Developer: Big Ant Studios
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, PC e Nintendo Switch
Data de Lançamento: 09 de Janeiro de 2020

Desde que comecei a jogar videojogos que me lembro de ter um gostinho por jogos de ténis. Começou com o incrível Tennis para a NES – onde perdi inúmeras tardes gastas até sentir que dominava o jogo na sua perfeição –, até hoje, com o novo AO Tennis 2, lançado este mês de Janeiro para todas as plataformas. E já que falamos de plataformas, é até curioso que, no estamos agora a chegar ao fim de uma geração de consolas e nenhum jogo de Ténis conseguiu ser efectivamente memorável, ou conseguiu chegar à plenitude gráfica, algo que se verifica noutros videojogos de desportos. A Big Ant Studios tem assumido o desafio de tentar oferecer algo perto disso, tal como foi o exemplo da sua primeira tentativa – o AO International Tennis –, e que acabou por ser uma pequena desilusão ao início, contudo, que com diversos updates e patches lançados eventualmente conseguiu satisfazer os jogadores.

A pergunta que se impõe é: será que AO Tennis 2 conseguiu chegar, ver e vencer? Em grande parte, conseguimos ver o esforço e a capacidade do estúdio em melhorar, desde logo, pelo seu Modo Carreira, com a possibilidade de podermos criar a nossa própria personagem; integrado num editor muito competente e cheio de definições que faz com que possamos recriar a nossa cara, e tal é a capacidade do editor que até é possível trazer para o jogo os rostos dos tenistas mais reconhecidos. A nível da estrutura deste modo, vamos seguir os traços gerais de uma carreira de tenista, com o nosso agente a acompanhar os nossos passos e a dar conselhos úteis para desenvolvermos a nossa carreira, gerindo em formato calendário, os torneios em que queremos participar, os treinos que queremos fazer e as oportunidades que vão surgindo. Ao longo deste modo podemos ainda contratar treinadores ou preparadores físicos para que o desenvolvimento da nossa personagem vá mais para um estilo de jogo que gostamos, e por outro lado, para recuperarmos de lesões e da fadiga mais rapidamente e estarmos presentes em mais torneios. É um modo bastante agradável e completo, apesar da falta de algum sal para melhorar uma história que é meramente feita a partir do nosso percurso nos torneios. No aspecto do melhoramento do personagem, temos uma boa skill tree, onde vamos comprando pontos de experiência para melhorar alguns dos nossos gestos técnicos favoritos, ajustando também aí a forma como vamos desenvolver o próprio jogo do nosso tenista.

Para aqueles que possam não ter percebido de imediato, AO é um acrónimo para Australian Open, que começou no dia 20 de Janeiro e irá durar até dia 2 de Fevereiro. Como não podia deixar de ser, um dos pontos fortes do jogo é exactamente a possibilidade de competir neste torneio que pertence ao Grand Slam (Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open), e como tal terão de escolher um dos tenistas que estão presentes no jogo e com ele tentarem ser os vencedores do torneio.

Falando em tenistas, aqui está um dos diamantes do jogo, primeiro pela enorme quantidade de atletas que vêm de origem (cerca de 271, incluindo homens e mulheres); alguns mais famosos, como é o caso de Rafael Nadal (actual número 1 mundial) ou Karolina Pliskova (actual número 2 mundial), e onde até estão presentes os portugueses Eduardo Lima e Gabrielly Silva. Embora a lista de tenistas seja enorme, ainda existe a possibilidade de ser aumentada, e isto deve-se muito à comunidade do jogo, com a incorporação do modo Academy, e é a partir deste modo que podemos criar de tudo um pouco no jogo, desde tenistas, arenas e até logótipos. Além da possibilidade de criarem, podem também fazer o download da criação dos outros jogadores, logo, como é fácil imaginar, não foi preciso muito tempo para quase todos os tenistas mundiais e os principais courts de ténis estivessem prontinhos para fazermos o seu download e ter um jogo de ténis completíssimo. Mais uma vez, é impossível não voltar a referir como o editor do jogo é simplesmente espectacular, sendo que conseguimos fazer qualquer rosto. Tem tantas opções que só mesmo vendo.

