Developer: Claytechworks e Square Enix
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 26 de Fevereiro de 2021

Depois do enorme sucesso de Bravely Default e de Bravely Second: End Layer (a sequela) no oriente como no ocidente, era de esperar que existisse uma continuação da franquia, algo que foi confirmado em 2019 nos The Game Awards, com o anúncio de Bravely Default II. Para aqueles jogadores a quem estes títulos podem ter-lhes passado ao lado, basta dizer que a equipa encarregue de Bravely Default II, é exactamente a mesma de Octopath Traveler.

Quanto aos que já conhecem a franquia, é importante terem em mente que esta não é uma sequela de nenhum dos jogos anteriores, é algo totalmente novo, com novos personagens, novos locais, mas tanto os Cristais como os Asterisks continuam a fazer parte deste novo jogo. Além disso, foram adicionadas algumas novidades nos combates, que para uns são certamente interessantes, mas para outros, poderá ser estranho e até irritante por vezes.

Vamos então à história:

O jogo começa com um jovem náufrago, Seth, que surge deitado numa praia, sem forças, e ainda sem saber o que lhe aconteceu exactamente. É encontrado pela Princesa Gloria de Musa e o seu súbdito, Sloan, que o levam para uma pousada na cidade mais próxima, Halcyonia.

Importante perceberem que, embora Gloria seja apelidada de Princesa, a verdade é que o seu reino foi totalmente destruído, sendo que ela e o seu súbdito andam em busca dos cristais elementares, de forma a devolverem alguma harmonia e equilíbrio aos cinco reinos de Excillant.

Após explicarem toda esta história a Seth, Sloan explica ao jovem marinheiro que ele provavelmente será um dos escolhidos pelo Cristal do Vento para proteger e ganhar os poderes do cristal, e este junta-se ao grupo nesta aventura. É logo no início desta jornada que vão encontrar outro grupo de dois elementos, Elvis e Adelle, que se juntam a eles.

Por razões que não vos vou revelar, Sloan irá apenas acompanhá-los no início do jogo, passando depois a serem apenas um grupo de 4 elementos com Seth, Gloria, Elvis e Adelle. Ao longo de todo o jogo passaremos por diversos locais, conhecendo diversos personagens e muitas vezes vamos sendo acompanhados por outros personagens, algo que torna o jogo diferente, até porque quando somos acompanhados, nunca temos o controlo dos outros personagens a não ser do nosso grupo de 4 elementos.

Em termos de história, o jogo está muito bem conseguido, já que é empolgante o suficiente para manter o suspense do que irá acontecer. Vamos tendo também diversas surpresas, já que a história sofre diversos reveses para o nosso grupo, além disso, a maioria dos personagens, quer sejam protagonistas ou personagens que vão entrando na história, têm as suas origens bem criadas, de forma a dar-nos uma justificação para grande parte das suas acções. Existe ainda um grupo de inimigos que vão sendo bem definidos ao longo da nossa aventura, e que torna toda esta trama ainda mais interessante.

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A progressão no jogo acontece como a maioria dos RPG’s, e teremos um sistema de níveis por personagem, e é aumentando conforme vamos adquirindo experiência. Essa que por sua vez é adquirida a partir dos diversos combates que vamos tendo ao longo da aventura, e não a partir de quests principais e secundárias como acontece noutros RPG do mesmo género.

Além do nível dos personagens que vão afetar os seus atributos, existem também as profissões dos personagens, e este é um ponto bastante importante no jogo. Estas funcionam como uma espécie de classes (bem conhecidas de outros jogos), mas não estão disponíveis no início do jogo, uma vez que para as obtermos é necessário ter determinados Asterisks. Existem vários Asterisks, e estes são artefactos mágicos que permitem aos personagens conseguirem adquirir novas profissões, e ao obterem um determinado Asterisks qualquer uma das personagens do vosso grupo pode passar a usar essa profissão (as 4 em simultâneo, se assim entenderem).

