Developer: Nintendo
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 20 de Março de 2020

Antes de começar esta análise, devo começar por confessar que esta foi a minha primeira experiência com qualquer jogo de Animal Crossing. Acredito por isso que esta análise possa ajudar muito aqueles jogadores que, tal como eu, nunca tinham tido contacto com outros jogos da franquia. Por isso, em vez de vos trazer uma análise como habitualmente, decidi deixar-vos aqui uma carta de alguém que já está nesta vida há algum tempo.

“Queridos leitores,

Escrevo-vos desta ilha que de deserta já não tem nada, neste momento posso dizer-vos que já temos uma comunidade interessante, e já dá para viver de forma bastante confortável, longe vai o dia em que me foi disponibilizada uma pequena tenda de campismo para fazer a minha vida.

Começamos esta nova vida com três aventureiros: eu, a Sylvia (uma Canguru de cor roxa) e o Louie (um gorila sempre pronto a ajudar). Além disso, também vieram para a ilha Tom Nook (o dono da empresa que iniciou este projecto) e os seus dois ajudantes Tommy e Timmy. Isto é, éramos 6 pessoas nesta pequena ilha, embora os três últimos sirvam mais o poder imperialista (mais para a frente já vos explico porque digo isto).

O primeiro dia foi aquele em que tive oportunidade de conhecer o básico que podia fazer na ilha, ou seja, colocar a minha tenda, e meter lá tudo o que necessitava para dormir, para ter luz e até um pequeno rádio. Depois também tive a oportunidade de aprender a apanhar galhos de árvores, apanhar fruta e até apanhar ervas do chão. Mas também foi logo aí que percebi que Tom Nook era um imperialista implacável que com aquele sorriso e as suas falinhas mandas, não faz nada e ganha milhões com isso. Para terem uma ideia do que quero dizer, nesta aprendizagem criámos duas equipas, de forma a conseguir obter material suficiente para fazermos uma pequena festinha para comemorar a chegada à ilha. O meu grupo seria com Tom Nook, que me fez andar a fazer todo esse trabalho, enquanto ele ficou completamente parado sem fazer absolutamente nada. Isto cheirou-me logo a suspeito, mas tudo bem.

Fui também por unanimidade eleito como espécie de porta-voz e representante dos cidadãos da nossa pequena comunidade. Depois de tudo isso chegou a hora de festejarmos aquele dia, e como este já ia longe decidi ir até à minha tenda fazer uma boa soneca, para estar cheio de energia para o próximo dia.

O segundo dia também foi bastante interessante. Conheci melhor a Sylvia e o Louie, e claro, avisei o Tom Nook que tinha passado uma noite bastante má, já que a noite tinha sido de chuva, e o barulho não me deixou dormir (sim, acordo com muita facilidade). Foi nessa altura que tive a oportunidade de saber que podia adquirir uma pequena casa em vez de uma tenda. Algo que achei perfeito!

Mas também foi aí que percebi como a minha suspeita sobre ele era verdadeira. O preço que ele me pediu pela casa era exorbitante, e então sugeriu-me pagar em milhas. Algo que eu perguntei: “Em milhas?” E a sua resposta foi que tinha uma aplicação para o telemóvel que era o Nook Miles+, em que temos de cumprir diversos objectivos e aí são oferecidas milhas cada vez que cumprimos cada um deles.

Bem, uma vez que algo que não iria faltar era tempo livre, aceitei o método de pagamento das milhas, e foi aí que no dia seguinte tive a minha bela casinha. Provavelmente convém também dizer-vos que aqui na ilha existem dois tipos de moedas: uma são as milhas que podemos ir acumulando conforme cumprimos objectivos, outra são as Bells – a moeda oficial aqui da ilha; e que é possível ganhar a vender itens e outro tipo de coisas.

Algo que também quero referir é que aqui na ilha o tempo passa tal e qual como passa no mundo real, o calendário é exactamente o mesmo, logo hoje dia que devem receber esta carta, será dia 16 de Março de 2020 em ambos os locais, na ilha e no vosso mundo. Além disso como as horas são exactamente as mesmas, quando for de noite no local onde estão, aqui também será de noite. Posso também dizer-vos que nas estações do ano acontece o mesmo.

Algo que também preciso de desabafar com vocês é que aqui na ilha só se fala inglês, e por esse motivo, convidar os mais pequenos ou as pessoas que não entendem esta língua a ter esta experiência ou mesmo a vir visitar a minha ilha é algo que já me mentalizei que não será possível, e acredito que os mais pequenos fossem adorar estar aqui e brincar com todos os habitantes que já existem na ilha. Mas infelizmente, isso não irá acontecer.

Bem deixando para trás este desabafo, vamos lá continuar a contar o que mais se tem passado por aqui. Aqui na ilha, como devem imaginar existe muito para fazer. Quando chegámos e não existia cá praticamente nada, daí termos de ser nós a fabricar tudo. Por isso, cada habitante tem a sua bancada de construção, mas só ter a bancada não serve de nada, porque como devem calcular é preciso regras, assim como materiais e manuais para saber criar itens e objectos.

