Developer: Piccolo Studio, Untold Tales
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 28 de abril de 2022

Foi em dezembro de 2019 que a Piccolo Studio lançava o seu primeiro jogo: Arise – A Simple Story. O estúdio espanhol espantou tudo e todos, já que rapidamente foi aclamado pela crítica especializada e por diversos jogadores, sendo classificado como um jogo fantástico, com uma história muito bonita e marcante para quem o jogasse.

Depois do lançamento para PC, PlayStation 4 e Xbox One é a vez da Nintendo Switch receber a sua versão do jogo, que chega com algumas melhorias e suporte para algumas funcionalidades que só seriam possíveis na consola da Nintendo.

O jogo começa com um funeral – o funeral do protagonista, para ser mais preciosa – mas que ao mesmo tempo é o iniciar de uma aventura por parte dos jogadores. Iremos passar por vários locais onde o protagonista se irá lembrar de diversos momentos da sua vida, e provavelmente a ideia da Piccolo Studio foi mesmo dar uma ideia de quando alguém morre, toda a sua vida lhe passa pela cabeça. Ora, será exactamente isso que irá acontecer.

Com uma jogabilidade simples, mas com alguns pormenores que não podem ser esquecidos, sendo que um deles é termos a possibilidade de avançar e recuar no tempo consoante nos dê jeito. Assim, iremos ajudar assim o protagonista a avançar nos cenários, como por exemplo fazendo a maré vazar ou encher, e tudo mexendo apenas no analógico direito, vendo o tempo avançar ou recuar consoante nos seja favorável para progredir.

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Esta manipulação, além de divertida, consegue dar uma dinâmica incrível ao jogo, numa espécie de quebra-cabeças, onde o jogador tem de perceber a melhor maneira de avançar na história. Nada é demasiado difícil, na verdade diria que o jogo não foi criado para dificultar o jogador em nada, mesmo sendo uma mistura de estilos, isto é, é um jogo em 3D com quebra-cabeças, plataformas, linear e cheio de manipulações para avançarmos.

Provavelmente será estranho dizer que um jogo em 3D com plataformas é linear, mas é verdade, porque ao termos uma câmara fixa, obriga o jogador a seguir os caminhos para o qual está quase a ser indicado. O jogo nunca nos coloca uma seta ou algo parecido a nos obrigar a ir para um local, mas a câmara acaba por nos guiar para lá, tornando fácil perceber o caminho que temos de tomar.

Conforme vamos progredindo pelo cenário, vamos encontrando as tais memórias do protagonista. São apenas fotos e imagens, mas que nos vão apegando ao jogo. Vão encontrar situações de alegria, como outras de maior tristeza, e é exactamente nessas ocasiões que Arise – A Simple Story consegue tocar o jogador emocionalmente.

A jogabilidade está bem conseguida em quase todos os momentos, embora por vezes aconteçam algumas acções surpreendentes, como quando temos saltos que achávamos serem simples e simplesmente o personagem não consegue dar, ou não se agarrar a algo quando esperávamos. Estes problemas acontecem muito devido à câmara fixa que referi anteriormente, não oferecendo um ângulo muito apropriado para a progressão. De resto, todo o jogo é bastante competente, quer na movimentação, como na maioria das acções que podemos fazer.

Graficamente, estamos perante um jogo muito bonito, com diversos pormenores que nos deixam simplesmente pasmados. Cenários lindos, alguns cheios de luz e alegria, outros mais tristes, mas não existe cenário que não surpreenda o jogador em algum momento. Diria que é um daqueles jogos que consegue ter uma beleza única. Aliado a isso, não podemos esquecer a banda sonora, que além de nos trazer a emoção necessária para cada momento, foi simplesmente muito bem trabalhada, sendo um dos pontos muito fortes do jogo. E para perceberem do que estou a falar, basta dizer que foi composta por David García, que produziu as bandas sonoras de  Rime, Hellblade: Senua’s Sacrifice, entre outros.

Um dos destaques que não posso deixar de referir é a possibilidade de com a Nintendo Switch os jogadores conseguirem usar o giroscópio para controlar o tempo, ou seja, ao girar a consola para a direita ou para a esquerda, podem automaticamente fazer essa alteração, sem a necessidade de usar o analógico direito. Além disso, por ser a versão do jogo ser a definitive edition, vão ter acesso às 18 músicas do jogo em formato digital, e também a um artbook digital com mais de 100 páginas, além de um modo fotografia cheio de efeitos para conseguirem  obter imagens incríveis.

Arise – A Simple Story – Definitive Edition é um jogo que agradará a grande parte dos jogadores, conseguindo transmitir tudo aquilo a que se propôs, e criando assim no jogador uma experiência diferente do habitual, mas que nos deixa emotivos. Foi um jogo que me surpreendeu bastante, e que não decepcionará quem o experimentar.

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