Developer: Jankenteam, Merge Games
Plataforma: PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox One, Xbox Series X|S, PC
Data de Lançamento: 22 de Junho 2021

Alex Kidd é dos personagens mais carismáticos alguma vez feitos pela SEGA e um dos meus favoritos. Chegou até a ser usado como a imagem da marca até à chegada de Sonic que o substitui porque este era considerado demasiado infantil para os jogos arcade que a SEGA andava a fazer. Alex Kidd in Miracle World é original de 1986, ainda eu não era nascido, mas lembro-me de o jogar, e muito, anos mais tarde na SEGA Master System. Era o jogo que vinha na memória da consola e nem era preciso cartucho, o que fez dele um dos meus jogos favoritos de sempre e até foi com ele que aprendi a jogar ao “Pedra, Papel, Tesoura”, como podem ler na parte do “sobre mim” aqui do Salão de Jogos.

É então óbvio que fiquei contente com este regresso do jogo numa versão remake e Deluxe que se denomina Alex Kidd in Miracle World DX. Posso já dizer que o jogo corresponde totalmente às minhas expectativas e mantém intacta a essência do original, misturando-o com gráficos mais modernos.

Para quem está menos dentro deste universo de jogos de Alex Kidd, digo-vos que basicamente usa o sistema 2D, que marcou o estilo de jogo de Mario ou mais tarde de Sonic, onde o que interessa é passar o nível, ir colecionando sacos de dinheiro, e evitar os perigos de cada zona. Com uma história simples, o nosso objetivo é derrubar Janken, O Grande e devolver ao reino de Radaxian a paz. Para isso vamos enfrentar bosses no final de cada nível até chegar ao derradeiro.

Os níveis de Alex Kidd in Miracle World DX apresentam um detalhe gráfico em modo pixel-art que deixa qualquer um contente com o resultado, mas não esquece as origens, até porque, quem quiser, pode jogar com o grafismo original e mudar a qualquer altura com um simples toque num botão. Confesso que fiz isso bastantes vezes, não só para ver a diferença, mas porque, mesmo com os poucos bits daquela época, ainda é um jogo apresentável.

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A jogabilidade não tem muita ciência, até porque na altura o comando tinha apenas os direcionais e mais dois botões. Assim sendo, basicamente temos um botão para saltar, um para dar murros, um que ativa alguns itens que compramos na loja (proteções, mini Alex Kidd que ajudam a eliminar inimigos, entre outros), os direcionais e com esta nova versão, o tal botão que nos transporta para o grafismo de 1986 ou nos faz voltar até ao novo num instante. Uma das desvantagens é que os botões respondem mais rápido e são mais sensíveis que antes, mas é curioso que se calhar na altura também já achava uma desvantagem, mas por não ser tão responsivo. Apesar de ainda haver situações em que o boneco não salta nem por nada, na sua grande parte, os botões direcionais correspondem bem, ou demasiado bem, tanto que, às vezes, andamos mais que o normal e corre-se o risco de morrer. 

Os perigos que existem em Alex Kidd in Miracle World DX são os mesmos da altura, mas com melhor ar. Sapos, pássaros, morcegos, bolas de fogo, nuvens que lançam trovões ou então debaixo de água alguns peixes, polvos, entre outros. Os picos e as falhas de caminho que faz Alex Kidd cair também se apresentam como perigos. A morte é demasiado fácil no jogo, já o era. Ao mínimo toque no inimigo, era uma vez uma vida. No início não é fácil voltar a habituar a este tipo de mecânica, mas esta versão tem a opção de vidas infinitas, além de gravar o jogo e, caso percamos as vidas todas, não é game over, mas sim um reset ao nível. Tempos bem diferentes dos de antigamente. 

Os níveis são bem diversificados, desde o deserto, à selva, passando por castelos e acabam sempre com um boss no tradicional duelo de “Pedra, Papel, Tesoura”. Acaba por ser um jogo de sorte, mas se decorarem o que os bosses escolhem, numa próxima tentativa já sabem o que ele vai fazer. Depois disto e de vencermos esta fase, parte-se para uma batalha mais física onde temos de os derrotar e evitar a morte conforme o que eles nos tentam fazer. Uns puxam das nuvens com trovões para nos matar, outros lançam bombas, outros usam uma espada, enfim, tudo para nos dificultar a vida. Estas lutas podem depois ser repetidas quando terminarem o jogo através de um modo que permite enfrentar só os bosses. E sim têm uns extras de novas zonas inéditas também.

Entre níveis e com o dinheiro que amealhamos de uns locais para os outros podemos comprar a tradicional moto e andar mais rápido em níveis de transição ou até o helicóptero de Alex Kidd que é movido com um pedal bastante esquisito, mas divertidissimo. A música também foi trabalhada para esta nova edição, já não é limitada a poucos bits e evoluiu bastante sem perder a melodia que muitos conhecem. O som que melhorou mais foi o do salto. Se em 1986 cada salto era acompanhado por um som irritante, agora é algo mais real e sem maçar. Outra coisa boa é que o jogo vem em português do Brasil. Não que haja personagens a falar, mas as legendas que aparecem a fazer as “falas” dos personagens estão na nossa língua.

Alex Kidd in Miracle World DX invade de nostalgia aqueles que  tiveram a sorte de o jogar numa SEGA Master System e que devem ter agora entre 30 e 40 anos. O jogo levou uma remodelação gráfica espetacular que o deixa moderno, mas não descurou os gráficos do original e até nos deixa mudar para esses em qualquer altura. Vale bem a pena ser jogado, quer pelas pessoas que já o jogaram há anos, quer por novos jogadores. Talvez a simbiose perfeita entre pais e filhos. Ah e claro, a oportunidade de explicar a quem quiserem como é que se joga ao “Pedra, Papel, Tesoura”.