Finalmente metemos as mãos na nova consola portátil da ASUS, em parceria com a Xbox. Sim, estamos a falar da Asus ROG Xbox Ally X.

A versão mais poderosa desta parceria é apresentada como um handheld Windows de alta performance, equipado com hardware AMD de última geração da série Z. A ASUS disponibiliza configurações até 24 GB de RAM LPDDR5X e 1 TB de SSD M.2, sendo que este modelo mais recente, a Ally X, utiliza o processador AMD Ryzen AI Z2 Extreme e uma bateria de maior capacidade, com 80 Wh. Mas será que esta máquina entrega realmente a experiência prometida? Será que estamos perante uma verdadeira Xbox portátil? É isso que vamos tentar perceber.

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Como é habitual, começamos por analisar aquilo que esta consola oferece no papel, antes de entrarmos na experiência prática de utilização.

SISTEMA OPERATIVO E INTERFACE

A Asus ROG Xbox Ally X utiliza o Windows 11 Home, com dois modos distintos: um modo desktop tradicional e um modo Xbox optimizado, pensado para aproximar a experiência de uma consola. Em teoria, esta abordagem faz sentido, mas na prática as constantes mensagens do sistema, erros e actualizações acabam por dificultar o processo.

Após a configuração inicial — muito semelhante à de um PC — somos confrontados com múltiplas actualizações do Windows, das aplicações instaladas e dos próprios perfis de desempenho, muitas vezes acompanhadas de pedidos para reiniciar o sistema. Só depois de um processo longo é que a consola começa a assemelhar-se a uma experiência mais próxima de uma consola tradicional.

Mesmo assim, o ambiente continua a denunciar a sua base em Windows: fundos dinâmicos típicos do sistema operativo, autenticação por impressão digital ou PIN, e uma interface que, apesar de poder arrancar directamente no modo Xbox, nunca esconde totalmente o facto de estarmos perante um PC portátil.

HARDWARE E ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

Um dos grandes argumentos da Ally X é o seu hardware. O AMD Ryzen AI Z2 Extreme opera a 2.0 GHz, com 8 núcleos e 16 threads, incluindo NPU integrada nas variantes AI. Trata-se do CPU mais poderoso alguma vez integrado numa ROG Ally, pensado para sustentar jogos AAA em condições exigentes.

A GPU integrada AMD Radeon RDNA 3.5 permite tirar partido de tecnologias como FSR, Radeon Super Resolution e AMD Fluid Motion Frames, essenciais para manter taxas de fotogramas estáveis através de upscaling e suavização de frames.

A acompanhar este conjunto estão 24 GB de RAM LPDDR5X e um SSD NVMe de 1 TB, que ajudam a evitar engasgos de memória e garantem carregamentos rápidos, mesmo em jogos com texturas pesadas.

O ecrã é um painel de 7 polegadas, resolução 1080p, taxa de actualização de 120 Hz e brilho máximo de 500 nits. A bateria de 80 Wh representa um salto significativo face ao modelo anterior. A consola não inclui carregador na caixa, uma decisão justificada por questões ambientais, embora isso implique um custo adicional para quem não tiver um carregador compatível.

ERGONOMIA E CONSTRUÇÃO

Apesar de aparentar ser volumosa, a Ally X é mais pequena do que a PlayStation Portal, embora seja maior do que a Nintendo Switch, muito por culpa das pegas laterais. O peso situa-se nos 678 gramas, acima da Steam Deck OLED e bem acima da Switch ou Portal.

Em termos de controlos, os analógicos são assimétricos, com um D-Pad circular e botões dedicados ao Armory Crate e Xbox no lado esquerdo, enquanto o lado direito inclui os botões de menu e os tradicionais X, Y, A e B. Os gatilhos e shoulder buttons são grandes, confortáveis e com boa margem de pressão, complementados por botões traseiros bem posicionados.

A consola é confortável para sessões de uma a duas horas, sendo recomendável apoiar os braços em utilizações mais longas. O sistema de refrigeração é silencioso e eficaz: não sentimos aquecimento excessivo, apenas o fluxo de ar nas zonas de ventilação.

