Developer: Pixadome
Plataforma: PC, PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch
Data de Lançamento: 1 de setembro de 2022

Os jogos com dificuldade acima da média, ou, se preferirem, jogos desafiantes, vieram para ficar. Era algo que acontecia normalmente nos anos 90, e até se compreendia por estes serem curtos, e por isso, aumentava-se a dificuldade para os jogadores “ganharem” mais horas de jogo. Agora, com o facilitismo de muitos dos jogos que vão saindo, nota-se que os jogadores começam a pedir aventuras mais desafiantes, e os estúdios começam a trazer esse tipo de jogos cada vez mais, obrigando assim o jogador a dominar todos os seus movimentos, ou rapidamente irá ver a sua possibilidade de sucesso desaparecer.

Em Chenso Club vamos encontrar um side-scrolling brawler que nos leva para um estilo bem parecido com o arcade, com muita acção, e onde teremos 5 protagonistas femininas e prontas para mostrar o que valem. Cada uma com o seu estilo de jogo, habilidades e movimentos bem diferenciados, e que oferecem ao jogador uma possibilidade de gameplay bem diferente entre elas, e com isso, criando-nos quase sempre uma protagonista a que nos apegamos mais, deixando as outras 4 de lado a maior parte do tempo.

Antigamente existiam um certos livros de aventuras que se vendiam em Portugal com o nome de “Os Cinco”, da escritora inglesa Enid Blyton. Este jogo podia ter o nome de “As Cinco”, mas não, chama-se Chenso Club, já que as 5 protagonistas – Alice, Blue, Carmine, Molly e Plum – pertencem a esse mesmo clube. É relevante dizer que os personagens, além das habilidades e das armas que usam, diferenciam-se por três atributos: velocidade, força e defesa.

A história do jogo é simples, já que começa com uma invasão alienígena, sendo nesse momento que uma experiência com anos de testes finalmente começa a funcionar. Uma android acorda, Blue, e por esse motivo podemos dizer que ela é a protagonista mais relevante do jogo, e é fácil perceber a razão, já que é ela que inicia este combate contra os alienígenas. Ela pertence a uma organização, a Chenso Club, composta por diversos agentes (claramente uma alusão aos Men in Black), além disso é a única personagem que se encontra desbloqueada no início do jogo.

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Toda a história do jogo vai sendo contada como uma banda desenhada, em que vão aparecendo os quadrados no ecrã em sequência, e mostrando o que se está a passar. É uma maneira diferente de mostrar os acontecimentos ao jogador, e ao mesmo tempo não tendo de criar uma pequena cutscene.

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Será com Blue que iniciaremos o jogo, e conforme vamos avançando nas 5 áreas que o jogo nos oferece, vamos desbloqueando as outras heroínas. Blue é a personagem mais equilibrada de todas, e as outras vão variando entre mais ataque em detrimento de defesa ou da velocidade, ou melhor, defesa em detrimento das outras duas. Além disso, a própria movimentação de personagens também torna o jogo diferente, e por isso, vale bem a pena testar todas para ver aquela que se adequa melhor ao nosso gameplay.

Estas 5 áreas estão divididas por níveis, e estes funcionam como o habitual sistema roguelike, logo, os jogadores terão sempre surpresas, já que nunca apanharam salas iguais – no máximo parecidas. Vamos ter sempre com bastantes alienígenas para matar, sendo que no último nível de cada local haverá inevitavelmente um boss que teremos de derrotar. E como habitual neste tipo de jogos, trata-se daqueles bosses em que tem 3 ou 4 movimentos idênticos, e o jogador só terá de perceber a sua ordem, para depois fazer basicamente os mesmos movimentos, e o conseguir derrotar.

O nosso sistema de vida é feito por pontos, que não servem só como vida, mas também como moeda dentro dos próprios níveis, isto é, existem locais onde aparece uma loja ambulante, em que podem melhorar o personagem em certos aspectos, mas isso irá retirar-vos pontos de vida. Para recuperarem essa vida será necessário eliminar inimigos e esperar que estes larguem vida, para irem recuperando a que perderam, quer em combate, ou porque a gastaram na loja. Mas não existe apenas essa loja, já que no centro de comandos da Chenso Club existe uma loja onde podem fazer melhoramentos aos personagem, mas neste caso já serão necessárias moedas.

Algo também interessante é o desafio dos níveis irem aumentado conforme vamos progredindo, criando ao jogador sempre novas adversidades, quer pelos inimigos, como pelos perigos que encontramos nos cenários. Falando em cenários, o jogo tem algo que por vezes é um pouco punitivo, já que deixa o jogador sair do cenário, mas isso causará a perda de um ponto de vida. E acreditem que são algumas vezes que com a acção da luta e a quererem desviar-se dos inimigos, acontece saírem para fora do cenário.

No aspecto gráfico estamos a falar de um jogo em pixel-art, com um aspecto retro mas que é cheio de vida e cor. Os cenários são simples, sem grandes detalhes, mas conseguem levar o jogador para a era dourada dos jogos de plataformas, nos anos 90, e neste aspecto nota se claramente que a Pixadome inspirou-se nessa época, já que várias das mecânicas colocadas no jogo são muito parecidas com o que existia – obviamente com uma jogabilidade mais apurada e de acordo com os tempos actuais.

Chenso Club é um jogo muito competente, e que me fez reviver os meus tempos de adolescência. Não é um jogo inovador, mas é carismático e desafiante, os fãs de plataformas de acção certamente não o vão deixar passar ao lado.