Developer: Balancing Monkey Games, Team 17
Plataforma: Xbox One, Xbox Series e PC
Data de Lançamento: 23 de Novembro de 2021

Um novo género tem ganho cada vez mais jogadores nos últimos anos. Partindo da estratégia, combina elementos de simulação, gestão e sobrevivência, e é por ser terreno ainda muito pouco explorado que a cada título lançado é sempre possível encontrar exemplos de inovação e originalidade. É o caso de Before We Leave, que é mais um jogo da a popular publisher de indies Team 17, e foi desenvolvido pelo estúdio Balancing Monkey Games.

Na verdade, há uma nomenclatura para este tipo de jogos, já que são conhecidos como 4X, que é uma abreviatura para Explore, Expand, Exploit e Exterminate. Estas quatro características definem Before We Leave quase na perfeição, no entanto, com uma diferença importante, uma vez que ao contrário dos outros exemplares, aqui temos um caminho em que é excluída a violência, optando por uma via mais pacífica.

Não nos é dado um grande contexto sobre a história, e sabemos apenas que teremos de liderar um grupo de peeps (como são chamados os habitantes deste mundo), na retoma da civilização depois de o planeta ter passado por um apocalipse nuclear. O jogo inicia-se com o seu regresso à superfície, depois de algum tempo abrigados em bunkers, e ver-nos-emos com a responsabilidade de montar toda uma comunidade de raiz. Não só isso, como também ditar os passos mais importantes para uma sociedade saudável, sustentável, e que possa crescer progressivamente.

Os sobreviventes parecem partilhar da nossa visão, e como tal, além de cumprir com as nossas instruções sem questionar, tudo fazem com uma dedicação contagiante. Afinal de contas, é a uma comunidade que estamos a construir e todos querem ter um papel de cooperação. Trata-se de criar os alicerces para um futuro que, após tamanha calamidade, só poderá ser risonho e próspero para as futuras gerações. Infelizmente, os sonhos encontram sempre quem se oponha, e aqui não será diferente.

Começamos numa pequena ilha, mas rapidamente vemos que a necessidade de expansão para outros continentes e futuramente outros planetas, será uma questão de tempo. O terreno está dividido por hexágonos, que especialmente no caso das consolas, facilita imenso a navegação e as acções de construção. Embora seja um city builder, em parte faz lembrar os RTS’s na maneira como recolhemos os recursos naturais como madeira, pedra, etc, e essa familiaridade é bastante útil para compreendermos o básico, porque é intuitivo e de acesso fácil.

Inicialmente vamos ter de apontar às prioridades, como água, plantações de batatas, habitações e estradas, mas em breve já estaremos a planear o espaço para construções mais complexas. O solo e o clima também têm uma enorme importância, porque vai ditar que tipo de recursos podem ser extraídos, ou aquilo que pode ser plantado, daí não termos escolha senão explorar para além do nosso local de origem, e procurar por outras ilhas que possam oferecer outras riquezas.

Nesse sentido, a exploração é vital, principalmente aquela que é efectuada por mar. Descobrir terras que têm os recursos que precisamos com maior frequência proporcionam uma fantástica sensação de satisfação, assim como depois estabelecer as rotas de comércio de um porto ao outro. É ver um mundo no seu funcionamento global que nós ajudámos a criar, e isso é algo muito especial de se assistir em Before We Leave.

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 Tal como qualquer city builder, o nível de felicidade é o que acaba por estar no centro de toda a jogabilidade. Todas as nossas decisões têm uma influência positiva ou negativa na moral dos simpáticos peeps, nomeadamente a sua alimentação, a poluição da região, e até a condição das roupas que usam será determinante. É um ponto em que a equipa de desenvolvimento muito investiu, e prova disso é o pormenor de cada habitante ter o seu próprio nome e personalidade. Este é provavelmente o seu factor mais diferenciador, e um dos aspectos que mais brilho dão a este jogo tão peculiar.

Conhecimento é poder, e está na base de todas as sociedades evoluídas. E apesar de os peeps terem acesso à Library que é construída logo no início e poderem assim desenvolver tecnologias, se quiserem crescer para uma civilização avançada, terão de se aventurar pelo mundo em busca de tecnologias dos antepassados que habitaram aquelas terras. Algumas dessas descobertas poderão depois ser reaproveitadas, ou noutros casos, levadas para pesquisa na Library e explorar novas tecnologias.

A capacidade e a velocidade de produção são os factores que mais irão influenciar a sustentabilidade da nossa comunidade, porque quanto mais crescer, maior e mais iminente será a necessidade de matérias primas. Por outro lado, uma evolução demasiada rápida poderá prejudicar a felicidade dos peeps, portanto, será crucial saber equilibrar esse ponto, além de apostar em rotas de comércio de forma a variarmos na chegada de recursos.

Será muito graças a isso que iremos ver a nossa civilização evoluir de pequenas habitações rudimentares, madeireiras arcaicas e minas pouco sofisticadas, para verdadeiros complexos industriais. É quase meditativo ver as nossas cidades crescer, e também um dos motivos que nos fazem querer continuar a jogar com o mesmo entusiasmo que tivemos quando começámos.

Não obstante ser um city builder, é essencialmente um sandbox com relativa liberdade. Por isso mesmo tem margem para muita experimentação, de modo a compreendermos o que melhor resulta em determinados contextos. Claro que existem operações que são basilares e transversais a quaisquer circunstâncias que encontrarmos, mas outras dependem muito de situações específicas que só iremos entender no momento, o que significa que é um jogo que nos traz constantemente desafios interessantes, sendo depois muito difícil de largar.

Por ser um 4X onde não existe o perigo de sermos atacados (a não ser por baleias do espaço – sim, leram bem), há alguma calma para podermos planear à vontade. Assim, podemos (e devemos) consultar todos os dados que nos são fornecidos e avaliar posteriormente o impacto que as nossas decisões estão a ter nas populações. Nenhum líder, por muito bom que seja, toma somente boas decisões, porém, um líder negligente, mais tarde ou mais cedo, acaba por ter um efeito de bola-de-neve de consequências desastrosas.

Visualmente, é um jogo que cativa pelo seu estilo artístico. O seu aspecto colorido, animado e muito bem desenhado, combinado com os fantásticos controlos da câmara, onde podemos fazer um zoom in para olhar ao pormenor, e um zoom out, para uma escala global, tornam toda esta experiência realmente fascinante. E não nos podemos esquecer do Editor incluído, para quem quiser dar largas à imaginação. Quanto à música tem o papel de nos deixar entretidos e inspirados, enquanto estamos concentrados no jogo.

Before We Leave é quase obrigatório para quem procura por um city builder bem pensado e diferente de todos aqueles que já testaram até hoje. Empresta ideias de outros jogos dentro do mesmo género, e tem o mérito de fazer com que esta mistura funcione e faça sentido dado o contexto do jogo, criando uma obra bastante original.