Developer: ACQUIRE Corp., Marvelous Games
Plataforma: PlayStation 4 e Nintendo Switch
Data de Lançamento: 23 de Julho de 2021

Lançado originalmente no Japão e na PSP com o nome de Akiba’s Trip Plus, chega agora, finalmente, uma versão remasterizada pela primeira vez à Europa, e mais precisamente à PlayStation 4, Nintendo Switch e PC, com o nome de Akiba’s Trip: Hellbound & Debriefed.

Um jogo que tenta recriar as ruas de Akibahara, tal como eram em 2011. E para quem não sabe, é um distrito de Tóquio famoso pela cultura geek japonesa, ou okatu – como é lá conhecida –, e onde podemos encontrar várias lojas que exploram essa tendência, vendendo produtos como animes, mangás, além dos inúmeros salões de jogos.

Akiba’s Trip: Hellbound & Debriefed é um jogo bastante peculiar, não só na sua história, mas principalmente pela sua jogabilidade, cuja mecânica de combate é diferente de qualquer coisa que já tenhamos visto. É especialmente por esta última razão que se tornou um jogo de culto por terras nipónicas, e renasce agora, 10 anos depois neste remaster, e apresentando-se ao resto do mundo.

A história começa com uma mensagem enigmática de um dos amigos do protagonista. Percebendo imediatamente o seu amigo está em apuros, parte em seu socorro, deslocando-se ao seu último paradeiro conhecido. O que descobre a partir dali, acaba por colocar a sua vida de cabeça para o ar e é o começo de um enredo muito bizarro.

Na verdade, o seu amigo estava a investigar um rumor sobre criaturas semelhantes a vampiros, e particularmente uma pista sobre uma misteriosa mulher de aparência jovem e atraente.

O encontro com uma dessas entidades não tarda, e como consequência ficam ambos muito perto da morte. Surpreendentemente, a misteriosa mulher entra em cena no último momento para salvar o protagonista, e partilhando com ele o seu sangue que nos dará poderes, entre eles o de regeneração celular.

Ainda bastante debilitado, o nosso herói é encontrado e socorrido por um simpático grupo de amigos que simboliza o espirito okatu, porém, acabamos por ser levados por uma agente de um orgão governamental (NIRO) criado para combater esta ordem de vampiros: os Shadow Souls.

Ficamos a saber que esta organização  secreta de vampiros está de tal forma enraizada na sociedade, que apenas os agentes do NIRO têm armas para travar esta conspiração de proporções alarmantes. Conspiração essa que tem como alvo principal, os mais jovens e o seu modo de vida.

Depois de um longo interrogatório, ser-nos-á dado a escolher entre passar a trabalhar para os NIRO, ou enfrentarmos a luz do dia, que como devem calcular, não é propriamente saudável para a nossa nova condição de vampiro.

Sem grande escolha, aceitamos, e sem mais demoras, temos o primeiro contacto com o jogo propriamente dito, e o objectivo de encontrar a base do grupo de amigos que nos socorreu e conhecer cada um dele com detalhe. Uma nota para o aspecto de que todas as decisões referentes aos diálogos terão influência futura, já que o jogo possui um sistema de vários finais.

Podemos finalmente explorar a cidade, e está bastante parecida como era em 2011 (altura em que o jogo estava a ser desenvolvido para a PSP). O cenário electrónico de luzes coloridas e chamativas, assim como o movimento inevitável de uma zona comercial extremamente populada foi muito bem conseguida, e para quem sempre teve curiosidade em saber como era a baixa de Akibahara, terá aqui um importante ponto de interesse.

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 Várias das lojas podem ser visitadas, e oferecem algum tipo de consumo, seja na venda do mais variado tipo de produtos, como revistas, artigos electrónicos e consumíveis, e até mini jogos, nos salões de jogos. Podemos ainda vender os itens que vamos apanhando durante o combate, o que será uma parte importante, uma vez que fará parte da dinâmica normal do jogo.

Sempre que atingimos o final de cada rua temos acesso ao mapa, de modo a selecionarmos a zona para onde nos queremos deslocar a seguir. Será também aqui que podemos salvar o jogo, portanto, convém ir salvando com alguma frequência, de maneira a não perdermos algum progresso importante entretanto feito.

Outra parte importante da Interface é sem dúvida o smartphone que possuímos. Será aqui que podemos ver os objectivos de cada missão, assim como logs, e mensagens. Na verdade, é mesmo fundamental que seja consultado com alguma regularidade, visto que muitas vezes as instruções não são claras e podemos ficar perdidos em relação às pistas da missão.

É possível interagir com quase todos os npc’s que encontramos pelo caminho, e muitos servem para nos dar algumas informações sobre a história, e mesmo sobre o contexto social da cidade e dos seus habitantes.  Todos têm algo útil a contar, e recomenda-se mesmo que explorem esta faceta do jogo.

No entanto, é a sua ideia original de combate que acaba por diferenciar Akiba’s Trip: Hellbound & Debriefed de qualquer outro jogo que já tenhamos visto. A lógica é simples, e passa por remover a roupa dos adversários para que as suas peles fiquem expostas ao sol. Tendo em conta que estamos a falar de um jogo sobre vampiros, é fácil entender porquê.

É uma proposta original e divertida, e claro, bizarra também. No entanto, está na base do enorme sucesso que o jogo atingiu no Japão. Tanto nós, como os inimigos podemos vestir roupa e acessórios nas pernas, tronco e cabeça, e serão a essas três partes do corpo, usando um botão específico para cada uma delas, que iremos concentrar os nossos ataques. Haverá depois um momento em que podemos fazer strip a essa parte de vestiário (através de um quick-time event), deixando o oponente mais fragilizado, e quando fica completamente desapossado da sua roupa ganhamos o combate, sendo que o derrotado foge, em pânico, e deixando itens para trás que podemos apanhar.

A camera muitas vezes não ajuda, e chega a superar a dificuldade do combate em si, assim as animações, que podiam ser ligeiramente melhores. No entanto, aceitam-se. É possível usar praticamente qualquer objecto que apanhamos para usar enquanto lutamos, dando um ligeiro boost que poderá fazer a diferença quando mais precisamos.

Podemos personalizar a nossa personagem ao nível da roupa e acessórios como bem entendermos, o que nos leva a visitar as lojas com bastante regularidade, não só para ficarmos com um look mais ao nosso gosto, como também para estarmos mais preparados a nível de stats quando entrarmos num combate.

Podemos ainda, à medida que a nossa personagem evolui, desbloquear outros equipamentos, armas e habilidades especiais, que nos tornarão cada vez mais fortes e à altura dos inimigos que vão igualmente ficando mais desafiantes. Algo que é habitual em jogos que exploram este tipo de sistema de progressão.

Graficamente, justificava-se algo mais elaborado e não apenas algumas texturas melhoradas. O jogo está ligeiramente melhor em relação à PSP, o que nos leva a questionar se não podiam ter caprichado um pouco mais nesse aspecto. Já na vertente sonora, não desilude e cria uma boa ambientação para o contexto do jogo.

Akiba’s Trip: Hellbound & Debriefed é um remaster que tanto serve de homenagem a um jogo de culto, como oferece a oportunidade de finalmente podermos jogar fora do Japão. Tem um conceito de combate bastante diferente do que estamos habituados, mas consegue divertir à sua maneira, especialmente pela sua história interessante.