Developer: Duality, PlayWay S.A.
Plataformas: PC
Data de Lançamento: 15 de junho de 2020

A premissa de Barn Finders, como o nome indica, é descobrir tralha e depois vender. Claramente baseado numa série de reality shows que exploram este tipo de temáticas e pessoas, promete ser divertido e não demasiado sério à primeira vista, e cumpre.

Rapidamente somos submersos na Ameryka, um local muito parecido com os Estados Unidos, mas diferente, como diz o jogo. Uma diferenciação específica que dificilmente faz sentido, já que não causa qualquer impacto. A estética tem um quê de vintage e sujo, onde por exemplo, o nosso computador, onde recebemos os trabalhos, é um CRT que se liga com um zumbido. De resto é o que esperamos de um jogo deste tipo, com personagens desdentados, como o nosso tio, e um ar de interior dos Estados Unidos, onde os rednecks pululam que nem cogumelos em caves escuras.

Vivemos com o nosso tio Billy num anexo, e para ganhar dinheiro vamos à procura de objetos para vender. Há uma história solta e com ET’s à mistura que nos leva por ambientes e zonas de exploração bem construídas, cada vez mais disparatadas, mas que fazem parte da piada. Os discursos e emails estão todos escritos em mau inglês, piada que cansa rapidamente e damos por nós a passar toda a leitura à frente. Claro que, se não gostarem deste tipo de jogos, provavelmente não chegarão a mais que umas quatro zonas antes de desistirem.

Com o dinheiro que ganhamos podemos ir fazendo upgrades à loja onde vendemos as coisas que encontramos, mas pelos vistos, termos melhores paredes ou estantes não parece implicar que vendamos os objetos por mais dinheiro. A verdade é que sem ser os upgrades estéticos ou algum requisito para entrar numa nova área de exploração, o dinheiro não serve para muito. A piada do jogo está em descobrir os objetos nas áreas, ou partes deles para os montar e depois… é isto. A parte de vender é mais uma tarefa que temos de fazer, mais aborrecida e previsível, onde a cada certo tempo aparecem compradores que nos chateiam com um minijogo de regatear preços.

Podemos também comprar ferramentas e utensílios, como machados, pás e lanternas que nos ajudarão a descobrir mais itens escondidos. O machado, por exemplo, serve também para ganharmos peças de materiais que depois vamos usar para restaurar objetos partidos. Mas atenção, não façam como eu e desatem à machadada a tudo, já que alguns itens bem colocados podem ajudar a aceder a áreas menos óbvias, como telhados, onde talvez esteja lá o objeto que falta para terminar o nível a 100%. Como maior irritação, dei por mim a pensar porque é que alguma mobília é possível vender e outra não, já que por vezes armários e cómodas com ar decente fazem apenas parte do cenário.

Paga-nos o café hoje!

Além de áreas normais onde entramos e procuramos coisas, temos também alguns leilões, mas nada de extremamente desafiante. Apenas temos de possuir uma certa quantia ou uma lanterna, por exemplo. A simplicidade é a palavra-chave e fazer dinheiro é bastante fácil, portanto não entrem neste jogo à espera de um grande desafio, mas sim de passar um bom tempo. Podemos sempre regressar a antigas áreas de jogo porque há um ou dois objetos novos, mas só se gastarmos todo o dinheiro em coisas que não precisamos é que teremos de o fazer, já que é mais uma chatice voltar a passar um pente fino numa zona à qual já descobrimos os segredos.

Para quem se delicia com jogos como House Flipper, Car Mechanic ou Tank Mechanic Simulator não vai ficar desiludido já que é no mesmo estilo de gameplay mas a repetibilidade é escassa e a novidade gasta-se rapidamente. Para quem já experimentou coisas deste tipo e gosta de passar meia hora a olhar para todos os recantos de um mapa à procura de uma cadeira, como eu, vale a pena.