Developer: Gunfire Games, THQ Nordic
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4, Nintendo Switch e PC
Data de Lançamento: 01 de Dezembro de 2020

Chronos: Before The Ashes é uma adaptação de Chronos, um jogo lançado em 2016 para o Oculus Rift que usava a tecnologia da Realidade Virtual. Quatro anos depois surge esta versão, noutra perspetiva e sem essa necessidade de usar qualquer aparelho. A história conta-nos os acontecimentos anteriores a Remnant: From the Ashes, jogo que foi lançado o ano passado também pela mão da Gunfire Games, que nos tem vindo a habituar com este estilo de jogos.

Com o objetivo de salvar o mal que paira na nossa cidade, com base numa lenda de um Dragão, vamos partir numa aventura de fantasia capaz de nos fazer enervar um bocado ou não fosse o jogo utilizar o estilo tão peculiar de Dark Souls. No início do jogo podemos optar por ser um personagem masculino ou feminino e escolher se vamos com uma espada ou com um machado. Sinceramente acho que não muda grande coisa entre um e outro. 

Com todas as vantagens e desvantagens que esse estilo tem para oferecer, pelo menos não vamos ver no ecrã a mensagem “You Die” quando perdemos uma vida, mas acreditem que vão morrer muitas vezes e envelhecer ao mesmo tempo. Cada vez que somos derrotados, voltamos para o último checkpoint, que no jogo surge em modo Pedra do Mundo, uma espécie de portal que nos deixa ir para outros locais como se fosse uma viagem rápida. Quando morremos, a idade do nosso personagem aumenta. Começamos com 18 anos, mas é fácil perceber que vamos ter de ir, quem sabe, até aos 90 e poucos para chegar ao fim deste Chronos: Before The Ashes. Achei delicioso este conceito. 

À medida que envelhecemos, de 10 em 10 anos somos forçados a escolher traços dessa mesma velhice, ou sabedoria, como queiramos chamar. Podemos ficar mais fortes em força, mais astutos ou mais sábios. Esses traços vão influenciar os atributos do personagem e as nossas habilidades de combate, o que pode mudar a experiência de jogo de um e outro jogador. Assim que cheguei aos 20 anos, ou seja, quando perdi duas vezes, e foi logo nos primeiros momentos de jogo em que houve luta, preferi escolher a força, mas depois optei por outras escolhas porque a idade vai nos ensinando como lidar com certos e determinados inimigos que nos aparecem pela frente. 

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Há vários tipos de adversários, uns mais trapalhões que outros, uns que nos lançam poderes mágicos e outros que saltam para cima de nós sem estarmos à espera, além dos bosses gigantes, claro. A forma de os ultrapassar é observar os padrões de cada um e atacar no momento certo, caso contrário, pode ser a morte do artista. Para tentar minimizar estragos podemos usar os corações que nos enchem a barra de vida, mas acreditem que são escassos pelos caminhos labirínticos de Chronos: Before The Ashes. 

Os nossos ataques são muito simples, um ataque mais lento, mas que é capaz de roubar mais energia ou ataques rápidos. Podemos ainda defender-nos com o escudo, embora muitas vezes não proteja assim tanto, nomeadamente em bosses e podemos aproveitar esse escudo para atacar também. Além disso, vamos ganhando poderes “mágicos” que nos permitem atacar com maior probabilidade de roubar energia. Tal como qualquer RPG, à medida que vamos derrotando adversários, o nosso nível sobe e com isso podemos aumentar os nossos atributos do personagem. O sistema é muito simples comparado com outros jogos deste tipo, o que facilita o seu uso. 

Chronos: Before The Ashes é daqueles jogos que nos pode levar à exaustão e frustração se não soubermos parar no tempo certo. Quando se perde muitas vezes seguidas, o melhor é desligar a consola ou mudar de jogo e tentar noutra altura, se não vão ficar tão chateados que nunca mais tocam no jogo. Isto, claro, para quem não é assim tão fã deste tipo de jogos de morte certa. Além deste aspeto de luta, o jogo é um autêntico labirinto. Há portas e portas por abrir que precisam de algo, quer seja um cartão, uma chave, um código ou mesmo uma ferramenta específica que se vai encontrando pelo jogo. Normalmente o caminho que fazemos vai abrir uma porta, pelo lado de dentro, que no início do nível vimos e não conseguimos fazer nada. Isto ajuda a não ter de dar tantas voltas depois de morrer. Por exemplo, se conseguirem abrir portas, elas ficam abertas para sempre e quando recomeçamos o jogo, depois de mais uma morte, isto ajuda-nos a atalhar caminho para outras paragens. Agora também vos digo, preparem-se para andar perdidos de um lado para o outro sem saber o que fazer ou onde está uma peça que abra a maldita porta. De certa forma isto levou-me numa viagem até à SEGA Master System e ao jogo da Addams Family, onde havia portas por todo o lado fechadas e era preciso encontrar as chaves. E verdade seja dita, nunca encontrei a terceira chave que era necessária.

A nível gráfico, Chronos: Before The Ashes não é o melhor dos jogos, até quase me arrisco dizer que podia estar muito bem numa Xbox 360 ou PS3. Tem algumas boas texturas em alguns ambientes, mas nada de extraordinário que já nos habituamos a ver noutros jogos. Os movimentos do personagem também acabam por ser algo limitados. Ele até se movimenta bem, mas parece que às vezes um ataque fácil se torna a coisa mais difícil do mundo e acabamos por perder energia desnecessariamente, mas quem nunca se chateou com isto porque acaba por perder em jogos destes, tipo Souls, que atire a primeira pedra. 

Além disso, há alguns bugs na câmara de vez em quando e acabamos por ficar meio perdidos. Numa das vezes parece que passei para um jogo de first person sem conseguir carregar nos botões. Se o jogo já não é fácil, embora possam escolher a dificuldade, assim ainda se complica mais. Outro aspecto contra, são os loadings muito demorados e ter de levar com eles a cada vez que morremos, torna-se bastante chato.

O jogo transmite-me um misto de sensações. De ódio, por morrer e me perder demasiadas vezes, mas de diversão por não conseguir parar de querer passar ou descobrir qual o caminho a seguir. Nesta altura da nossa vida é fácil ir à internet e descobrir o que fazer, mas tento resistir sempre a esse tipo de ajuda, a não ser que chegue até aquela fase de desespero em que não dá mais. A Gunfire Games consegue desafiar os jogadores mais experientes de outros RPGs e agarrar os mais novos com a sua simplicidade de processos. Carregar pontos ou combinar armas é tudo muito fácil de fazer, sem grandes menus complicados nem nada que se pareça e isso ajuda, e de que maneira, a ficar colado ao jogo. 

De uma maneira geral, Chronos: Before The Ashes tem sem dúvida o seu público mais dedicado a este estilo Souls e a quem já tem uma ligação à história de Chronos. Tem um preço apelativo e aposta numa simplicidade que não se vê em muitos RPG. Ainda assim, com um mercado tão concorrido não me parece um jogo com qualidade suficiente para ombrear com outros jogos do género como o mais recente Demon’s Souls (Remake), Mortal Shell ou mesmo Bloodborne, mas assume-se como uma alternativa válida a esses todos. Se forem corajosos avancem, mas com cuidado, porque já sabem que morrer é mais que certo.