O ecrã ligeiramente inclinado melhora o conforto visual e ajuda a reduzir reflexos em ambientes luminosos. Os sticks utilizam potenciómetros tradicionais, o que levanta preocupações sobre possível drift a longo prazo, embora a ASUS garanta facilidade de substituição no futuro.

DESEMPENHO E PERFIS DE JOGO

O Armory Crate é o centro de controlo da Ally X, permitindo ajustar TDP, perfis de desempenho, alocação de VRAM e definições específicas por jogo. Existem perfis pré-definidos — Silencioso, Desempenho, Turbo e Windows — que facilitam a gestão entre performance e autonomia, sendo o modo manual mais indicado para utilizadores experientes.

É também aqui que se activam opções gráficas avançadas como Radeon Super Resolution, AMD Fluid Motion Frames, Anti-Lag, Boost e limites de FPS.

A aplicação da Xbox em modo full screen é um dos pontos fortes, oferecendo acesso aos jogos Play Anywhere, Game Pass, cloud gaming, loja e funcionalidades sociais. A integração das bibliotecas da Steam, Epic, GOG e outras num único interface é um ponto claramente positivo.

COMPATIBILIDADE E LIMITAÇÕES

Um dos aspectos mais frustrantes é a limitação dos jogos comprados na Xbox que não fazem parte do programa Play It Anywhere. Mesmo sendo títulos adquiridos digitalmente, não podem ser jogados na Ally X, o que é difícil de justificar numa consola com a marca Xbox.

EXPERIÊNCIA EM JOGOS

Nos testes práticos, a experiência varia consoante o jogo. Arc Raiders corre de forma funcional, mas com limitações visuais evidentes, como texturas pouco detalhadas e problemas de iluminação. Já títulos mais bem optimizados, como Destiny, demonstram todo o potencial da consola, oferecendo uma experiência fluida e visualmente sólida.

O mesmo acontece com Ghost of Tsushima Director’s Cut, onde a riqueza visual, fluidez das animações e estabilidade do frame rate impressionam, beneficiando também do facto de ser um jogo bem adaptado a plataformas portáteis.

Em jogos menos exigentes, como Symphonia, é possível reduzir o consumo energético sem comprometer a qualidade. Mesmo em títulos mais frenéticos, como Ninja Gaiden 4, a Ally X mantém um desempenho consistente.

Nem tudo corre de forma exemplar: Forza Horizon 5 revelou dificuldades em manter estabilidade em definições mais altas, e surgiram problemas de compatibilidade e reconhecimento de licenças em títulos como Call of Duty Black Ops 7, mesmo com subscrição Game Pass Ultimate.

AUTONOMIA

A bateria de 80 Wh é uma das grandes melhorias face ao modelo anterior. Em modo silencioso, com jogos leves, pode atingir cerca de 5 horas; em modo desempenho ronda as 3 horas; e em modo Turbo, com jogos AAA, situa-se entre 2 e 2,5 horas.

CONCLUSÃO

A Asus ROG Xbox Ally X apresenta melhorias claras em autonomia, ergonomia e desempenho, oferecendo um ecrã premium, refrigeração eficiente e uma integração sólida das várias bibliotecas de jogos.

No entanto, o facto de ser uma consola totalmente baseada em Windows torna a experiência frustrante para quem procura simplicidade e instantaneidade. Instalações longas, actualizações constantes, pop-ups, launchers e comportamentos típicos de PC quebram a ilusão de uma consola portátil tradicional.

A Ally X tem poder, capacidade, ergonomia e estilo, mas comporta-se mais como um PC gaming portátil do que como uma verdadeira consola. Para utilizadores habituados ao ecossistema PC, é uma proposta forte; para quem procura apenas ligar e jogar, fica aquém do ideal.

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Pedro Moreira Dias
Fundador do Site - Salão de Jogos, o Commodore Amiga 500 foi o seu melhor amigo durante décadas e ainda hoje sabe de cor a equipa principal do Benfica do Sensible Soccer 94/95. Nos tempos vagos ainda edita as botas dos jogadores do FIFA e do PES.