Developer: eXlin/Fishing Cactus
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4, PC e Switch
Data de Lançamento: 1 de Setembro de 2020

Estávamos no ano 2017 quando um indie do desconhecido estúdio belga eXlin surpreendeu e atraiu a atenção de vários dos visitantes da Gamescom. Ary and the Secret of Seasons era o nome do jogo, e desde então o seu desenvolvimento tem sido acompanhado com enorme expectativa, sendo que no mês anterior até foi habilitado o acesso antecipado, cujas críticas não podiam ter sido mais favoráveis.

Chegado agora o seu lançamento e a sua versão final, Ary and the Secret of Seasons tem aqui a sua prova de fogo, onde tenta convencer uma base jogadores que são bastante exigentes, especialmente quando se trata de um RPG de aventura – um género que tem de saber combinar a atmosfera da história, com mecânicas muito específicas.

É um jogo que arrisca e coloca grande parte das fichas na criação da sua protagonista, que tenta desde o início arrebatar quem está a jogar. E é algo que consegue de forma excepcional, porque Aryelle é daquelas personagens que é capaz de conquistar até o coração mais empedernido.

É possível entender praticamente todo o enredo Ary and the Secret of Seasons logo no começo, ou pelo menos o caminho por onde a história nos tenta guiar. Ary é aquela jovem determinada e aventureira que não hesita quando mete algo na cabeça – ou não fosse a filha do Guardião do Inverno. No entanto, o seu pai está com sérias dificuldades em reagir ao desaparecimento do seu filho e sucessor Flynn.

O título de Guardião sempre esteve reservado aos homens, mas isso não parece demover Ary, que cortando o seu cabelo – fingindo que é um rapaz – e usando o cristal do inverno que pertence ao seu pai, decide partir e representar a sua família numa importante reunião dos Guardiões das Estações.

Valdi divide-se em quatro regiões, cada uma delas correspondente a uma estação do ano e está entregue a um guardião experiente que domina os elementos e está a passar a ensinar o seu aprendiz. Depois de um evento misterioso que quebra o decurso natural das estações, é o espírito corajoso, resiliente e inspirador de Aryelle que, além de tentar descobrir o que aconteceu ao irmão, vai igualmente tentar restabelecer a normalidade ao mundo que sempre conheceu.

Paga-nos o café hoje!A história é essencialmente linear, e juntamente com as quests secundárias, teremos perto de 15 horas para jogar, aproximadamente. E de forma geral, boa parte será dedicada a resolver puzzles com o poder da respetiva estação. Os quebra-cabeças são um dos aspectos onde Ary and the Secret of Seasons acerta em cheio; são bastante originais, e a maneira como combinam com a história e com os poderes de Aryelle, respectivamente, oferecem toda uma dimensão e um sentido simplesmente fantásticos.

Ary irá usar o poder do inverno para transformar tudo à sua volta e criar plataformas para chegar onde de outra forma não conseguiria; construir pontes de gelo para alcançar o que parece estar fora do seu alcance; ou congelar o chão e continuar o seu caminho. São apenas alguns exemplos de como os puzzles poderão ser resolvidos, e que terão de ser usados em locais específicos, para que o poder seja exponencial.

Os poderes das estações também poderão ser usados num combate que é o bastante para entreter entre os quebra-cabeças, onde temos um ataque, um roll e um salto como principais funções para superar os inimigos. Há alguma estratégia que agradará aos fãs dos RPG’s, já que será importante estudar os movimentos dos inimigos para os fazermos cair. Alguns combates são realmente desafiantes, em particular quando enfrentamos os bosses, portanto, entender os padrões de ataque é o mínimo.

Graficamente está muito interessante, e num conceito artístico verdadeiramente agradável ao olhar. Num estilo animado e colorido, Ary and the Secret of Seasons tem essa capacidade de cativar visualmente, e muito bem complementado pelo tipo de música calma e aventureira que nos acompanham durante a nossa apaixonante jornada.

Arrisco dizer que Ary and the Secret of Seasons será mesmo o início de uma saga, já que vejo facilmente a ser muito bem recebido por quem gosta de RPG’s de aventura. A paixão que foi colocada na criação do jogo é visível em vários pormenores, e é uma prova de como os indies são importantes para a indústria.

Um excelente feito do estúdio independente EXlin.

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