Developer: Arzest e Balan Company
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, PC, Nintendo Switch
Data de Lançamento: 26 de março de 2021

A primeira vez que vi Balan Wonderworld devo confessar que fiquei encantado com o que poderia estar a chegar. Sabendo que quem estava por trás desta obra eram os criadores Yuki Naka e Naoto Ohshima, o que poderia estar para chegar deveria ser algo grandioso e que marcaria provavelmente muitos jogadores.

Para quem não entende a razão do entusiasmo com estes criadores é fácil explicar:

Yuki Naka foi “apenas” o criador de Sonic the Hedgehog, Nights into Dreams, entre outros grandes títulos. Já Naoto Ohshima é um designer de personagens que tem no seu currículo a criação de Sonic e Dr.Eggman (Dr Robotnik), assim como foi produtor e supervisor de jogos como Mario & Sonic at the Rio 2016 Olympic Games, Hey! Pikmin, entre outros.

Como é fácil de perceber pelo currículo destes dois senhores, Balan Wonderworld tinha tudo para ser uma enorme caixinha de surpresas e um jogo diferente do que estamos habituados a ver, já que são dois gigantes desta indústria. Infelizmente, isso não se verificou, e muito se deve ao jogo não ter sido muito bem recebido pelos jogadores mais jovens habituados a uma jogabilidade mais moderna do que aquela que o jogo nos proporciona.

Balan Wonderworld é um jogo de plataformas em 3D que oferece aos jogadores 12 contos totalmente diferentes, mas muito relacionados com os sentimentos humanos. Cada conto estará relacionado com sentimentos, como o medo, tristeza, desmotivação, amor, entre muitos outros. Os contos são simples, mas oferecem sempre uma pequena moral ou um desfecho bonito e inspirador. Sem querer desvendar o que vão encontrar, o primeiro conto, por exemplo, mostra-nos como Jose Gallard, um agricultor com uma maravilhosa quinta cheia de plantações, se encontra desesperado depois de uma tempestade se abater sobre as suas colheitas. É ao finalizarmos o Acto 1, o Acto 2 e o Boss desse conto que damos uma pequena esperança a Jose Gallard, para continuar a sua luta por voltar a colocar a sua quinta como sempre foi.

Os 12 contos são todos eles inspirados nos sentimentos humanos, mas também numa espécie de teatro musical, que na maioria das vezes, além de muita música, oferece aos seus espectadores muita dança e cor. Além disso, Yuki Naka e Naoto Ohshima são fãs incondicionais do País das Maravilhas, o mundo incrível e bizarro da história de Lewis Carroll, com o livro As Aventuras de Alice no País das Maravilhas. Foi a partir de todas estas inspirações que começou a ser idealizado Balan Wonderworld, sendo que qualquer jogador, mesmo sem saber das inspirações dos criadores, facilmente se aperceberá disso.

Neste jogo, os protagonistas são Leo e Emma, duas crianças que ao verem um pequeno e estranho ser a andar pela cidade o seguem e entram num teatro onde se encontra Balan; que os leva para o mundo mágico onde eles terão de interagir com estes 12 contos. É raro os jogadores andarem muito tempo com Leo ou Emma na sua forma habitual, isto porque ao longo dos 12 contos teremos mais de 80 fatos, em que cada um nos dará uma habilidade diferente. Quando eu falo de 12 contos, não pensem em 12 níveis, uma vez que cada conto tem vários actos diferentes e que culminam sempre numa luta contra um boss. Essas batalhas raramente são complicadas, principalmente se perceberem rapidamente o que têm de fazer para lhes infligir dano.

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Embora existam todos estes fatos, não pensem que o jogo é complicado, até porque é exactamente o oposto. A jogabilidade é bastante simples, onde os movimentos serão efectuados pelo analógico esquerdo, a câmera do jogo é movida pelo analógico direito, e os restantes botões fazem todos o mesmo, isto é, fazem a habilidade do fato que temos vestido – ou no caso de Leo e Emma estarem sem facto, apenas servem para saltar. É importante ter em atenção que os jogadores mais novos podem achar a jogabilidade um pouco estranha, isso acontece porque nos transporta para o que era habitual em alguns jogos de plataformas 3D, há cerca de uns 15 ou 20 anos.

Devo confessar que algo que me desanimou um pouco foi o facto de não ser possível completar os actos a 100% quando os jogamos pela primeira vez. Isso acontece porque cada acto dará aos jogadores cerca de 3 a 4 fatos, e estes não chegam para explorar todos os locais escondidos dos actos. Será necessário terem guardados fatos de outros actos para conseguirem chegar a certos locais, o que obriga o jogador – no mínimo – a repetir os actos duas vezes, de maneira a fazerem o 100% de cada acto. Para além disso, para avançarem nos contos, precisam de umas estatuetas de Balan que se encontram espalhadas pelos actos, e, novamente, muitas vezes terão de repetir os níveis para conseguirem o número necessário para avançarem no jogo. Isto gera uma sensação estranha, porque se por um lado até é engraçado esta ideia de guardar fatos para os ir usando noutros níveis, por vezes faz-nos andar a perder imenso tempo a pensar como chegamos a certo local, para finalmente compreendermos que é impossível, já que não adquirimos ainda o facto necessário.

Algo que devo confessar que me divertiu bastante foram os diversos minijogos que vamos encontrando dentro dos actos. Temos diversos; uns que serão jogados com Balan, outros que jogamos com Leo e Emma, e muitas vezes relacionados com desporto, como minijogos de baseball, futebol, entre outros. Isto leva o jogo a não ter sempre aquela componente de plataformas 3D, fazendo o jogador também interagir com o jogo doutra maneira, sem ser sempre a exploração, os saltos, e derrotar os bosses que vamos encontrando.

Embora o jogo até tenha mais pontos positivos do que negativos, existe algo que ficou muito aquém do esperado, que tem a ver com a possibilidade de jogar a dois jogadores. A primeira razão é não existir a possibilidade de jogar com um amigo online, sendo apenas possível jogar a dois jogadores localmente. Mas o pior de tudo tem a ver com o ecrã não se dividir, isto é, existe apenas uma única câmera para os dois jogadores, e quando o segundo jogador sai do ecrã perde-se por completo, já que o primeiro jogador será sempre o jogador central. Isto faz com que o segundo jogador seja um “apêndice”, e quase uma maneira de dizer que o jogo dá para dois jogadores, mas no final de contas não é exactamente isso que acontece.

Graficamente, Balan Wonderworld está simples, mas muito bonito, com muita cor, efeitos de água bastante bonitos, cenários bem trabalhados e todos eles bastante diferentes uns dos outros. Ainda assim, oferecem ao jogador uma sensação de alegria conforme vamos percebendo todos os pormenores. Além de tudo isso, existem as cutscenes que, embora pequenas, são todas elas de um brilhantismo enorme – cheias de detalhes e com uma qualidade gráfica que impressionam qualquer um. A componente sonora acompanha a qualidade gráfica, com uma excelente banda sonora, sendo um complemento primordial do jogo em questão.

Balan Wonderworld embora tenha o seu brilho, não é claramente um jogo para todos os jogadores. Agradará aos mais nostálgicos, e àqueles jogadores que gostam de explorar os cenários várias vezes. Tem uma jogabilidade bastante datada, o que por um lado poderá ser estranho, mas por outro oferece algo diferente do que a maioria dos jogos tem para dar aos jogadores. Já os fãs de Nights into Dreams certamente vão delirar com este jogo.

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