Developer: Ninja Theory
Plataforma: Xbox One e Windows 10
Data de Lançamento: 24 de Março 2020

Se pensarmos que Bleeding Edge vem da mesma equipa de Hellblade é difícil não pensar imediatamente num jogo de qualidade. A Ninja Theory não faz jogos em catadupa, mas antes do anúncio do sucessor de Hellblade, um jogo que já chegará para a Xbox Series X, a equipa mostrou este Bleeding Edge num estilo de jogo nunca antes abordado pela Ninja Theory.

Estamos a falar de um jogo competitivo, sem um modo de campanha ou de história adjacente, apenas com um contexto incluído em que a premissa é jogar em equipa e vencer em equipa.

Graficamente os developers também foram por outro caminho, fugindo à realidade, aos contornos e texturas reais, mesmo que num mundo mítico e foi para o lado mais banda desenhada, mais colorido, mais apelativo para os mais jovens também, e seguindo a linha de um Borderlands, de um Overwatch ou de um Apex Legends. É nessa mesma categoria que o jogo se quer inserir, sendo um competidor, mas ao mesmo tempo apresentar uma abordagem diferente, em terceira pessoa, mais próximo se calhar de um PUBG ou de um Fortnite.

Como todos os jogos deste género a narrativa não é algo muito importante, mas não podemos dizer que estamos orfãos de contexto, Bleeding Edge conta a história de um grupo de personagens que, alegadamente, roubou tecnologia para fazerem um upgrade a si mesmos. E para testar as suas habilidades, basicamente formaram um espécie de Fight Club, onde vale tudo menos arrancar olhos. O mote é o mesmo de sempre, ver quem é o melhor, perceber quem é a melhor equipa. Vamos ficar a conhecer um pouco mais das biografias de cada um dentro do jogo, mas fora isso é todo o contexto que temos, e que precisamos.

Como todo o MOBA que se preze, é necessário ter uma boa selecção de heróis, diversificada e equilibrada ao mesmo tempo. Mesmo com apenas 10 opções até o momento, a Ninja Theory conseguiu criar um grupo heterogéneo, divididos em três categorias: Assassin, Support, Heavy.

Assassin, como o nome sugere, é o grupo focado em eliminar outros jogadores. Poder de dano alto, muita mobilidade, mas bastante frágeis. Aqui você encontra Daemon, Gizmo, Maeve e Nidhöggr.

Support, ajudam a equipa de forma indirecta. É aquele jogador responsável por curar os seus aliados ou causar algum efeito negativo nos adversários, como prender ou atordoar. No corpo a corpo é muito frágil, neste grupo estão Zerocool, Kulev e Miko.

Heavy, são os tanques do grupo. Um jogador que pode levar uma boa dose de pancadaria e estar sempre em pé, que usa protecções e ataques pesados, mas que é muito lento nas suas movimentações. Aqui estão Buttercup, El Bastardo e Makutu.

O combate de Bleeding Edge está uma delícia. Comandos precisos, permitindo criar combos com facilidade. Por vezes lembra o reboot de Devil May Cry, a única verdadeira experiência mais próxima em que a Ninja Theory se tinha envolvido antes deste Bleeding Edge. Cada personagem possui três habilidades especiais e uma super habilidade. Cada habilidade tem um tempo de intervalo para ser usada novamente, e a super habilidade precisa ser carregada para ser usada. Bastante parecido com o que vemos em Overwatch.

A nível de jogo e mapas, temos 4 mapas à disposição, sendo o seu formato muito semelhante mudando apenas os aspectos decorativos, claramente mais mapas vão surgir nos próximos tempos e temos dois modos de jogo, o de capturar pontos de controlo e o de recolher cápsulas de energia e entregá-las nos pontos de referência. Em ambos estamos organizados em equipes de 4 vs 4 e quem fizer 600 pontos ganha a partida. Como é habitual nestes jogos, capturar os objectivos dá um número de pontos crescente, enquanto que matar algum adversário dá também pontos como é óbvio. Na recolha das cápsulas o esquema já é um pouco diferente, temos de recolher cápsulas de energia que estão espalhadas aleatoriamente pelo mapa, tendo que destruir as suas caixas para as recolher, o que nos vai colocar numa posição frágil e daí a necessidade de trabalho de equipa. No entanto também podemos ser mais ofensivos, matando inimigos que já tenham recolhidos cápsulas e roubando-lhes assim as suas para nós depois depositarmos nos pontos de referência.

A nível de mecânicas, já tinha aqui referido que é um jogo em terceira pessoa, mas dizer ainda que o jogo assenta em duas características fundamentais, o ataque normal num botão e os ataques especiais, 3 ao todo que são recarregadas com uma espécie de cooldown até poderem ser utilizadas novamente. Por fim há ainda um Ataque Especial que vai sendo carregado ao longo da partida e perante a concretização dos objectivos e das mortes conseguidas. Depois temos ainda alguns aspectos de defesa, a Esquiva que nos permite fugir do centro da atenção mas gasta stamina e temos de estar atentos a isso, e a Defesa propriamente dita que em caso de um ataque do inimigo e se activada no tempo certo, defende e empurra o adversário. Bastante simples e super eficaz.

O que mais vai diferir é mesmo o tipo de personagem que utilizarmos, sendo que este jogo tem algo de positivo em relação a outros do género, é o facto de numa partida quando morremos podemos escolher outra personagem se quisermos. E também é bom que pense em adicionar mais mapas para jogar. Temos ao todo cinco mapas diferentes. Mas, na realidade, diferem apenas nos elementos decorativos e na disposição dos caminhos e áreas.

Bleeding Edge é a tentativa da Ninja Theory em dar um novo ar aos MOBA, com um styling muito fresco, buscando referências a Borderlands, à arte urbana nipónica, até ao anime, com uma visão em terceira pessoa e com mecânicas muito simples, mas divertidas focadas no espírito de equipa. Não podemos dizer que é revolucionário, nem que precisa de mais conteúdo, mas estou certo que tal como outros jogos do género, com o passar do tempo mais conteúdo vai surgir, até porque neste tipo de jogo, é a alma do negócio. É mais uma excelente adição ao Game Pass, e um jogo diferente dentro do género.