Developer: Infinity Ward, Activision
Plataforma: PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox One, Xbox Series e PC
Data de Lançamento: 28 de Outubro de 2022

Call of Duty é sempre o principal lançamento multiplataforma do ano, e o melhor exemplo são os 800 milhões de dólares em receitas que fez apenas em três dias. Com este incrível resultado, conseguiu chegar ao primeiro lugar dos melhores lançamentos da franquia, ultrapassando Modern Warfare 3, e estabelecendo uma nova fasquia.

Tendo em conta todas as incógnitas quanto ao futuro da série, existia uma enorme expectativa no que concerne título deste ano. Ainda para mais quando era um reboot de um dos mais importantes exemplares de toda a saga, e um que se estabeleceu como uma das principais referências narrativas e de jogabilidade dos shooters modernos na primeira pessoa. Call of Duty: Modern Warfare II tem a hercúlea tarefa de resistir ao peso do original, tentando ao mesmo tempo reinventar-se em muitos aspectos.

É um jogo que tem mais em comum com Call of Duty: Modern Warfare, lançado em 2019, do que o clássico Call of Duty: Modern Warfare 2, que tivemos a oportunidade de jogar em 2009. Contudo, podem esperar diversas familiaridades relativamente ao jogo no qual se inspira, conseguindo ser fresco e nostálgico similarmente. É a receita tradicional dos jogos desenvolvidos pelo estúdio Infinity Ward, com uma história que, novamente, nos leva até aos bastidores do que acontece realmente no palco da guerra que não vemos, e claro, com o regresso de personagens icónicas.

Mais uma vez, a dream team composta por Price, Ghost, Soap e Gaz irá juntar-se a alguns reforços de peso para uma verdadeira caça ao homem. Hassan é o inimigo público número 1. Um terrorista iraniano que teima em escapar entre os dedos às autoridades militares do ocidente, e especialmente aos Estados Unidos. A ameaça é mais perigosa do que nunca, dado que Hassan tem um plano que já colocou em execução, e na eventualidade de ter sucesso as consequências serão trágicas e catastróficas. Porém, há uma explicação para que Hassan seja tão difícil de capturar, isto porque conta com a ajuda não só dos russos que beneficiam com toda a instabilidade criada, mas também de um cartel mexicano contratado para o proteger.

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É uma campanha sólida, embora tenha mostrado problemas em encontrar o seu ritmo, o que lhe impede de brilhar imediatamente como alguns dos seus antecessores. A primeira metade da história demora a encarrilar e falha nos períodos em que tenta criar algum clímax, e que por um motivo ou outro acaba por não ter o efeito desejado. No entanto, quando finalmente se liberta, entrega uma óptima experiência e o conjunto mais diversificado de missões de qualquer título da série até hoje.

O triangulo entre Hassan, russos e mexicanos levará a que os cenários sejam muito diferentes uns dos outros, seja no deserto árido do médio oriente, ou nas estreitas ruelas mexicanas. Nenhuma missão é igual à anterior, e além daquelas obrigatórias de assalto tático em grupo, teremos igualmente as de assistência aérea, de stealth e snipping, e até de survival, com um inédito e improvisado sistema de crafting. Tudo isso dará origem a bastante acção, tensão e drama, ao longo de 17 missões de curta duração que muitas vezes sabem a pouco.

A jogabilidade continua absolutamente fantástica. É neste particular que esta franquia se afasta das demais, e Modern Warfare II deixa isso bem vincado. É fantástica a impressão que fica ao pegar e disparar a arma, provocando uma imersão extraordinária nas alturas de maior adrenalina. Além, claro, da autenticidade de movimentos, da coordenação com os membros da squad, e da envolvência com o ambiente ao nosso redor. E visto que simula a guerra moderna, também o arsenal e o equipamento que estará à nossa disposição será o melhor e o mais avançado que a tecnologia nos poderá oferecer, proporcionado a sensação de sermos verdadeiramente a nata das forças especiais.

A inteligência artificial demonstra uma maior intuição, antecipando muitas das nossas respostas. A sua mobilidade acrescida obriga a que sejamos mais cautelosos nas abordagens, essencialmente dentro dos edifícios, o que exige um sentido tático ainda mais frequente. É, sem dúvida, um elemento que acrescenta realismo ao gameplay, e uma prova do quanto os jogos têm evoluído ultimamente neste particular.

