Developer: Infinity Ward
Plataforma: PS4, Xbox One e PC
Data de Lançamento: 25 de outubro de 2019

Devo dizer que entrar num Call Of Duty nem sempre é fácil, isto porque o lado mais Modern Warfare ou os seus irmãos gémeos, a mim, não me têm preenchido muito, e por isso o Call of Duty WWII foi um dos melhores para mim, e que me deu um enorme prazer a jogar e a fazer a análise que podem ler aqui.

Contudo, este Modern Warfare parecia que poderia ser uma surpresa, com a Activision a voltar a apostar num modo campanha, mas mais do que isso, num verdadeiro Modo História, com personagens, plots e twists e muita acção à mistura, sempre com uma veia cinematográfica. E é isso que vamos encontrar neste jogo, é um verdadeiro filme jogável, onde a qualidade gráfica vai nos deixar embasbacados, muitas vezes, e especialmente se jogarem numa PS4 Pro em 4K, a pensar se é real ou jogo, tal a qualidade que vamos assistir. As cutscenes embranham-se na acção e vice-versa e a qualidade mantém-se dado esse flow, e essa sede de jogarmos a história toda até ao fim. Serão precisas cerca de 6 horas ou um pouco mais se jogarem numa dificuldade superior, onde o tédio é palavra que não existe, tal a variedade de cenários, situações, missões, ou artíficios que vamos usar, mas já lá iremos em pormenor.

Primeiro contextualizar, estamos em 2019 quando o jogo começa, numa missão secreta para recuperar cargas de um gás químico em direção ao Urziquistão. Aqui somos Alex, um oficial da CIA que é interceptado por forças hostis desconhecidas que eliminam os Marines que nos acompanhavam, e fogem com o gás. E claro, vamos ter de o recuperar, mas para isso a nossa Chefe Kate Laswell, requisita a assistência do Capitão da SAS, John Price. 24 horas depois, um grupo de homens-bomba, afiliados com a organização terrorista Al-Qatala, atacam Piccadilly Circus em Londres. O Sargento da SAS Kyle Garrick é despachado para conter a situação, com a assistência de Price e algumas forças policiais locais. Após isso, Alex é enviado ao Urziquistão para encontrar com a líder rebelde Farah Karim, que aceita juntar-se às forças para localizar os químicos, enquanto o ajuda a lutar contra as forças russas lideradas pelo General Roman Barkov.

Estes são os traços gerais e estou a tentar não spoilar muito, mas a história tem vários flashbacks, um dos quais quando recuramos 20 anos para ver como Farah e o seu irmão ficam orfãos e o que tiveram de fazer para sobreviver. Nesse capítulo vamos jogar com Farah e toda a jogabilidade muda visto estarmos na posição de uma criança que tenta sobreviver. Este é apenas um dos exemplos, porque para descobrir quem está por detrás do roubo dos químicos vamos ter de nos deslocar entre Urziquistão, Londres, ou São Petersburgo, todos recriados de uma forma exímia e com locais altamente reconhecíveis como a famosa Picadilly Circus em Londres.

Call of Duty Warfare consegue ser super interessante porque consegue nos dar, de forma inconsciente todos os ingredientes que queremos num jogo de acção mas que procuramos também num filme, os traços de personalidade das personagens, o seu perfil psicológico, as suas relações de amor/ódio, ao mesmo tempo que traz personagens icónicas, como é o caso de John Price para nos agarrar. O que este COD consegue fazer é humanizar um jogo que já andava há demasiado tempo no reino da fantasia e dos saltinhos futurísticos sem lógica alguma.

Vamos ter missões de resgate e de protecção de um “asset”, onde vamos estar mergulhados entre hostis e civis, e onde temos que ajuizar de forma certeira se as pessoas que vamos encontrando são criminosos ou apenas civis no local e na hora errada. Aliás a nossa eficiência em cada missão é avaliada por aí, se conseguimos reduzir os danos colaterais a 0, o que eu achei que era a mensagem certa num jogo de guerra, isto é, que existems os maus da fita, e que nós, os bons, temos que agir apenas em legítima defesa, e tentar a todo o custo proteger os civis. E é essa mensagem que acaba por ser o segredo, ou um dos segredos deste COD, essa humanização que está espelhada em todos os pormenores, desde salvar filhos dos seus pais terroristas, civis de um reinado de tirania, ou a salvação de um povo que não pediu para estar em guerra. No fundo é jogo sobre a guerra, de como a guerra não devia exisitir, e acho que isso foi um bullseye da Actvision e da Infinity Ward.

