Developer: Eremite Games
Plataforma: PC
Data de Lançamento: 1 de novembro de 2022 (Early Access)

Desde miúdo que sempre fui fascinado por jogos de estratégia em tempo real e por construtores de cidades (city builders se preferirem). A possibilidade de liderarmos o nosso exército ou mesmo de criar uma cidade à nossa medida, com a nossa ideologia foi sempre algo que me agradou.

Quando ouvi falar pela primeira vez de Against the Storm, foi algo que me fascinou, porque trazia um pouco de tudo, isto é, conseguiu pegar em algumas ideias de jogos de construção de cidades, mas ao mesmo tempo, dava-lhe aquele ar de Warcraft 3 ou Age of Empires, com os nossos cidadãos a terem de trabalhar para termos recursos para evoluir a nossa cidade.

Para melhorar as coisas, o jogo ainda consegue adicionar alguns elementos roguelite, não existindo um mapa de um jogador igual ao outro, exceptuando o tutorial, que devo confessar desde já que, embora extenso, está excelente, e vai introduzindo todas as mecânicas de maneira simples e com uma temporização adequada.

O enquadramento do jogo é simples, e dá-nos o mote para iniciarmos esta árdua missão. O jogo passa-se num local onde existe um estranho acontecimento que de tempos em tempos diversas tempestades destroem tudo à volta do reino da rainha. Cada vez que isso acontece, a Rainha ordena o seu vice-rei – que seremos nós – a explorar novamente esses terrenos para a aquisição de recursos, e criação de diversas colónias nas terras devastadas pelas tempestades.

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Como trabalhadores e colonos dos locais que vamos explorar, nós temos quatro raças, humanos, castores, lagartos e harpias, sendo que cada uma dessas raças tem a sua especialidade e gostos. Além disso, estas também possuem um nível de satisfação com a colónias, o que significa que quando estão insatisfeitos começam a abandonar a colónia aos poucos, o que significa perder mão de obra para as tarefas que temos de concluir.

Nada que pareça complicado num jogo deste tipo, não fosse a Rainha querer tudo para ontem, logo, além das várias missões que ela nos ordena, ainda temos de as completar num determinado tempo, sendo esse medido pela sua paciência.

A parte mais interessante disto, é que ao contrário de outros jogos em que tudo é feito à nossa medida, aqui sentimos que até podemos ter essa abordagem, mas basta a Rainha fazer algum pedido que não estivesse nas nossas ideias, para a nossa abordagem ter de mudar e termos de começar a construir outro tipo de edifícios, assim como gastar recursos de que não estávamos à espera, tudo de maneira a tentarmos ter sucesso na conclusão do pedido. Como devem imaginar, caso a barra de paciência da Rainha se esgote – o que significa que demoraram demasiado tempo para concluir os seus pedidos – então lá terão de iniciar tudo novamente.

É daqueles jogos que no início tudo parece fácil, e com pouco desafio no aspecto dos pedidos, mas com o avançar do mesmo, tudo começa a ficar bastante desafiador, mas sempre muito divertido. Além disso, existe uma parte que poderá parecer muito frustrante, que é a destruição das colónias que criaram a cada evento de tempestades. Para retirar um pouco do “drama” desses acontecimentos, e de termos de iniciar praticamente tudo do zero, nós teremos a possibilidade de comprar melhorias para as novas explorações, assim como podemos também levar alguns recursos iniciais para começarmos a exploração, dando assim a possibilidade de iniciar imediatamente a construção de edifícios, ou mesmo ter alimentos durante bastante tempo para os nossos colonizadores.

No caso da exploração, esta pode ser bastante compensadora, já que muitas vezes encontramos riquezas que nos ajudam a evoluir, novos locais para retirar recursos e até zonas amaldiçoadas que podem trazer alguma desordem às nossas colónias. Saltando para os edifícios, para terem uma ideia do que é possível construir, temos então: acampamento de lenhadores, acampamento de caçadores, acampamento de sucateiros, cozinha, abrigos, oficinas, postos comerciais, armazéns, entre muitas outras coisas. O jogo no aspecto de edifícios para construir, e de itens e matérias primas que podemos obter é extremamente competente.

Outra componente interessante é a nossa reputação, e além da barra de impaciência da Rainha, teremos uma que molda a nossa reputação. Esta é aumentada ao concluir as missões da rainha, mas também por explorar, e até pela felicidade dos nossos colonos. Sempre que esta se completa recebemos alguns bónus, seja em recursos, novas construções e também novos colonos para o nosso acampamento.

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O maior defeito do jogo é a pouca variedade de objectivos que temos para cumprir, e quando falo de variedade, não é no aspecto de repetição dos mesmos, mas sim no aspecto de serem bastante parecidos, já que quase sempre o objectivo é focado nos recursos, isto é, em atingir uma determinada de quantidade de um determinado recurso, maioritariamente, recursos que tem de levar diversas transformações até estarem preparados.

Para o jogo ser acessível a todos os jogadores, existe também um sistema de dificuldade, em que podemos escolher entre 4 opções – colono, pioneiro, veterano e desbravador – que vão ter influência no gameplay. E se por um lado a opção mais fácil torna tudo menos complicado, a opção mais difícil dá melhores recompensas, por isso, cabe aos jogadores perceberem qual aquela que se adequa melhor ao seu estilo, e gerir da melhor maneira em termos de divertimento, frustração e recompensas.

Graficamente, devo dizer que está excelente para o que o jogo quer entregar, ou seja, pegando na ideia de Warcraft, com aquele jeito mais de Cartoon, Against the Storm pega no mesmo conceito, com gráficos bonitos, detalhados para aquele género, e com um nível de zoom in e zoom out bastante interessante. Os vários edifícios estão bem detalhados, os locais por onde temos de explorar também estão bonitos, e algo que me agradou bastante além da exploração dos diversos locais, é a diferença de biomas que vamos encontrar, já que altera bastante o design da área em questão, e não dando tanta a sensação de repetição dos mesmos locais. É um daqueles jogos que mal olhamos para o ecrã do PC, chama-nos a atenção exactamente pelo cenário que nos oferece.

No aspecto da componente sonora, está muito de acordo com o que encontramos neste tipo de jogos. A música oferece uma boa ambientação, sem nunca nos cansar como acontece com alguns jogos em que as músicas se tornam insuportáveis; e neste caso, os efeitos sonoros, de toda a envolvência que nos proporciona, estão muito bons.

Para aqueles que têm mais dificuldade com o inglês, o jogo está totalmente em português, o que facilita na compreensão de tudo o que têm para realizar.

Against the Storm é um jogo que agradará à grande maioria dos fãs deste género. Oferece ideias muito interessantes, com combinações de estilos que encaixam muito bem, e acredito que no próximo ano quando sair de Early Access e forem adicionados mais recursos, esteja um jogo ainda melhor.

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