Ao obterem um Asterisk este terá uma determinada profissão, e se decidirem que um dos vossos personagens comece a usar essa profissão, terão de ir ganhado as habilidades associadas a essa mesma profissão, para isso, mais uma vez, será nos combates que vão ganhar JP (Jobs Poins), e isso funciona como o sistema de experiência, em que vão subindo do nível dessa profissão associada a um personagem, e cada vez que sobe de nível ganha uma nova habilidade.

Para entusiasmar mais as coisas, e até trazer uma mescla de habilidades entre os personagens, existe a possibilidade de terem sub-profissões, isto é, podem ter seleccionadas duas profissões por personagem, mas apenas a profissão principal ganha JP. Significa por isso que é uma boa ideia quando uma profissão já atingiu o seu máximo, colocarem essa como sub-profissão e escolherem outra como profissão principal, e com isso obter novas habilidades para esse personagem. É importante referir que a profissão que tiverem como principal altera também os atributos do personagem, por isso, será importante escolher adequadamente quais as profissões e sub-profissões que cada personagem deverá utilizar.

Para se obter sucesso em qualquer RPG é determinante obtermos bons equipamentos, ter algum dinheiro para ir comprando itens essenciais, tais como algumas poções e objectos úteis para vários momentos do jogo. E neste ponto, mais uma vez, Bravely Default II é um pouco diferente de outros RPG do mesmo género, já que a maioria dos jogadores estará habituada a receber equipamentos em combates, ou mesmo outros itens, e não será isso que irá acontecer na maioria das vezes. Para obterem equipamento, a maioria das vezes será a partir das lojas, em baús que se encontram espalhados pelos mapas, ou a fazerem jardinagem.

Eu sei que pode parecer estranho, mas a verdade é que será com a nossa espada e a cortar relva e árvores que vão encontrar grande parte dos equipamentos, dinheiro e itens. Por esse motivo, vão passar grande parte do vosso tempo a carregar no botão para ir cortando ervas e árvores de modo a ir obtendo itens enquanto caminham para os locais das quests.

Já que falamos em andar a cortar coisas com espadas, avançamos já para os diversos inimigos que vão encontrar ao longo do vosso caminho, já que estes, na maioria das vezes que vos avistam no mapa, irão correr para vocês, nessa altura vocês terão de acertar-lhes com a espada de modo a que quando o combate por turnos começar vocês estarem em vantagem. Acontece também quando vocês encontram inimigos que estão abaixo do vosso nível, estes fugirem quando vos avistam.

Passando para o combate, são muito parecidos com a maioria dos RPG por turnos, mas terá um sistema que o diferencia de todos os outros. Seja como for, cada personagem tem as suas habilidades, o seu HP e MP, e quando algum perde totalmente a vida, pode ser “ressuscitado” por um elemento da party, quer por habilidade do mesmo, ou com o item para o efeito. E claro, caso todos os elementos do grupo fiquem sem HP, o jogo acaba, e lá terão de recomeçar novamente a partir do vosso último save. O que diferencia este jogo dos outros é o sistema de Brave e Dafault, e se para uns poderá ser algo inovador e incrível, acredito que para outros será simplesmente horrível.

Este sistema permite que vocês possam atacar o vosso adversário até 3 vezes no mesmo turno, sendo que para isso usam o sistema de Brave, obviamente que depois terão de esperar até 3 turnos para voltar a atacar novamente com esse personagem. Já o sistema de Default faz exactamente o contrário, o personagem fica numa posição defensiva sem usar o seu turno, podem usar isso as vezes que quiserem, mas é importante referir que apenas poderão atacar até 3 vezes no mesmo turno, mesmo que tenham usado o Default 4 ou 5 vezes.

A verdade é que isto dificulta bastante a escolha do jogador, se por exemplo contra inimigos mais fracos, vocês conseguem livrar-se deles em apenas um turno, usando o Brave com os personagens contra Bosses, por exemplo, isso torna-se irritante. Fica quase impossível o jogador conseguir criar uma táctica, tornando tudo muito mais aleatório e complicado. Já que muitas vezes 1 golpe poderoso de um Boss serve para retirar a maioria do HP dos elementos do nosso grupo, agora imaginem 3 golpes seguidos, é a vossa morte, e terão de recomeçar tudo desde o vosso save anterior.

