Developer: Dlala Studios / Rare Ltd.
Plataforma: Xbox One e PC
Data de Lançamento: 20 de Agosto de 2020

Ora todos nós gostamos de pizza e muitos de nós aprendemos a gostar de pizza com umas queridas tartarugas e o seu rato um pouco mais asqueroso. Sim, estou a falar das Tartarugas Ninja, mas não, não os estou a trocar ou algo parecido, há uma razão para tudo e até para estar a falar disso. A razão é simples, os Battletoads são os filhos das Tartaruga Ninja, mas daqueles filhos bastardos que geralmente os reis querem matar e coisas do género.

Não é difícil perceber as referências e as semelhanças entre ambos, até porque a bono da verdade histórica, os Battletoads nasceram 5 anos depois das Tartarugas Ninja, precisamente para combater esse fenómeno e até o franchise que se expandia também para o mundo dos videojogos, nomeadamente com a estreia nas arcadas em 1989, um ano depois na NES e posteriormente no Amiga ou na Atari.

O primeiro Battletoads, surgiria precisamente em 1991 nessa guerra titânica, entre rãs e tartarugas, onde os Toads foram aniquilados, ao ponto de apenas reaparecerem agora 26 anos depois. No entanto isso não quer dizer que perderam importância, até porque se tornou um jogo de culto, mas o seu surgimento até vem numa altura em que com tanta adaptação e readaptação, tentativas falhadas e carradas de desenhos animados, quase que já nem conseguimos encontrar aquelas velhinhas Tartarugas Ninja que víamos nos desenhos animados da Sic ou nos míticos dois filmes da década de 90.

E o Battletoads começa a ganhar logo com a capacidade de rir de si mesmo, de encontrarmos várias piadas sobre o seu desaparecimento por 26 anos, por serem sempre trocados por sapos em vez de rãs, de piadas subliminares com tartarugas, e com o humor muito mais negro e obscuro, do que a malta surfista e do skate, mas muito mais dos lasers e das transformações em tubarões.

A história, logo ao início, goza logo consigo mesma, depois de um pequeno tutorial onde ficamos com a leve sensação que estamos exatamente onde largámos o primeiro jogo, mas não…aquilo que verdadeiramente aconteceu é que ficamos retidos num bunker de simulação gráfica, onde estamos a viver uma vida que em nada corresponde à realidade. E a realidade torna-se muito dura para os Toads, é que os nossos amigos Rash, Zitz e Pimple, vão ter que arranjar emprego para sobreviver. Por isso Pimple passa a ser massagista, Zitz um informático e Rash continua a tentar vender a sua imagem a fazer presenças e a dar autógrafos. No entanto todos nós sabemos que os Toads não se aguentam nessa vidinha e portanto vão atrás da mesma inimiga de há 26 anos, a famosa Dark Queen, para tentar aniquilar os seus planos, sejam lá o que eles forem, e se os tiver, (que por acaso até não tem e os reais inimigos são os Topians, só para que saibam).

Este é o mote para Battletoads, o jogo para a Xbox One e Windows 10, que a Dlala Studios desenvolveu e que deu uma nova vida ao clássico das arcadas. Trabalhado em Unity, e demonstrando mais uma vez a capacidade desta ferramenta, a DLaLa e a Rare deram aos Toads todo o seu estilo, num beat’ me up refinado, com uma jogabilidade simples, intuitiva e que incita ao combos e à diversão com os amigos, isto porque podemos jogar com mais dois amigos em formato local (é uma pena que não dê em formato online).

Graficamente falando, estamos a falar num 3D emulado, no sentido em que a profundidade é assegurada em vários planos, e em que nos podemos movimentar nesses planos, muitas vezes utilizando a nossa língua para nos baloiçarmos de um lado para o outro. Com grafismos super coloridos, com cores berrantes, neon por todo o lado e movimento em cada um dos planos referidos. As cut-scenes são desenhos animados autênticos, um estilo que se estende na própria jogabilidade em si que não se fica apenas pelo batem up, visto que temos vários tipos de níveis e de jogabilidades que vamos desbravando ao longo da história.