Neste momento já tenho uma enorme lista de coisas que posso construir, mas nos primeiros dias não existia muito. Havia apenas uma cana de pesca, um pequeno machado que apenas servia para bater em pedras e árvores (para dar alguma madeira) e uma rede para apanhar insectos e borboletas. A verdade é que foi a partir desses pequenos objectos que a nossa ilha começou a evoluir, e que os meus Bells começaram a aumentar. Apanhar borboletas, peixe e madeira, serviram para construir, mas também para obter o dinheiro necessário para adquirir novas coisas, sejam elas objectos, ou mesmo novos manuais de construção. Com tudo isto, já tenho uma casa digna e com um óptimo jardim. A ilha está mais desenvolvida e até já consigo alterar a cor dos meus móveis e objectos!

Também para oferecer uma ideia geral, vou escrever-vos agora um pouco sobre a ilha. O edifício que mais orgulho tenho, além da minha casa, é o museu. Pois é. Uma ilha sem nada, neste momento tem um museu magnífico, com diversas coisas para ver. O Museu é sobre insectos, borboletas e fósseis, e posso vangloriar-me de ter sido eu a oferecer tudo para a exposição. A vossa curiosidade sobre fósseis deve ser grande, e posso dizer que esta ilha é cheia de segredos, sendo que todos os dias aparecem alguns fósseis espalhados no chão, e lá tenho eu de ir com a minha pá desenterrá-los e levá-los ao museu para verificarem se são novos.

Existem também árvores de fruta espalhadas pela ilha, mas são todas pessegueiros. Acreditem que já estou um pouco enjoado de comer pêssegos, mas felizmente já provei outras coisas.

Outro edifício extremamente importante é o local de trabalho de Tom Nook, o Resident Service, onde todos os dias Tom tem novas ideias e projectos para o ajudarmos, ou para nos escravizar! É uma piada, mas a verdade é que foi importante nos projectos em que ele me pediu ajuda, já que me ajudaram a ter objectivos e a conseguir entender o meu papel na ilha. Ao início ele estava lá com os seus empregados, Tommy e Timmy, mas neste momento já se separaram. Tommy e Timmy criaram uma loja de venda de produtos, a Nook’s Cranny, muito útil a todos os habitantes, e onde podemos usufruir durante as horas normais de trabalho. Durante a noite encontra-se fechada já que todos temos de descansar.

Quando a ilha começa a ser claustrofóbica existe o aeroporto, que por vezes uso para viajar até outras ilhas, algumas desertas, e outras que por vezes até tem um habitante ou outro. Muitas vezes vou lá para descansar a cabeça, mas a maioria das vezes uso para ir apanhar materiais de todos os géneros, como madeira, pedra, novas frutas (já disse que estou farto de pêssegos?!), entre outras coisas.

Algo de muito bom nesta ilha é que somos altamente ecológicos, e quase tudo o que precisamos está no nosso smartphone. Além da aplicação que já referi (o Nook Miles+), temos também uma câmara para tirar fotografias, outra para todos os nossos manuais de construção de itens e objectos, uma aplicação para desenhar diversas coisas, e depois podemos usar esses desenhos. Mas também há um mapa de toda a ilha, o nosso passaporte e ainda um serviço de resgate caso seja necessário.

Espero que esta carta tenha ajudado um pouco a perceber as dinâmicas da ilha e de como somos livres e temos a liberdade de fazer aquilo que quisermos. É uma espécie de comunidade amiga e sem maldade – se esquecermos um pouco a maneira como Tom Nook consegue ser imperialista com aquele estilo simpático –, mas que ao mesmo tempo vê a sua conta bancária a subir com todo preço exorbitante de tudo que ele nos tem para “oferecer”.

Um abraço a todos desta ilha magnífica!

Notas finais:

Devo confessar que ao início para mim foi difícil entranhar esta ideia de andar aqui um pouco perdido, com muito tempo livre e com poucos objectivos para cumprir. Teremos de ser nós a criarmos os nosso próprios objectivos. Além disso o tempo por ser igual ao real, também transforma a espera de tudo o que não está no nosso poder um pouco estranho.

É um jogo que não nos consegue enervar com nada, é uma espécie de jogo Yin-Yang, em que tudo é calmo e belo. Cada um pode jogá-lo à sua velocidade e fazer crescer a sua ilha ao sabor de vento. Podem jogar todos os dias e podem jogar quando quiserem que os personagens da ilha vão fazendo a sua vida normalmente. Devido a isso também devo confessar que não é um jogo para todos os jogadores, muitos podem e vão acha-lo aborrecido.

A verdade é que para mim foi uma agradável surpresa, e não me lembro de alguma vez ter jogado algo deste género. Graficamente é bonito sem precisar de grandes detalhes; muitas cores, muita vida.

Animal Crossing: New Horizons é sem dúvida uma entrada triunfante desta franquia na consola da Nintendo. Um jogo altamente Zen, que diverte, oferece horas de jogo sem fim e até pela altura que chega, com o nosso mundo numa pandemia inacreditável devido ao Covid-19, oferece alguns momentos de calma e serenidade, fazendo-nos esquecer um pouco daquilo que se passa lá fora, pelo menos neste período de quarentena que todos devemos cumprir sem falhas.

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