Developer: Acme Gamestudio, tinyBuild
Plataforma: PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series
Data de Lançamento: 8 de Outubro de 2022

Goste-se, ou não, de títulos do estilo soulslike, é inegável o impacto que teve nos videojogos nos últimos dez anos. Não só isso, como fez evoluir igualmente o combate dos RPG’s para um nível de imersão nunca antes visto. Ainda hoje tem uma enorme influência quando um estúdio está a idealizar a jogabilidade de jogos pertencentes a este género, sendo a primeira referência nessa linha.

Desenvolvido pelo Acme Gamestudio e distribuído pela tinyBuild, este ARPG aproveita diversos elementos e características que fizeram sucesso noutros jogos bastante populares e entregar a sua própria experiência. Não sendo um soulslike no seu sentido mais conservador, reproduz, ainda assim, as principais dinâmicas de combate que obrigam o jogador a aplicar-se e entender os diferentes momentos de resposta. E, adicionalmente, dá-lhe um gameplay de acção que tornam tudo mais fluído e apelativo a todos os tipos de público.

São várias as familiaridades que podemos encontrar em Asterigos: Curse of the Stars. Seja no aspecto visual de Kena: Bridge of Spirits e Immortals: Fenyx Rising, ou em algumas das mecânicas de combate da série Dark Souls, não faltam ideias que resultaram noutros casos e foram aqui aproveitadas para criar um jogo que sabe convencer à sua maneira. Em cima disso, uma forte e bem construída narrativa, que se inspira nas sempre fascinantes mitologias grega e romana, oferecendo uma inevitável atmosfera de magia e misticismo.

Em Asterigos: Curse of the Stars iremos conhecer a história de Hilda, uma jovem guerreira da Northwind Legion que parte na missão de desvendar o que aconteceu ao seu pai que entretanto desapareceu. Esta jornada leva-nos até à cidade amaldiçoada de Aphes, para descobrir que o seu pai e os seus camaradas de armas estão detidos por um poderoso e misterioso governante. Cabe agora à protagonista salvar o dia, e libertar os seus conterrâneos e a cidade no processo, no entanto, não estará sozinha, porque terá a preciosa ajuda de entidades míticas como Minerva e Bion que a irão conduzir nesta luta contra o mal.

Publicidade - Continue a ler a seguir

A narrativa desenrola-se nos moldes habituais de uma aventura que colocará os jogadores perante dilemas morais, o que nos levará a tomar decisões que terão consequências na história. Não é certamente a parte que mais irá agarrar os jogadores, visto que a história foi criada apenas para que a jogabilidade pudesse fazer algum sentido do ponto de vista de um encadeamento narrativo. No entanto, funciona minimamente, e serve para iremos mantendo algum interesse sobre o que irá acontecer mais à frente.

Falando com os NPC’s vamos aprendendo um pouco mais sobre certos detalhes da história, assim como algum do lore disponível, portanto, é sempre um bónus para quem busca uma maior profundidade contextual. Os diálogos podem não ser os mais cativantes, mas não deixam de proporcionar informações e curiosidades sobre os traços da imensa cidade de Aphes. É contudo, importante do ponto de vista da exploração, uma vez que nos incita a investigar os locais mais escondidos.

Contudo, é quando Asterigos: Curse of the Stars entra no espectro da jogabilidade, que mostra todo o seu potencial. É impressionante como um estúdio independente conseguiu acertar onde muitas vezes outros com uma maior capacidade de investimento tantas vezes falham. Mantendo a dificuldade de um estilo inspirado no género soulslike soube ser acessível, adicionando ingredientes que normalmente vemos nos hack n’ slash, de maneira a não ser tão imperdoável como noutros exemplos.

Paga-nos o café hoje!

É, se calhar, até a forma mais amigável de sermos apresentados a este tipo de jogos, já que propicia opções e alternativas para que possamos descobrir o nosso próprio ritmo sem a frustração habitual que um iniciante num soulslike frequentemente sente. E a principal razão para isso é sem dúvida a variedade. A flexibilidade de opções não se esgota apenas nas armas, porque temos ainda os elementos como o gelo e fogo que serão essenciais contra as fraquezas de determinados inimigos. Embora não seja nada de novo, encaixa na perfeição neste sistema de combate, tornando tudo muito mais excitante.

Como armas temos a sword, os daggers, a spear, a staff, o battle hammer, e mesmo as bracelets e o shield podem ser usados como tal. Todas fazem parte do arsenal da protagonista, propiciam diferentes vantagens, e podem ser melhoradas cada vez que subimos de nível, desbloqueando novos golpes especiais na skill tree. Os pontos de talento servem precisamente para isso, já que será desse modo que vamos estilizando a nossa abordagem, moldando uma build à forma como nos sentimos mais confortáveis a combater, e nos combos que mais gostamos de efectuar.

Podemos ir mudando entre duas armas consoante as circunstâncias, sendo que cada uma tem dois tipos de ataques. A plasticidade da skill tree pode não ser muito extensa, mas é eficaz no seu propósito, e dá liberdade ao jogador para experimentar à vontade, já que podemos alterar as escolhas quando quisermos. Deste modo não ficamos presos a más decisões que são comuns nos principiantes, e podemos explorar as mecânicas de combate sem pressões.

As animações e os efeitos dos ataques, assim como o controlo que temos das armas são espetaculares e fazem com que sintamos o impulso de evoluir cada vez mais a nossa personagem. É um jogo que oferece uma óptima sensação de poder à medida que vamos progredindo, e uma vez dominada a sua lógica dos timings, consegue promover confrontos verdadeiramente extraordinários, causando inveja a muitos ARPG’s. Este é um aspecto viciante do jogo, e só por isso já vale a pena.

É um jogo que encoraja imenso o leveling, dado que o desafio será considerável e convém estarmos preparados. A variedade de inimigos não é alta, mas cada um coloca problemas diferentes que pedem estratégias alternativas, principalmente quando nos atacam em grupo. Nesse sentido, é necessária alguma paciência e algum conhecimento de quem estamos a defrontar, em especial quando nos deparamos com os bosses, que são uma dor de cabeça constante. A boa notícia é que temos três níveis de dificuldade, portanto, podemos regular o quanto queremos ser castigados.

Aphes é uma região vasta e que convida a ser descoberta. Muitos dos seus tesouros estão escondidos, levando a que olhemos bem para o que está ao nosso redor para que possamos encontrar atalhos e outras recompensas. É na realidade uma parte fundamental do jogo, devido ao seu contexto de fantasia e aventura que nos impele a sabermos mais sobre este universo, mas também porque quanto mais Hilda se for fortalecendo, mais estará à altura de quem tiver de enfrentar.

Ajuda que graficamente seja um jogo com um estilo artístico muito bem conseguido. Num conceito que aponta mais à animação do que ao realismo, há que dizer que foi muitíssimo bem executado, trazendo entusiasmo à jogabilidade. A atmosfera mágica de Aphes é alcançada muito graças à arquitectura característica da Grécia antiga, acrescentando um precioso mistério à experiência. A qualidade musical é igualmente fantástica, assim como os efeitos sonoros, sempre essenciais num combate com tanta acção.

Asterigos: Curse of the Stars pode não ser um soulslike de raiz, mas a sua influência assenta que nem uma luva nesta orientação ARPG. Uma história interessante, um sistema de progressão competente e um combate excelente fazem deste título do Acme Gamestudio uma grande opção para quem se quer iniciar no género.