem meio aleatórias e o nosso personagem não sabe saltar, por isso teremos de ligar as plataformas de alguma maneira para conseguir criar um caminho seguro para ele lá chegar. Isso faz-se com a possibilidade de irmos dobrando, rodando e desdobrando o cenário como se fosse uma autêntica folha de papel.

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Os primeiros quebra-cabeças são bastante simples e apenas podemos dobrar o cenário da direita para a esquerda, ou vice-versa; podemos dobrar quantas vezes quisermos, mas depois, com o avançar do jogo, passamos a poder dobrar a parte de cima e a parte de baixo, e é aí que as coisas começam a ficar engraçadas, já que existe gravidade, e o nosso personagem até poderá cair caso o coloquemos de cabeça para baixo. Com essa introdução, aparecem também objectos que nos poderão ajudar, como por exemplo cubos que podemos empurrar e subir. Depois mais à frente até poderemos rodar o cenário, entre outras pequenas variações que tornam o jogo extremamente divertido para quem gosta deste tipo de puzzles.

Em A Fold Apart tudo é feito com calma, e embora estejamos sempre a percorrer os dilemas dos personagens, a verdade é que nota-se que houve um cuidado para que tudo oferecesse um cenário de serenidade, em que os personagens andam na sua maioria das vezes de maneira vagarosa e calma – até para não causar frustração aos jogadores em tentam apressar a resolução dos puzzles que lhe são apresentados.

A jogabilidade é extremamente simples, com controles bastante fáceis e intuitivos e adequados a todos os públicos, isto claro, desde que gostem de colocar a massa cinzenta a funcionar. É um daqueles jogos interessantes até para se jogar com a cara metade, e os dois tentarem resolver em conjunto todos estes puzzles.

No aspecto gráfico do jogo está excelente, com um visual simples mas apurado. Conseguimos ter cenários bem distintos, mas sempre com uma beleza interessante, e mesmo quando estamos na grande cidade, os criadores do jogo conseguiram criar riqueza visual para os jogadores. Além disso, o pensamento dos personagens estar sempre escrito no ecrã com diversos tipos de letra, e com muita cor também oferece alguma beleza extra.

No aspecto sonoro o jogo também está muito bom, com uma banda sonora de excelência para quem gosta de músicas calmas, contudo, que puxem para o lado sentimental; quase todas com o piano como instrumento musical principal.

Durante o jogo tive um ou outro problema, com o personagem a ficar preso no cenário e a ter de reiniciar o jogo. Felizmente vai salvando automaticamente sempre que ultrapassamos um cenário, e não nos vermos forçados a começar de novo.

A Fold Apart é um jogo incrível para quem gosta de resolver puzzles e quebra-cabeças, e se no início os puzzles parecem simples e acessíveis, ao avançarmos estes começam a complicar e a obrigar-nos a um “desdobramento” para descobrirmos a sua resolução, onde a mescla de problemas que o jogo nos oferece, juntamente com a história dos personagens, torna tudo ainda mais interessante. Se gostam de jogos que puxem pelo raciocínio, então é um título que não vão querer deixar passar.