Developer: Ultimate Games
Plataforma: Xbox One, , PC e Nintendo Switch
Data de Lançamento: 20 de Abril de 2021

Não se pode dizer que seja um género em vias de extinção, mas os jogos point-and-click são cada vez mais raros. É um estilo que existe desde que os videojogos se começaram a tornar mais complexos e exigiam contextos mais específicos para entregar as melhores experiências narrativas da altura.

Nunca tiveram uma época dominante, ainda assim, criaram vários clássicos, especialmente na década de 90, como The Secret of Monkey Island, a saga Broken Sword e Grim Fandango. É um tipo de jogo versátil no sentido de poder ser trabalhado para oferecer qualquer história, bastando que seja criado o cenário gráfico ideal.

Bad Dream: Coma é um bom exemplo, especialmente quando olhamos para a proposta. As obras de terror na sua generalidade têm vários segmentos e nem sempre são concretos. Na verdade, o melhor suspense até costuma ser discreto e o título constrói toda a atmosfera na premissa da inquietação.

É um jogo que, sobretudo, tenta transmitir a angústia inerente de quando somos controlados por circunstâncias nebulosas e assustadoras; seja através do conceito artístico sombrio e minimalista, ou de charadas realmente sinistras e por vezes macabras.

Desenvolvido e lançado inicialmente em 2017 pelo estúdio Desert Fox no PC, teve posteriormente uma versão para a Nintendo Switch em 2019, e agora, por intermédio, da Ultimate Games chega finalmente à Xbox One.

A história divide-se por diversos capítulos e não se dá a descobrir facilmente. A confusão faz parte da experiência, o que ajuda a causar uma inevitável sensação de aflição enquanto tentamos entender o enredo e os quebra-cabeças.

Tal como o nome sugere, ver-nos-emos presos num sonho do qual não conseguimos acordar. Ou melhor, acordar será o propósito do jogo, no entanto, e como devem imaginar, será tudo menos simples. Todos sabemos como os pesadelos conspiram contra a nossa lucidez e influenciam a percepção que temos da realidade, e em Bad Dream: Coma fica logo patente de que o caminho será longo e tortuoso.

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 Tal como muitos outros point-and-click, teremos de interagir com um cenário estático, cujos objectos espalhados escondem a solução para conseguirmos progredir. Os puzzles não são propriamente fáceis, mas foram criados de uma maneira lógica, e consistem em combinar os objectos que vamos recolhendo.

Será necessário um razoável poder de observação. Nem tudo se apresenta de forma evidente, nomeadamente os itens que são fundamentais para avançar. Normalmente, tudo o que encontramos nos cenários têm a sua importância, seja na resolução dos enigmas, ou nas pistas que vão compondo a narrativa.

Existem três finais possíveis (um bom, um neutro e um mau) e influenciados pelo karma das nossas decisões quando correspondemos os objectos aos intervenientes certos. É um aspecto do jogo bastante intrigante que permite inclusivamente que o jogador o perceba como seu subconsciente funciona, descobrindo um pouco mais sobre si.

Graficamente está muito interessante. Não é algo que deslumbre, mas coloca o jogador exactamente onde quer – num ambiente tenebroso, lúgubre e funesto. Ou não estivéssemos a falar de uma experiência onírica, da qual só desejamos escapar a qualquer custo.

A simplicidade dos cenários desenhados à mão, de imagens desconcertantes, e construídos sobre cores pálidas provocam um constante sentimento de desconforto. Sensação essa que se intensifica por meio de sons discretos e por vezes imperceptíveis de algo assustador que nos espera ao longe.

Bad Dream: Coma não será certamente para todos. E, provavelmente, não entrará no lote de maiores clássicos dos point-and-clink. Contudo, é uma óptima opção dada a raridade de novos jogos deste género e especialmente para quem aprecia um bom terror psicológico.

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