Developer: Crania Games
Plataforma: PC
Data de Lançamento: 23 de Julho de 2021

O estúdio turco Crania Games continua a explorar o mundo do terror e suspense com o seu próximo título. Depois de algum sucesso com Roots of Insanity em 2007, agora é a vez tentarem a sorte com A Way To Be Dead, um interessante multiplayer survival assimétrico de 4v1.

Se pensaram se tem alguma relação com a grande referência do género – e sim, estamos a falar de Dead By Daylight –, a verdade, é que essa ligação apenas se verifica na mecânica. Contudo, dada a escassez de oferta deste tipo de jogos, é sempre óptimo surgirem novos conceitos ainda que se baseiem em outros já existentes.

A Way To Be Dead tem lugar no mesmo universo de Roots of Insanity. Pelo menos em termos de história e ambiente, foi inteligente aproveitarem toda uma conjuntura que funcionou, reconhecidamente. E com esta nova abordagem, o clima arrepiante de suspense está ainda mais assustador.

Dr. Riley, o mesmo protagonista de Roots of Insanity, está de volta. A sua mente está cada vez mais perturbada, e as alucinações crescem de dia para dia. O enredo macabro da sua família parece que deixou marcas permanentes, e é tarde demais para voltar atrás. Na verdade, a única coisa que o alivia é a sensação sádica e incontrolável de perseguir as suas vítimas.

Aproveitando os eventos arrepiantes do jogo anterior para contextualizar a história, tudo começa após a mãe de Riley falecer, levando o seu pai, um brilhante cientista, numa jornada tétrica para a trazer de regresso à vida. Como é costume nestas situações, o que volta, raramente é o que desejamos, e rapidamente nos vemos com uma infestação de zombies pela frente.

A Way To Be Dead largou a receita de Roots of Insanity que era um puro survival horror dependente da história, para se debruçar em algo mais prático e focado no multiplayer. Agora são os próprios jogadores que criam a narrativa para cada partida, tal como acontece com Dead by Daylight.

Aqui, quatro jogadores acordam num hospital e vão tentar escapar do mesmo. Do lado oposto, quem incorpora o Dr. Riley, irá tentar caçá-los um a um. No entanto, o jogo não termina caso tenhamos o trágico destino de cair nas mãos deste perverso assassino, já que ficamos a jogar como zombies.

Quem assume o papel de Dr. Riley, não pense que é imortal, antes pelo contrário, é quase tão vulnerável como os outros quatro jogadores, o que cria uma tensão de suspense para quase todos os envolvidos, porque também ele terá de tentar sobreviver aos zombies. É possível apanhar vários tipos de armas, e vai das mais básicas, como paus e armas brancas, até algo mais sofisticado, como armas de fogo.

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 Tal como em Outlast, temos visão noturna para podermos ver no escuro, através de uma câmara (e não é eterna, já que depende de uma bateria), e também nos podemos curar. Para isso, iremos ter de vasculhar tudo quanto é local, o que inclui armários, ou até mesmo os cadáveres que estão espalhados pelo mapa.

Não é perfeito, mas não há como negar que é divertido. Diria que se divide em duas fases: uma mais cómica, quando jogamos com o Dr. Riley; e outra mais próxima de uma experiência de survival horror, quando somos um dos quatro fugitivos. Contudo, de um modo geral, é um jogo em que estaremos normalmente entretidos enquanto estivermos a jogar.

Confesso que, apesar de existirem alguns elementos de terror enquanto jogamos com o Dr. Riley, não funciona tão bem na tensão que pretende criar, a não ser quando avistamos uma das vítimas. Os zombies controlados pela IA não são propriamente desafiantes, e é fácil evitá-los.

Por outro lado, quando estamos no papel da vítima, a adrenalina é mais frequente, uma vez que a ameaça é muito mais eminente. Proporciona uma boa sensação de terror, assim como alguns sustos, quando nos cruzamos com Riley sem estarmos à espera. E quando somos perseguidos a sensação de pânico proporciona algumas gargalhadas, tal é o desespero.

O jogo não é só interessante para quem está a caçar, dado que tem uma vertente cooperativa entre os outros quatro jogadores. Isto porque cada um dos fugitivos só poderá ter um objecto cada, obrigando a que estes colaborem uns com os outros de maneira a que possam aumentar as probabilidades de sobrevivência.

No final de cada partida, conforme a sorte e o desfecho para cada um dos envolvidos, os jogadores ganham pontos, para poderem melhorar a personagem. É um sistema de progressão ainda algo básico, mas que é previsível que se venha a alargar no futuro, caso o jogo tenha o sucesso que o estúdio espera.

Infelizmente, por vezes não é fácil encontrar uma partida, o que é claramente um problema num jogo que é exclusivamente multiplayer. Todavia, essa escassez de jogadores no lobby parece ter melhorado nos últimos dias, o que é sinal que poderá estar a crescer no número de jogadores.

Graficamente está bastante aceitável. Não é um jogo que vá impressionar, mas também não desilude. A atmosfera de terror é boa, e o ambiente escuro ajuda nesse sentido. No aspecto sonoro também cumpre com o que é suposto, criando um cenário sinistro e de apreensão.

Tendo em conta como são raros os jogos dentro deste estilo, A Way To Be Dead é bem vindo. É uma incógnita que vá ter sucesso dado que depende de números, e sem jogadores, dificilmente encontraremos partidas. Porém, merece uma oportunidade, especialmente para quem é fã quem gosta de jogos inclinados para o terror.