Comecemos pelo mais básico, temos os tradicionais socos e pontapés estilizados diferentemente pelas 3 personagens que controlamos e depois temos um botão de um “ataque especial” que podemos ativar, mas o truque está nos combos, na combinação das teclas de ataques de forma a promover ataques especiais característicos de cada um. Por isso, o Pimple, o mais musculoso e forte, tem os ataques mais pesados e lentos, em combinação transformado-nos numa espécie de macaco e nos ataques aéreos os nossos punhos transformam-se em paredes ou bidés e cenas do género.

Rash, o nosso Toad estiloso é capaz de transformar a sua mão numa boca de peixe, transformar-se num tubarão nos ataques aéreos ou dar pézadas gigantes. Por fim Zitz, o toad tecnológico que dispara lasers, transforma-se em robô ou martelo pneumático, afinal de contas são rãs antropormórficas para alguma razão, não é?!

O jogo pede ainda mais que trabalhemos os combos com a possibilidade de trocar de personagens, em que a que surge desfere sempre um ataque ao chegar o que dá continuidade ao combo e podemos facilmente chegar aos 100 ou 200 ataques consecutivos destruindo tudo ao redor. Os botões direcionais funcionam para isso mesmo para trocar entre personagens, sendo que sempre que uma perda toda a sua barra de energia automaticamente é trocada por outra, de forma a que a eliminada recupere a sua vida e assim consecutivamente.

Esta fórmula só não funciona da mesma maneira nos “min-jogos”, que no fundo são níveis mas que têm uma jogabilidade diferente, como é o caso de conduzirmos as famosas Turbo Bikes onde temos que ultrapassar vários obstáculos. Aqui no fundo temos 3 vidas, uma por cada um, e se perdermos as 3, podemos recomeçar do último checkpoint. Esta fase 3, onde jogamos com as motas voadoras é claramente um easter egg para quem jogou o original, onde acontecia exatamente o mesmo.

Há outro mini jogos, um em formato olimpíada, plataformas, jogos de naves, outros mais básicos como disparar a balões no cenário ou a virar fusíveis para abrir as portas, que vão dando alguns elementos diferentes ao jogo e dando um ritmo interessante, especialmente para recuperar o fôlego dos combos. Os Bosses apesar de não serem muitos, têm sempre  uma tática para os batermos, e vão sendo mais difíceis à medida que vamos avançando no jogo, aliás como todos os inimigos que também vão sendo mais complicados, defendendo-se melhor ou atacando num raio maior.

De dizer ainda que logo no início podemos definir a dificuldade do jogo, girino, ou Battletoad, onde na última talvez seja a mais desafiante porque os inimigos são mais duros de roer, o dano que infligem é maior e a sua saúde maior, mas é também aquele modo em que nos faz lembrar os tempos que o jogávamos nas máquinas, no entanto o “Toad” é o mais divertido visto que a jogar com mais amigos as coisas podem até ser mais complicados devido à falta de espaço do cenário para nos movermos e desviarmos dos ataques e acaba por ser o mais social.

A nível de modos é que o Battletoads peca um pouco, porque apesar de termos o Stage Select, onde podemos até ir à busca dos colecionáveis e fazer os famosos Speedrun’s, para além disso só podemos ver as Cut Scenes, e jogar o tradicional modo campanha, do qual já falámos, faltando um Modo Online, onde pelo menos, poderíamos jogar com os nossos amigos online e em equipa, ou então, um Modo Speedrun, onde houvesse uma leaderboard.

Battletoads é mais do que apenas um beat’em up, é um jogo multi-disciplinar, que em todos os géneros que aborda, sejam as plataformas, uma espécie de olimpíadas, jogos de naves tipo Space Invaders, entre outro mini-jogos, acaba por retratar uma Era Dourada dos videojogos, nomeadamente das Arcade’s, e que merecia este reconhecimento traduzido na capacidade da Rare e Dlala Studios de fazer essa mesma homenagem. E mais, de fazer esta homenagem aos Battletoads que acabaram por viver na sombra das Tartarugas Ninja, e tornar este jogo também ele de culto.