Developer: Gust, KOEI TECMO
Plataforma: PlayStation 5, PlayStation 4, Nintendo Switch e PC
Data de Lançamento: 29 de Janeiro 2021

O JRPG Atelier Ryza, está de regresso para uma segunda aventura que vai seguir os acontecimentos do primeiro jogo Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout, lançado em 2019 e que teve grande sucesso perante os jogadores mais dedicados à franquia “Atelier” que já cá anda desde finais dos anos 90. Ao longo dos anos e com alguns jogos pelo meio, foi através de uma renovada equipa que surgiu uma nova aventura em torno de uma das personagens da série, Ryza.

Nesse primeiro jogo, Ryza  e os seus amigos, prestes a entrar na idade adulta, procuram descobrir o que é melhor para eles e a história anda muito à volta disso, da procura de um rumo para a vida futura. Uma espécie de escolha, que se virmos bem, acontece a qualquer jovem na vida real. É três anos depois do final do primeiro jogo que começa a narrativa de Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy. Ryza passou estes últimos anos a aprender mais sobre alquimia, que é uma das suas grandes paixões. Mesmo assim, parece mais estagnada na pequena ilha de Kurken Island, enquanto a maior parte dos seus amigos foram viver para longe e para outras localidades maiores. 

Em busca de um novo desafio, a carismática Ryza encontra um residente local que lhe pede para investigar uma espécie de Pedra Filosofal que está guardada na sua família há muitas gerações. É este o ponto de partida para dar à personagem um novo rumo, fazer novos conhecimentos, reencontrar velhos amigos e claro, descobrir mais sobre a tal Pedra misteriosa.

Ryza parte então para a Royal Capital, Ashra-am Baird para investigar e vai naturalmente perceber que uma cidade maior, envolve novos desafios, entre eles, a investigação dos mistérios das ruínas que rodeiam a Royal Capital. Isto tudo incorporado eleva a narrativa de Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy que mistura as missões de história com as coisas banais de uma vida diária. Entre fazer contas para gastar dinheiro aqui ou ali, como mestre na arte da alquimia, é óbvio que vamos ter de combinar itens, uns que compramos e outros que encontramos nas buscas que fazemos às ruínas.

A exploração é um dos pontos fortes do jogo. Entre fragmentos e materiais alquímicos, as nossas expedições e explorações servem para descobrir o que se passou naquela região, isto se encontrarmos os fragmentos certos. Nessas buscas por segredos também vamos ter de lutar contra inimigos e é aqui que entra outra das grandes bases de Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy, os combates. 

O sistema de combate deste tipo de jogos costuma ser ou por turnos ou em tempo real, mas com um determinado período de espera específico entre cada ataque que podemos utilizar. Atelier Ryza 2 mistura um pouco dos dois e o resultado não podia ser mais satisfatório. O sistema é bastante intuitivo e fluido e usa a base dos turnos, mas que nos mantém atentos o combate todo. Basicamente existe uma barra de progresso entre os personagens que estão do nosso lado do combate e durante esse tempo específico, temos liberdade para efetuar os nossos ataques. Durante esse tempo até podem não atacar, mas é necessário estar atento para defender uma investida dos nossos inimigos no momento certo. Se não carregarmos no botão na altura certa, somos atacados e ficamos vulneráveis a mais ataques por parte do adversário. 

O sistema já era assim no primeiro jogo da série, mas esta nova versão dá-nos ainda mais criatividade, isto porque podemos combinar ataques e fazer dois de uma só vez. Só conseguem fazer este combo com uma espécie de Alchemy Power (AP) que vamos ganhando ao longo do combate. Esta foi a parte que gostei mais, os combates são desafiantes e divertidos e ainda nos dá a possibilidade de trocar de personagem. Se tiverem no combate com Ryza e Tao por exemplo, um dos seus antigos amigos com quem vai muitas vezes em exploração, podemos jogar com os dois e caso consigam gerir a barra de progresso de combate da melhor forma, nunca param de combater nem têm tempos mortos. Esta barra vai passando entre os dois, um certo tempo para um e para o outro. É extremamente satisfatório quando conseguem fazer isto na perfeição. Podemos depois evoluir a personagem nos mais diversos aspetos com uma árvore de perícias bastante complexa e diversa.

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Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy tem muito por onde explorar. Mas apesar da cidade ser grande o suficiente para nos perdermos se não tivermos muito sentido de orientação, a verdade é que é demasiado estática. Há pouca vida e há, na grande maioria dos casos, personagens parados à espera que passemos por eles para falar. A nível visual o jogo cumpre as expectativas. Tem bastante cor e as texturas são bem definidas. É uma espécie de anime, mas não chega à qualidade de cutscene de Persona, por exemplo, mas também é difícil ser assim, tenho de o dizer. 

Outro dos problemas que o jogo tem são as falhas na câmera e de vez em quando dei por mim a pensar que aquilo ia entrar em modo first person porque quando fazemos um zoom, as imagens perdem profundidade e o próprio personagem às vezes desaparecia. Ainda assim, nada que não dê para ultrapassar e até acredito numa espécie de patch para corrigir o erro no futuro. Não acho que estes pequenos detalhes afetem a jogabilidade que este JRPG tem.

Já na parte sonora do jogo, é o costume de muitos destes jogos. Em jeito orquestral, as músicas vão surgindo e tocando, sempre pautando os momentos de jogo. Houve uma em particular que me lembrou Legend of Zelda e em alguns momentos, ainda que fugazmente, algo de Dragon Ball. Pela frente preparem umas boas 30/35 horas na história principal, mas se forem daqueles que gostam de fazer tudo, então têm um jogo ideal para tempos de confinamento e facilmente chegam às 60/70 horas. 

Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy é a confirmação que a franquia está bem viva e é capaz de se superar. Com uma boa narrativa e um sistema de combate altamente interessante, se forem fãs de JRPGs não percam a oportunidade de rever velhos amigos e de jogar com Ryza novamente, enquanto usam os poderes alquímicos que a carismática personagem tem para mostrar.