Developer: Artdink
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 12 de Março de 2021

Embora jogue quase todo o tipo de jogos, existem aqueles géneros que nos chamam sempre mais a atenção. No meu caso, além da paixão pelos RPG’s de acção, os jogos de estratégia e tycoons sempre me piscaram o olho. Lembro-me bem de na minha adolescência de passar horas e horas a jogar o velhinho Transport Tycoon, onde tínhamos de gerir uma companhia de transportes, e podíamos fazer um pouco de tudo, como criar aeroportos e aviões, estações de comboio e transportar passageiros e bens.

A-Train: All Abord! Tourism é o novo jogo que chegou à Nintendo Switch e tenta oferecer aos jogadores que gostam de tycoons uma experiência interessante. Além de ser o responsável por uma companhia de transportes ferroviários, o jogador tem ao mesmo tempo a responsabilidade de dar atenção à expansão das localidades, oferecendo serviços que sejam “lucrativos” tanto para a nossa companhia, como também para essas localidades. Isto é, no fundo, a prioridade é gerir a nossa empresa, mas também temos uma responsabilidade para com as diversas cidades nas quais podemos construir o nosso império ferroviário.

A maneira como tudo isto acontece é bastante interessante e altamente inspirada no Japão, onde o comboio é o principal meio de transporte. Ao contrário do nosso país, onde os comboios se atrasam a todos os momentos e as carruagens mais parecem latas de sardinhas nas horas de ponta, no Japão tudo se passa de uma maneira muito diferente, sendo que os atrasos são raros, e quando existem são meros segundos, oferecendo à população um serviço incrível, com provavelmente a melhor linha férrea do mundo, sem esquecer que contam igualmente com os mais avançados comboios do mundo.

Dito isto, o jogo leva-nos a cidades inspiradas no Japão, onde a linha férrea ainda não se encontra desenvolvida na sua totalidade, ou muitas vezes nem sequer existem. O nosso objectivo é conseguir oferecer uma boa estrutura de caminhos de ferro, ligando algumas cidades, e até oferecendo maneiras dos turistas conseguirem alcançar pontos de interesse do mapa, como castelos e outros monumentos e locais. Com estas ideias implementadas, iremos conseguir ver as pequenas cidades a irem crescendo com o tempo, muitas vezes tornando-se em autênticas metrópoles.

Ao mesmo tempo, é necessário ter cuidado extremo com as finanças da nossa companhia, já que teremos os custos habituais com funcionários, manutenção, entre outras coisas, mas também os lucros que uma companhia ferroviária pode e deve ter. Teremos de construir estações, linhas férreas, comprar comboios, fazer melhoramento às estações, às linhas, e até ir alterando os nossos comboios conforme vão aparecendo novos e melhores com o passar dos anos.

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Falando nisso, sempre que iniciamos o jogo num mapa, este irá mostrar-nos a data em que vamos iniciar o cenário, onde a linha férrea é escassa ou mesmo inexistente. Será aí que teremos de começar o nosso jogo, o início do jogo começa com a criação da nossa empresa, dando-lhe um nome, escolhendo o nosso nome, e até o design do nosso cartão de visita. Depois somos presenteados com a nossa secretária, que lá vai dizendo que é o nosso primeiro dia como presidente da companhia e começa então a nossa visita guiada por vários pontos do jogo. É uma maneira de dar uma introdução aos jogadores, principalmente àqueles que estão menos habituados a estas andanças. Somos levamos a falar com vários funcionários da empresa, assim como pessoas responsáveis pela gestão das cidades daquela região, onde nos explicam o que querem melhorar naqueles locais, e como podemos ajudar a aumentar o turismo de grande parte das cidades. Vão ter um tutorial bastante longo onde tudo é explicado em texto de maneira bastante lenta (às vezes até demais, com muito texto e pouco conteúdo).

Embora tudo pareça até fácil no início, com o andar da carruagem (viram o que fiz aqui?) vamos percebendo que a tarefa que temos pelas mãos é bastante árdua, já que gerir uma empresa não é pêra doce, mesmo que este não seja um jogo totalmente virado para a simulação. Criar estações de comboios que sejam rentáveis não é fácil, principalmente quando temos de construir todo o sistema férreo, e claro, pagar a sua construção, assim como os terrenos para neles construir. Para não falar nos impostos que também vamos pagar, e ver com isso a nossa conta bancária a ir diminuindo.

