Developer: EXE-CREATE
Plataforma: Xbox One, PC
Data de Lançamento: 3 de Julho de 2020

Alphadia Genesis é mais um JRPG da KEMCO que não se farta de aposta em jogos do género. Se antes atacavam o mercado mobile, o que é certo é com o andar da carruagem, a empresa aventurou-se no PC, na Nintendo 3DS e também agora na Xbox One, onde joguei este jogo. Alphadia Genesis não é propriamente novo para quem segue de perto estas lides de RPG’s. É possível que já tenham ouvido falar dele pela Steam ou na antiga Wii U. Podemos dizer então que é um port de um jogo para outras paragens mais ambiciosas, mas acaba por ser um salto maior que a perna.

A sua história e premissa é cativante. Depois de uma luta na final de um torneio num certo Reino, o nosso personagem Fray vence e torna-se um elemento respeitado bem conhecido de outras aventuras. Depois disso, o rei pede-nos para investigar um assassinato não muito comum por ali. Ao que parece, um clone matou um dos seus superiores e isso não era suposto acontecer. Para enquadrar melhor, os clones foram usados como armas de destruição massiva nos últimos 15 anos, na Guerra Energi, que causou uma enorme devastação e desconfiança nos Reinos que apesar de serem adversários se viram forçados a juntar forças para parar uma luta que está a ameaçar o mundo. A partir daí é connosco. Frey e a sua irmã Aurra que é uma pesquisadora de clones partem para uma aventura, onde pelo caminho vamos também jogar com outros personagens que nos ajudarão a compreender melhor o que se passa.

Alphadia Genesis lembra-me aqueles RPG’s muito old School. Graficamente não muito evoluído e com uma vista 2D que se transforma em 3D quando estamos nas batalhas. O sistema de combate é relativamente simples e parecido com outros jogos JRPG. Combate por turnos contra criaturas que se tornam repetidas ao longo de uma longa jornada. Existem várias hipóteses de abordagem numa luta. Cada elemento tem uma afinidade com um de três elementos, a Água, a Luz e o Fogo. Essa afinidade vai aumentado e permite depois ter vários feitiços para usar.

É certo que podemos atacar como normalmente se faz descontando vida ao adversário e existe a Break Skill que é um ataque especial com uma arma que tenhamos comprado no jogo e que volta a causar dano aos inimigos. O Guard faz-nos proteger do próximo ataque, a Energi Restore é importante para repôr as nossas forças com itens que comprámos ou encontrámos previamente e ainda há a hipótese de usar o Formation para voltarmos às posições iniciais e definir uma nova estratégia de ataque. Na verdade o sistema é muito simples e intuitivo, mas peca por ser demasiado repetitivo e em alguns casos desesperante por não conseguirmos passar este ou aquele boss. O segredo é lutar, lutar, lutar antes de enfrentar os bosses mais fortes. Evoluir os personagens é fundamental para um bom desempenho nas lutas. Referir também que podemos colocar as lutas no automático e ela desenrola-se por si só numa espécie de simulador. Isto evita o cansaço de ver sempre a mesma coisa mas à medida que o jogo vai avançando há o risco de um dos nossos personagens morrer porque as coisas ficam mais difíceis quando avançamos na história.

Paga-nos o café hoje!

Outros aspecto bem conhecido dos jogadores de JRPG’s, principalmente os da KEMCO são as tradicionais passagens secretas que nos levam até itens valiosos e segredos bem guardados. Além da história principal, há missões secundárias e opcionais que nos dão pontos de experiência para evoluir e nos fazem saber mais sobre a Guerra Energi. O enredo é bom e capaz de nos surpreender em algumas partes com reviravoltas que não estava à espera. O problema é que às vezes é um pouco pobre a nível de argumento. É incapaz de resumir algumas coisas simples e obriga-nos a ler centenas de caixas de texto que este tipo de jogo adora, mas também farta.

Alphadia Genesis pode levar umas boas 30 horas para acabar, o que para um jogo deste género nem é nada por aí além, mas é mais do que suficiente para perceber o que pode valer o jogo. Há algumas coisas para explorar, as armas, os anéis Energi que nos ajudam nas batalhas e claro, os clones. O maior desafio é talvez esse, descobrir o verdadeiro propósito dos clones. A música que acompanha o jogo é relativamente boa e as dobragens das personagens em japonês é uma boa adição aos silêncios das caixas de texto.

Alphadia Genesis vem equipado com todos os elementos clássicos de um JRPG old school que mistura o 2D e o 3D nas batalhas, o que certamente chamará a atenção dos fãs deste tipo de jogo. No entanto, quando se apresenta numa Xbox One com gráficos pobres e uma data de elementos que tornam a jogabilidade repetitiva, nota-se que o jogo não traz nada de novo ao género nem estava preparado para jogar neste campeonato.

Deixa um comentário