Developer: ClockStone Software, Headup Games
Plataforma: Xbox One, Xbox Series X|S, PlayStation 4, Nintendo Switch, PC, Mobile
Data de Lançamento: 19 de Novembro de 2020

Quando andava na faculdade lembro-me de ter ido fazer uma reportagem sobre o curso de Engenharia Civil porque tinham um concurso para os alunos sobre pontes feitas com massa. Leram bem, com massa. Na altura, aquilo pareceu-me totalmente estranho, mas depois o resultado final ficava brilhante. As técnicas que eles usavam para criar e equilibrar os vários estilos de ponte nunca mais me saiu da cabeça e com a chegada deste Bridge Constructor: The Walking Dead, a minha memória foi logo para essa reportagem que tinha feito e posso dizer que até me deu bastante jeito em algumas partes do jogo para saber como havia de construir corretamente uma.

O jogo parte da ligação entre dois conceitos, por um lado Bridge Constructor que já era um jogo de ligar pontes, pelo outro The Walking Dead, uma marca bastante cimentada no mercado que se alia para tentar fazer um jogo engraçado e levar este conceito de jogo de quebra-cabeças a mais gente e aos fãs da série. Tenho as minhas dúvidas que os consigam agarrar, mas pelo menos a curiosidade, só por lá estar o nome, terão de certeza. Eu estou desse lado de jogadores, os que nunca tinham jogado Bridge Constructor, mas tinha visto e jogado os jogos The Walking Dead. E sim, fiquei curioso. Tenho a certeza que o jogo vai entusiasmar mais os fãs do jogo original do que os outros. 

Este não é um jogo de The Walking Dead, como os que a Telltale nos habituou, nada disso. Tem algumas personagens desse jogo que entraram neste enredo criado para Bridge Constructor, mas pouco mais. Vamos ter de ajudar Daryl, Michonne e Eugene a fugir das hordas de mortos-vivos com a nossa perícia a construir pontes e a ativar armadilhas, mas não com as habituais escolhas de outros jogos. A referência aqui é sempre a de Bridge Constructor que se adapta a este universo apocalíptico.

Bridge Constructor: The Walking Dead coloca-nos, em cada nível, numa situação em que temos de levar personagens até um porto seguro. Isto para fugir dos “Walkers” ou mortos-vivos, como preferirem, sem que eles nos apanhem. Para o fazermos precisamos de construir pontes eficazes, bem cimentadas para que não desabem e acabemos apanhados pelas hordas. É necessário planeamento, até porque não são só pontes que vamos ter de construir. Vamos ter de ativar armadilhas e programar as nossas direções quando estamos perto de elevadores. Há várias surpresas pelo caminho e várias maneiras de passar os níveis que se vão tornando mais complexos à medida que avançamos. Primeiro o jogo coloca-nos numa situação sozinho, mas depois vai acrescentando elementos e outras personagens num autêntico quebra-cabeças que é preciso resolver com arte e habilidade. 

Paga-nos o café hoje!

A jogabilidade é bastante simples. Ligar pontos e construir pontes como passagem do ponto A para o ponto B. É um jogo que não precisa de muito para se aprender a jogar, o problema é mesmo conseguir resolver o problema de cada nível. Para conseguir fazer algo em condições precisam de saber equilibrar uma ponte. Não basta apenas colocar uma recta porque vai cair. É necessário colocar alicerces para aguentar com o peso que vai levar em cima. Estes são os tais truques que aprendi com as pontes de massa, mas vocês se não souberem, basta fazer uma pesquisa rápida pela internet. As armadilhas são várias, desde bolas de cimento a buracos no chão, qualquer coisa serve para deixar os mortos-vivos no caídos. Também há elevadores que vamos ter de usar, mas nem sempre são muito intuitivos quando temos de os programar, isto porque quando lá passamos temos cinco campos que podemos preencher de forma prioritária. 

Como exemplo, podemos decidir ir ao andar de baixo, ativar a armadilha, voltar para cima e andar para a esquerda onde está o safe point. Há muitas combinações possíveis, basta ter imaginação e claro, a certeza que não vamos ser apanhados pelas hordas ou apanhar com uma armadilha em cima fora de tempo. O que é bom é que podem ir simulando os acontecimentos e ver se estão a fazer tudo certo, se não, é fácil andar para trás ou recomeçar o nível. A física está bem conseguida e parece-me que se aquilo fosse real, falando utópicamente, os objetos movimentavam-se assim.

Os gráficos usam um sistema 2D e a bem dizer nem dá para perceber bem quem é quem se não tivéssemos a indicação no menu lateral. Nem sequer usam o estilo que a Telltale usa nos seus jogos na parte em que estão a contar a história. Quando jogamos isto nas consolas, por exemplo na PlayStation 4, que usei para fazer esta análise, percebemos que o jogo não devia estar associado a esta geração e não estou a incluir a nova. É um jogo de quebra-cabeças bom para telemóveis ou dispositivos menos exigentes. Talvez por isso tenha saído assim, muito superficial. Isto de se lançar jogos mobile que também dão para consola deixa-me sempre muito desconfiado. 

bridge_constructor_walking_dead

Agora se formos a termos objetivos, Bridge Constructor: The Walking Dead puxa pela nossa criatividade. É de louvar colocar os jogadores a pensar, e de que maneira em alguns casos. Gosto destes jogos, mas de uma forma q.b. Não para jogar sempre, mas para ir fazer um nivel de vez em quando. Talvez ainda fique algum tempo instalado para tentar terminar o que comecei. 

Bridge Constructor: The Walking Dead junta dois universos e é um bom jogo para quem gosta de desafios e de quebra-cabeças. Ideal para ser jogado num dispositivo móvel enquanto vão a caminho de algum lado ou enquanto esperam numa fila. Dá que pensar e nem sempre é fácil conseguir resolver as situações. A história é superficial e não faz jus à série, não sendo por isso o mais importante num jogo que para consolas precisava de mais algum ingrediente extra além dos que já lá tem.