Bem sei que isto pode parecer lógico, atacar inimigos fortes dá sempre mau resultado, o problema é a disparidade de potência de inimigos, sejam eles Bosses ou mesmo inimigos que podemos encontrar ao avançar no jogo numa nova zona do mapa; mesmo que na zona anterior tenham feito todas as quests (quer sejam as principais, como as secundárias), mesmo assim, acreditem que quando avançarem no jogo, terão inimigos que vos matam facilmente. Este problema é facilmente resolvido, e para isso vão ter de andar a atacar ttudo o que encontrarem no jogo, de maneira a conseguirem ir subindo de nível, para mais tarde voltarem lá depois de terem subido mais 2 ou 3 níveis os vossos personagens. Isto parece simples, o problema é que mata completamente a nossa ligação à história, cortando por completo a vontade de prosseguir. Para terem uma ideia, por vezes chegamos a estar 1h apenas a batalhar pelo mapa para subir de nível, já que se assim não for, é quase impossível avançar na história, dado que os personagens não estão suficientemente nivelados para isso.

Além do mais, a maioria das quests principais levam-nos para dungeons, que apenas apresentam locais específicos para podermos guardar o nosso save do jogo. Ora, com combates por turnos, que às vezes podem durar bastante tempo – e já que estamos numa dungeon o que não faltam são inimigos para fazermos batalhas – chegamos a passar uma hora sem ver outro ponto para salvar o jogo. É algo que nos dias de hoje não faz qualquer sentido, já que os jogadores por vezes têm apenas 10 ou 15 minutos para jogarem um pouco (ainda mais na Nintendo Switch que é portátil).

O mapa é enorme, e apresenta diversas dungeons e áreas vastas para explorarmos à nossa vontade. Além disso, teremos muitos tipos de paisagens, o que nos leva a sentir alguma diferença entre zonas. Por existirem sempre baús espalhados pelo mapa, cria uma vontade grande no jogador de ir a cada canto do mapa, e isso leva também a descobrir algumas quests secundárias mais escondidas. Se forem como eu e gostarem de explorar os mapas dos jogos na sua totalidade, acreditem que vão ficar bastante contentes com o que Bravely Default II tem para oferecer neste ponto.

Outro aspecto de extrema qualidade do jogo prende-se com o seu grafismo, a maioria dos cenários oferecem aos jogadores texturas de óptima qualidade e com pormenores muito bem conseguidos. Sejam zonas de areia, água, erva ou árvores, tudo está bem pormenorizado e bonito. Algo que agradará bastante é certamente o 3D que o jogo apresenta, já que podemos movimentar a câmera e ver todos os cenários de diversas perspectivas, isso só não acontece nas cidades, como também nas dungeons e dentro dos edifícios.

No que toca ao som e à banda sonora, o jogo é sublime. Músicas de óptima qualidade, bons sons e diálogos muito bem conseguidos, e as vozes dos personagens estão incríveis – e até conseguem ter diferentes sotaques. Embora nem todos os diálogos tenham voz, a verdade é que os principais apresentam todos voz, o que é óptimo.

Algo que não posso deixar de referir, é mais uma vez um jogo exclusivo da Nintendo Switch que não apresenta tradução para a língua portuguesa. Depois de ver a tradução de excelente qualidade de Super Mario 3D World & Bowser Fury, é pena que o mais recente jogo da Nintendo Switch não apresente também a nossa língua como escolha, oferecendo apenas as seguintes línguas: alemão, inglês, espanhol, francês, italiano, japonês, coreano e chinês.

Bravely Default II é um RPG que certamente irá agradar aos fãs de RPG por turnos. Oferece uma dificuldade acima do expectável na dificuldade normal do jogo, e por isso poderá não agradar a todos os jogadores, que terão de recorrer, certamente, a uma dificuldade mais baixa para conseguirem progredir no jogo. Seja como for, e com um ou outro aspecto mais negativo, é mais um jogo de boa qualidade da Square-Enix, e exclusivo para a Nintendo Switch.