Antes de saltarmos para os modos online, não posso deixar de referir o modo cenários, e aqui, mais uma vez, o jogo consegue surpreender-nos pela positiva, oferecendo a possibilidade de criarmos condições de vitória para um jogo (i.e., não cometer duplas faltas, não permitir um break point, não permitir um tie break). Além deste modo, existe também o modo jogar agora, que é o banal quick match, onde fazemos um jogo contra um amigo ou contra a IA.

Saltando agora para o modo online, antes de nos debruçarmos sobre a jogabilidade, temos a partida rápida onde escolhemos um lado do campo enquanto jogo nos procura um adversário; cada um escolhe o seu jogador e começa um jogo. Podemos procurar uma sala de jogo, ou criar a nossa própria, e se decidirmos criar a nossa sala, então podemos seleccionar quantos set’s queremos, ou se queremos uma partida pública, ou escolher a arena, entre outras opções. Sem esquecer o placar de líderes, isto é, o local onde vão encontrar o ranking de jogadores que jogam online.

Devo também dizer que todos estes modos, exceptuando o modo carreira, têm a opção de jogarmos com apenas um jogador (masculino ou feminino) e em duplas (masculinas, femininas e mistas).

Quanto à jogabilidade, antes que os fãs de Virtual Tennis entrem já em êxtase, é preciso terem noção de que este é um jogo de simulação, longe do arcade que muitos jogadores gostam. Aqui o objectivo é mesmo irem aprendendo a jogar aos poucos e a dominar as bases, para depois irem aumentando a sua dificuldade, tanto que o próprio jogo tem selecionada por defeito a dificuldade de Amador. Ainda assim, para aqueles que não se conseguem adaptar, o jogo oferece a dificuldade de Novato, porém, perde completamente a piada, já que a bola nunca sai do campo, nunca bate na rede, ou seja, deixa de ser um jogo interessante. É importante ter em conta que bater bem ou mal na bola (aparecendo uma bola verde, amarela ou vermelha para nos dar essa indicação) faz toda a diferença, e ainda temos um ponteiro para tentar colocar a bola no campo adversário. Conseguir dominar essas duas coisas requer algum tempo, eu demorei uns 2 ou 3 jogos até conseguir atinar com essa mecânica, mas depois de estar aprendida, percebemos como valeu a pena.

Ainda pegando na jogabilidade, a quantidade de opções que temos no campo são imensas, e isto deve-se a todo o tipo de batidas e opções que foram implementadas: Lob, Top Spin, batida sem efeito e slice. Foram adicionadas as opções de aplicar essas batidas com maior agressividade (mas também com maior dificuldade de acertar em cheio) e para isso carregamos no R2 ao mesmo tempo. Além disso, algo que não me lembro de ter visto em outros jogos de ténis, é a possibilidade de pedir para rever uma decisão do árbitro de jogo, de forma a confirmar se uma bola foi realmente fora. Soberbo!

Graficamente está bastante competente, existem algumas cutscenes que no modo carreira poderiam estar melhor, mas tirando isso tudo está muito satisfatório. A versão que tivemos oportunidade de testar foi a da PlayStation 4 e esta apresentou-se sempre muito estável, sem breaks em algum momento. Já a nível sonoro está razoável, está bastante interessante ouvirmos o árbitro a pedir o silêncio do público quando a plateia se empolga com uma boa jogada, ou mesmo quando o seu jogador favorito está na frente da partida. O som da bola no campo e das batidas está igualmente muito bom.

É com muita satisfação que posso dizer que AO Tennis 2 é uma agradável surpresa e que me deixou rendido. Embora tenha completa noção de que não é um jogo para todos os jogadores –  visto que é mais virado para a simulação –, não deixa de ser um óptimo jogo para os amantes de Ténis, e que oferece imensas opções, especialmente devido à comunidade do jogo. O ano ainda agora começou, mas este já começa no top dos jogos de desporto deste ano. Vamos ver se por lá se mantém.