A construção das linhas é um dos pontos fortes do jogo, já que nos permite passar por onde quisermos, muitas vezes até destruindo casas já existentes, tudo em busca do sucesso, do dinheiro, e, quando possível, o melhor para as populações locais, ou seja, vão ser uns belos capitalistas. Ao mesmo tempo, terão de ter o cuidado de colocar as linhas nos locais correctos, de modo a conseguirem que os comboios não se cruzem, que as linhas estejam livres, entre outros pormenores bastante importantes.

Enquanto vamos lidando com o nosso sucesso e com o aumento das nossas linhas férreas, além do aumento de passageiros e do crescimento das cidades, teremos de ter atenção aos dados das cidades, de maneira a percebermos o que se está a passar à nossa volta, e ter atenção ao mapa nesse aspecto é bastante importante. Com o avançar do jogo, teremos também acesso à construção de estradas e à criação de paragens de autocarros e à compra desses veículos. Iremos também ter a possibilidade de criar subsidiárias da nossa empresa, e com isso poder lucrar com fábricas eléctricas para gerar electricidade, ou mesmo fábricas de madeira, armazéns entre outras coisas. Como vos disse acima, o objectivo é o lucro e termos um enorme sucesso na nossa empresa.

O jogo também tem o modo Construction, que basicamente é um modo onde editamos diversas coisas, como por exemplo o tamanho do mapa (4 tamanhos), o ano em que queremos começar (entre 1955 e 2020); se queremos um mapa com zonas montanhosas ou não, a quantidade de lagos e rios, a quantidade de florestas, zonas residenciais e até campos; ou se queremos muitas, ou poucas zonas com petróleo e carvão. Estando tudo gerado, podemos começar o jogo do zero, tendo de começar por criar tudo, mas também com todos os meios já desbloqueados.

A-Train: All Abord! Tourism não é um primor gráfico, mas também não desilude, oferecendo ao jogador até a possibilidade de escolher diversas acções para melhorar a performance do jogo ou o seu grafismo. É possível retirar as sombras, melhorar um pouco a qualidade gráfica, entre outras opções. Também teremos condições climatéricas diferentes, podendo fazer sol e chover, assim como a alteração entre dia e noite, o que dá um efeito realista em termos visuais. Quanto à câmera do jogo, esta é bastante competente e permite-nos ter duas visões (uma de cima e outra isométrica). Além disso, em ambas, podemos rodar a câmera 360º graus e fazer bastante zoom in e zoom out.

A qualidade sonora é razoável, apesar de musicalmente não oferecer nada demais. Contudo, está de acordo com as músicas apresentadas neste tipo de jogos, e os efeitos sonoros são o que se espera num jogo deste tipo.

Obviamente que não é um jogo para todos os jogadores. É um jogo de nicho que só agradará aos fãs de Tycoons. A jogabilidade está óptima, já que é bastante fácil acedermos a tudo o que desejamos a partir dos Joy-Cons ou do Pro Controller com menus de fácil acesso. Já em modo portátil, é possível usar os dedos para comandar o jogo facilmente, o que é bastante cómodo.

Já os jogadores que se iniciam nestas andanças, certamente sentirão alguma dificuldade, uma vez que existem muitas opções para assimilar, e na verdade, os tutoriais são bastante entediantes. Além disso as linguagens que podemos usar são escassas, tento apenas o inglês, japonês, coreano e chinês para escolherem.

A-Train: All Abord! Tourism é uma boa entrada na Nintendo Switch, que nos leva ao mundo do capitalismo de uma forma bastante competente, e que agradará os fãs de Tycoons.

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Desde o tempo do seu Spectrum+2 128k que adora informática. Programador de profissão nunca deixou de lado os jogos, louco por RPGs e jogos de futebol. Adora filmes de acção e de ficção científica, mas depois de ver o Matrix nunca mais foi o mesmo.