Developer: Team Asobi
Plataforma: PS5
Data de Lançamento: 12 de novembro de 2020

Podemos dizer que esta é a primeira análise de um jogo PlayStation 5. É este jogo que vem já incorporado na nova máquina da Sony e será também um excelente princípio para a aventura desta nova geração. E que belo exemplo dá este Astro’s Playroom, mais do que apenas a capacidade gráfica ou capacidade nos tempos de loading é uma magnífica demonstração daquilo que será o “uau factor” ao embarcarem na nova geração da Sony, e estou a falar do comando DualSense.

Já tínhamos tido a oportunidade de experimentar um dos níveis do jogo, a convite da PlayStation Portugal, mas há muito mais para descobrir e ficar surpreendido ao jogar Astro’s Playroom.

Sentir é a palavra de ordem desta experiência do Astro’s Playroom e do comando DualSense, de facto, falar é uma coisa, mas ver e sentir é outra. Este novo comando da PlayStation deixou-nos mesmo surpreendidos. Ergonomicamente estamos a falar de um comando com as bases para as mãos maiores, o que faz com o grip seja mais intenso e natural, os materiais anti-aderentes, para pessoas que suam muito das mãos, como eu, também é um “plus”, especialmente nos grips das mãos como referenciava.

Os botões direcionais e os tradicionais botões de acção PlayStation, são translúcidos, mas mais do que isso são mais robustos e sentimos um efetivo clique quando os pressionamos. Os R1 e L1 receberam um acabamento menos plástico e mais robusto também, com o material mais rugoso para maior sensibilidade.

Sensibilidade é outra das palavras que vamos referir muito na interação que tivemos com este comando, comecemos pelos gatilhos, o L2 e R2, uau!!! Vai ser difícil explicar por palavras, porque não estamos a falar de gatilhos de pressão como os outros, não estamos a falar de gatilhos cuja pressão pode ser determinada via app, como um Razer Raiju Ultimate, ou em que temos um botão para definir a volumetria da pressão efetuada, nada disso.

Estamos a falar de gatilhos que são autónomos, isto é, o jogo e a consola determinam que graus de pressão podemos efetuar e em que níveis. Imaginem, e este é um dos exemplos de demonstração do Astro, se pressionarmos os gatilhos como se de um jetpack se tratasse, sentimos que estamos a dar gás, como se tivéssemos a acelerar numa moto, mas depois existe uma pressão adicional, como se um outro clique para ativar o jetpack e lançá-lo no ar. Estou a fazer-me entender?!

Realmente é difícil porque nunca tinha visto nada assim, isto é, nunca tinha sentido nada assim. Sentir que o comando me permite sentir por vontade própria os engenhos que estou a utilizar, como a força de uma mola, a intensidade com que a estou a pressionar, é de um ponto de fidelidade real. Há partes em que no Astro vestimos uma roupa e nos transformamos numa espécie de mola, onde a movimentação é feita apenas por saltos, pressionamos o gatilho para colocar pressão na mola para ao largar fazer um salto, lei da física “one on one”, mas estivemos sempre habituados a que isso acontecesse meio na nossa cabeça a perceber a mecânica de como o fazíamos no comando, e agora sentimos isso a acontecer no comando, o que é incrível, de facto.

Num dos exemplos de demonstração do Astro Playroom, sentimos as personagens a entrar dentro do comando e conforme movemos o DualSense, sentimos o peso dessas personagens a oscilar perante o comando, isto é, sentimos os tais motores a emular o sentimento de peso, de movimentação interna de peças dentro do comando. E de facto, isso abre a porta a muitas possibilidades, se vimos isso a acontecer na Nintendo Switch, certamente veremos isso a acontecer na PS5, onde o impacto pode ser reproduzido em partes do comando, um soco pode ser sentido no lado direito apenas do comando, o embate num rail pode ser sentido apenas no lado esquerdo, e isso faz com que a imersão no jogo seja muito maior.

Mas falemos então daquilo que Astro Playroom oferece, em grande parte já explicámos o seu propósito, perceber, entender e demonstrar as capacidades do DualSense, mas também da consola. Já podemos ver traços dos gráficos que podemos esperar, com os reflexos nas superfícies de um nível a roçar a perfeição e com o movimento da água, por exemplo, a serem super fluídos. Os loadings são instantâneos, mesmo quando perdemos a vida, o regressar ao chekpoint é imediato, para além de quando abrimos uma nova zona do mapa não existe qualquer tempo de espera.

O jogo divide-se em 4 mundos, cada um deles com 4 partes, e no final temos um nível bónus ou de endgame que vai ser totalmente dedicado à PlayStation 5. Cada um dos mundos demonstra uma, ou mais capacidades do comando DualSense. Já referimos aqui os gatilhos enquanto molas numa das transformações de Astro, ou o soprar para o microfrone para fazer girar pequeno moinhos em determinadas ações, mas há mais, por exemplo o transformarmo-nos numa espécie de macaco mecânico para mais uma vez demonstrar a sensibilidade dos gatilhos hápticos, coordenando os movimentos dos braços para nos agarrarmos a pequenas saliências rochosas para escalarmos. Noutro mundo temos a oportunidade de nos transformamos em uma bola, onde vamos utilizar o touch pad para controlar a mesma, e noutro voltamos a testar os gatilhos quando estamos numa espécie de mini-foguetão e temos de controlar os dois propulsores com destreza e perícia.

No entanto esses não os únicos momentos em que estamos constantemente a ser surpreendidos pelo DualSense, em cada passo de Astro sentimos o seu andar, seja em superfícies metálicas, de gelo, na lama, existe sempre uma sensação adjacente em cada traço do percurso de Astro. Acompanhado pelos inúmeros sons que o speaker do comando produz, existe um grau de imersão que nunca tinha visto com um comando.

Em cada uma das 4 partes dos 4 mundos correspondentes a cada uma das PlayStation’s, temos 4 peças de um mural para tentar apanhar e dois artefactos. As peças servem para criar um mural de celebração de mais de 25 anos da PlayStation, e os artefactos são as próprias consolas as portáteis ou até mesmo comandos, acessórios ou periféricos que foram lançados pela Sony. Tudo isto se junta naquilo a que é chamado o Laboratório, onde vamos poder interagir com cada um dos artefactos, para além de podermos ainda ir povoando a área com outros pequenos Astro’s a interagir com outros tantos pormenores do trajeto da marca. Vamos ainda pelo caminho destes 4 mundos adquirindo moedas, para utilizar numa máquina de apanhar bolas, para ir desbloqueando mais peças tanto do puzzle como dos artefactos para este Laboratório.

O jogo em si, é uma pequena Ode à PlayStation que facilmente vemos retratado pela conquista de artefactos ao longo dos níveis, mas também das várias personagens dos vários exclusivos da Sony, que surgem no meio do mapa, arrancando sempre aquele sorriso ou uma gargalhada da interação com eles. O jogo tem ainda corridas, speedruns para fazermos para termos mais algo a fazer depois de completar o jogo, sendo que a repetição dos níveis passa muito pela tentativa de encontrar todos os artefactos e as peças do puzzle do mural, o que nos vai render mais umas horitas de jogo. Se não forem tão colecionistas como nós, diria que por volta de umas 10 horas de jogo, se forem colecionadores por volta de umas 16 horas de jogo.

Astro’s Playroom é uma carta de amor à PlayStation e uma demonstração inequívoca daquilo que o DualSense oferece a todos os developers de hoje para o futuro, depois disto, diria que só poderiam ser “tolos” se não aproveitarem o potencial deste comando para dar um salto na capacidade de imersão a jogar um jogo.