Developer: Xbox Game Studios, Interior/Night
Plataforma: Xbox Series X|S, PC, Xbox One
Data de Lançamento: 19 de junho de 2022

As Dusk Falls é um jogo de storytelling em que a narrativa vai acontecendo e nós vamos tomando opções consoante as nossas convicções em determinado momento. Não há boas, nem más decisões, mas sim consequências disso. Se escolhermos ir por um determinado ponto de vista, a história segue por aí, ficando a outra parte para explorar numa das próximas vezes. 

Há imensas ramificações na história e pontos em que temos de tomar decisões que vão alterar o rumo dos acontecimentos, o que faz lembrar alguns jogos como Detroit: Become Human ou até os da Telltale, como por exemplo, The Walking Dead

O caminho de As Dusk Falls começa em 1998 quando a família Walkers decide mudar-se para outro lado dos Estados Unidos porque Vince, o pai de família foi despedido do seu trabalho como mecânico de aviões, havendo aqui mais detalhes que vou deixar para vocês descobrirem. Juntamente com o seu pai, mulher e filha, partiram, mas pelo caminho tiveram um acidente provocado por três jovens conhecidos pelas redondezas como os Holt que iam fazer um assalto.

Os Walkers encontraram um refúgio num Motel chamado Desert Dream, mas sem estarem à espera, os Holts apareceram quando estavam a fugir da polícia depois do assalto que fizeram à casa do Xerife local. A partir daí gera-se um clima de tensão com reféns dentro do Motel e uma data de acontecimentos que já não vos vou contar, como é óbvio. 

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Ao longo da história jogamos com vários personagens diferentes, podendo ter várias perspectivas das suas vidas e com isso não julgar tanto algumas ações aparentemente menos moralistas. A narrativa divide-se em dois “books”, notando-se claramente um corte, quase como se fosse uma primeira temporada de uma série que acontece entre o primeiro capítulo e o terceiro e depois uma segunda temporada entre o quarto e o sexto capítulo. Aqui para nós, eu preferi o primeiro “book” por ter mais ação, emoção e ações surpreendentes.

O drama interativo agarra os jogadores pelo enredo e pelo afeiçoamento que vamos ganhando com alguns personagens. A opção gráfica do jogo foi uma aposta ganha do estúdio Interior Night composto por alguns veteranos da indústria dos videojogos. Os diálogos e as falas dos personagens elevam a qualidade de As Dusk Falls que sem isso seria um jogo banal. Infelizmente há algumas frases que nos aparecem na parte das escolhas em que é dúbia a intenção e o tom que vai o personagem usar para dizer aquilo. Uma simples frase pode mudar o humor dos assaltantes e seria importante ter mais certeza de algumas coisas que temos de dizer. Felizmente isto não acontece muitas vezes.

A nível de jogabilidade é do mais simples que existe. Há momentos em que é um autêntico point-and-click para escolhermos determinada opção e ocasionalmente tem alguns mini-jogos como carregar consecutivamente num botão, rodar os analógicos ou apontá-lo em determinada direção. É bastante fácil acertar em tudo, embora tenha falhado umas duas ou três ações pelo caminho. Essas falhas podem também ter consequências, por isso é preciso estar sempre alerta.

Uma das diferenças de As Dusk Falls para outros jogos do género é o facto de dar para jogar com vários jogadores. Confesso que quando soube disto fiquei bastante empolgado a pensar que cada jogador ia estar com um certo personagem, enquanto nós assumiamos outro, mas depois percebi que não era assim. O objetivo aqui é a história seguir a opção que mais jogadores escolherem. Também é um ponto de vista interessante, principalmente porque pode promover algum debate entre eles para justificar e ter vários pontos de vista sobre determinada temática. 

É possível jogar localmente com quatro comandos e mais um através do telemóvel, online com os vossos amigos ou até com o vosso chat se estiverem a transmitir o jogo na plataforma Twich por exemplo. Esta opção vai permitir que seja o vosso chat a escolher as opções a seguir. Interessante este tipo de interação permitida.

O jogo além do seu bom enredo e história é daqueles que vicia e não se consegue parar de jogar até saber o que se vai passar. Demora cerca de seis horas a terminar a primeira vez, mas podemos explorar os seis capítulos novamente até para ver as outras escolhas que não fizemos, nas quais até descobrimos mais segredos dos diversos personagens. 

É difícil pensar em algumas das histórias que ali se passam sem fazer uma ligação com a realidade. Tal como me aconteceu em 12 Minutes, este é um jogo que faz refletir sobre algumas atitudes ou julgamentos que tomamos sobre alguém sem saber muitas vezes o que está do outro lado. Desde o seu estado emocional atual até ao seu histórico de acontecimentos ao longo da vida. 

As Dusk Falls conta-nos uma excelente história dramática que nos agarra com unhas e dentes até sabermos o que vai acontecer a quem. Puxa para cima da mesa temas complicados como segredos familiares e infâncias menos boas e coloca-nos a pensar sobre algumas decisões que tomamos em casos extremos. Recomendo a todos os que gostam de uma história cativante e imprevisível e a todos os que têm Game Pass, uma vez que o jogo faz parte do serviço. Aposto que não se vão arrepender, mas tal como no jogo, a escolha é vossa.

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