Graficamente está simplesmente espetacular. Com um nível de detalhe que deixa qualquer um de queixo caído, sobretudo nas cutscenes, que são as mais realistas que já tive a oportunidade de ver. É claramente o título com a melhor qualidade gráfica da franquia, e com uma performance suave e fluída em todos os momentos. No plano sonoro continua excelente, tanto nos efeitos, na música, ou no voice acting, transportando-nos constantemente para a emoção da cena em questão.

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Entrando agora na componente multiplayer, que é fundamental para quem joga regularmente durante o ano. É um sector de Call of Duty cada vez mais profundo, e se juntarmos o Warzone, tem tantas possibilidades e modos de jogo que quase nos perdemos quando temos de decidir o que queremos jogar. Foi um ano em que a Infinity Ward se comprometeu a considerar o feedback da comunidade, de maneira a propiciar a melhor experiência possível, e há que dizer que cumpriu, com um dos multiplayers mais consistentes das últimas edições.

Começando pelo Spec Ops, é o ideal para quem pretende um modo cooperativo para jogar com os amigos. Tem três missões para já (Low Profile, Denied Area e Defender: Mt Zaya) e é considerado o passo seguinte em relação ao mesmo modo lançado em 2019 e que ficou um pouco aquém do esperado. É previsível que venha a receber mais missões no futuro, já que tem o seu próprio sistema de progressão, os “Kits”, que são os tipos de loadouts que podemos escolher para os vários operadores, entre Assault, Medic e Recon, cada um com as suas vantagens, e que vamos poder subir da Tier 1 à Tier 5.

Adicionalmente, temos os modos PvP. São 12 no total (Team Deathmatch, Domination, Invasion, Ground War, Prisoner Rescue, Knock Out, Hardpoint, Search and Destroy, Free-for-All, Headquarters, Control e Kill Confirmed), e todos com propostas muito diferentes. Tem para todos os gostos, e estão distribuídos por 13 mapas (Farm 18, Valders Museum, Mercado Las Almas, Breenbergh Hotel, Taraq, Crown Raceway, Embassy, El Asilo, Zarqwa Hydroelectric, Al Bagra Fortress, Santa Seña Border Crossing, Sarrif Bay e Sa’id). São imensas opções para os fãs de COD, e diria que já está tudo bastante afinado para uma fase tão inicial, o que é um sinal de que houve um esforço para corresponder aos desejos dos jogadores.

A lista de Operators é cada vez mais extensa, e inclui 25 já no lançamento. Há nomes que são autênticas lendas, como John Price, Ghost, Soap e Farah, e aos quais se juntam Chuy, Gromsko, Gus, Kleo, Luna, Nova, Reyes, Zimo, Aksel, Calisto, Conor, Fender, Horangi (reward da beta), Hutch, König, Roze, Stiletto, Zero e Oni (exclusivo PlayStation). Nem todos estão desbloqueados, sendo que a maioria só ficará disponível completando desafios específicos, ou comprando a Vault Edition do jogo. Ainda assim, teremos acesso a quase todos os Operators, se tivermos a dedicação necessária.

Quanto às armas, há um enorme leque de escolhas e de diversas categorias, como Assault Rifles, Sub Machine Guns, Light Machine Guns, Sniper Rifles, Shotguns, e muito mais. A dose de personalização também é razoável, nomeadamente ao nível das scopes, que têm uma boa variedade. O Gunsmith sofreu mudanças para melhor, e vamos poder decidir agora entre duas Perks básicas, uma de bónus, e uma que serve de Ultimate, sendo que as duas últimas só ficam disponíveis durante a partida. São novidades que tornam a jogabilidade muito mais flexível, e a beneficiar quem gosta de experimentar à vontade.

Daí sabermos como o sistema de recompensas é vital, seja para desbloquear skins, Blueprints, ou mesmo Cards e Emblems. E para isso, além do XP ganho nas partidas que jogamos, teremos os Daily Challenges e as Career Milestones que se espalharão por alguns modos. É sempre uma aliciante neste tipo de jogos com sistemas de progressão complexos e que são pensados em temporadas, porque será isso que fará o jogador voltar todos os dias. Sinto que está agora mais justo, e que foi ao encontro de algumas queixas recorrentes em Vanguard, tentando corrigir um esquema que causou alguma frustração.

Call of Duty: Modern Warfare II é um sucessor digno e de qualidade daquele que é actualmente o franchise mais popular dos videojogos. Uma campanha capaz e agradáveis mudanças no multiplayer fazem deste título um prato cheio para quem procura um FPS extremamente consolidado.