Como dizia a jogabilidade, no modo História vai ter vários elementos, sendo que um será transversal a todo o jogo, que é o facto de nos enconstarmos à parede e de fazermos o chamado “mount”, que é o abrigar-nos e de esguelha nos colocarmos em posição de ataque perante o inimigo. As esquinas vão ser muitas, o cover ops também, mas a jogabilidade implica sempre que utilizemos este particulariedade, sem ser chato. Coloca-nos nessas situações numa forma realistica, seja por estarmos a invadir uma casa e portanto termos várias esquinas e portas, seja por estarmos num armazém e nos desligarem a luz e termos que andar abrigados para tentar perceber de onde vêm os inimigos. Para além disso temos vários momentos em que sentimos que estamos a fazer algo de novo, lançar flares para o ar para conseguir iluminar uma zona para destinguirmos os inimigos, usar um laser de marcação para atacarmos incisivamente um edifício abandonado, ou usarmos a nossa sniper, qual Sniper Elite. O jogo vai dar-nos muitos momentos e muitos até memoráveis. Ainda em termos de jogabilidade devo dizer que o jogo está bem mais díficil que o normal para o género, o que eu achei óptimo, porque se queremos ser reais não podemos levar chumbo até mais não e ficarmos vivos, há muitas situações em que levamos um tiro de caçadeira e já fomos. É isso que deve ser, uma causa/efeito, um desafio e real ao mesmo tempo, para darmos maior valor à nossa vida tal como damos aos sobreviventes desta Guerra.

O primeiro Modern Warfare trouxe alguns dos modos multiplayer mais queridos da série Call of Duty. E esta versão moderna não poderia ser diferente, mostrando até porque é que o COD é sinónimo de FPS ao lado do CS Go.

Existem muitas opções para o multiplayer, desde o Gunfight, onde as duas equipas de dois jogadores estão em confronto em mapas apertados, e todos com as mesmas armas, passando pelo Ground Wars, um modo massivo com mapas a condizer, onde temos pontos de captura, veículos, e variantes para 10v10, 20v20, ou 32v32 jogadores. Dos vários jogos que fizemos a fluidez é brutal, o mapa é pormenorizado e podemos entrar em vários prédios procurando os pontos de vantagem que podem fazer a diferença. A condução dos veículos é simples e eficaz, com especial destaque para o helicóptero que poderá marcar com flares a localização dos inimigos aos nossos camaradas de armas. Poderá não ser tão forte como o Battlefield, mas ganha nessa dimensão real das estruturas.

Por fim temos o Spec Ops, o modo co-op para quatro jogadores que apresenta uma narrativa paralela à campanha. Um modo exclusivo por praticamente um ano na PlayStation 4, deixando os jogadores de PC e Xbox One de lado. No entanto podem ficar mais descansados por este modo parece um pouco “por acabar”. Neste modo temos que cumprir objectivos com ligação directa ao Modo História (devem de o acabar primeiro), com tiroteios num avião, ou batalhas intensas num estádio. O problema é que o esquema de Spec-Ops parece ainda estar incompleto ou bastante instável, já que várias vezes o mapa não carrega direito ou a dificuldade não condiz com o avanço das missões.O facto de possibilitar o crossplay entre PC e consoles é algo que, apesar de uma desconfiança inicial, funciona muito bem na prática. Quer seja quando procuramos uma equipa, quer seja na fluidez do jogo em si. Outra das novidades, e bastante agradável, é o fato de Call of Duty: Modern Warfare não contar com loot boxes, sendo que tudo pode ser desbloqueado a jogar.

Call of Duty Modern Warfare só não leva 5 porque o multiplayer tem algumas falhas e precisade ser afinado, mas é um recolocar de um franchise que ganha a direcção certa num mundo onde as guerras não são divertidas e que a liberdade volta a ser o bem mais precioso que devemos resgatar. Um Modo História 5 estrelas com uma qualidade gráfica que volta a elevar a fasquia para tudo o que venha a partir deste momento no mundo dos FPS.

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