Developer: Pearl Abyss
Plataforma: PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S
Data de Lançamento: 19 de março de 2026
Desde o primeiro anúncio, Crimson Desert destacou-se como um dos projetos mais ambiciosos da indústria, prometendo uma experiência de mundo aberto capaz de rivalizar com os maiores nomes do género. Ao longo dos anos, cada nova apresentação revelava novidades que reforçavam a ideia de estarmos perante algo fascinante: um título que combinava exploração, combate dinâmico, sistemas complexos e uma escala raramente vista. Naturalmente, estas promessas elevaram as expectativas a níveis extremamente altos, mas também geraram ceticismo entre alguns jogadores, muitos dos quais não haviam sequer experimentado o jogo, baseando-se apenas em trailers para criticar a ausência de certos elementos que, para eles, deveriam obrigatoriamente existir.
O estúdio responsável pelo jogo é a Pearl Abyss, um colosso sul-coreano conhecido pelo MMORPG Black Desert Online, que se destacou pela sua impressionante componente técnica e densidade de sistemas. A cultura sul-coreana do estúdio, bastante distinta da americana ou europeia, influencia inevitavelmente as decisões tomadas no desenvolvimento do jogo, e é um ponto que convém ter em conta ao avaliar este título.
Com Crimson Desert, a Pearl Abyss decidiu seguir um caminho diferente do habitual, afastando-se do modelo multijogador para criar uma experiência single-player focada na narrativa e na exploração de um vasto mundo aberto. Originalmente pensado para incluir opções cooperativas online, o jogo evoluiu para se concentrar numa aventura individual, onde cada jogador pode mergulhar na história e no universo de Pywel de forma profunda.
Na minha experiência, Crimson Desert revelou-se uma obra impressionante. Para quem, como eu, é fã de títulos como The Legend of Zelda, The Witcher, Elder Scrolls ou Red Dead Redemption, o jogo apresenta uma mistura equilibrada destes universos, em alguns momentos superando-os e noutros aproximando-se com sucesso. As expectativas que tinha foram plenamente correspondidas. A Pearl Abyss desenvolveu um jogo sólido, gigantesco e verdadeiramente incrível, capaz de conquistar tanto fãs de RPGs de ação como de aventuras de mundo aberto.
A história de Crimson Desert centra-se em Kliff, líder do clã dos Greymanes, guardiões da paz da região de Pailune, no mundo de Pywel. O enredo começa com um ataque devastador ao clã, que dispersa os seus membros e deixa muitos desaparecidos. Durante este ataque, Kliff é aparentemente mortalmente ferido e lançado ao rio – embora o jogo nunca esclareça exatamente o que acontece. Mais tarde, encontramos Kliff aparentemente recuperado, separado dos seus companheiros, e é através de um pescador e da sua família que se sugere que ele sobreviveu graças à sua intervenção.
Inicialmente, os objetivos não são totalmente claros. As primeiras horas consistem em ajudar quem surge pelo caminho, interagir com os habitantes locais e compreender o que se passa à nossa volta. À medida que a história avança, e com o encontro do primeiro membro do clã, a narrativa dirige-se para um objetivo, reunir novamente os Greymanes e restaurar a força do clã.
No percurso, Kliff cruza-se com aliados inesperados e enfrenta inimigos implacáveis, bem como forças misteriosas cuja verdadeira natureza permanece desconhecida. O que começa como uma missão de reconstrução transforma-se numa aventura maior, com ameaças que vão muito além da simples união do clã. Kliff percebe rapidamente que o que se passa em Pywel é bastante mais abrangente do que o seu objectivo, envolvendo conflitos políticos, antigas rivalidades e poderes desconhecidos que influenciam o destino das várias regiões.
Cada local explorado revela novos desafios e segredos, mostrando que o jogo não está confinado apenas à história principal, mas sim à própria história do mundo. A sensação de que o futuro dos Greymanes está ligado ao equilíbrio de Pywel cresce à medida que avançamos, e as nossas ações começam a ter repercussões que ultrapassam o clã.
O desenvolvimento narrativo é progressivo e estruturado, embora não linear. A história principal serve sobretudo como fio condutor, apresentando mecânicas, personagens e ambientes, enquanto a verdadeira riqueza narrativa está em explorar Pywel. Cada canto do mundo revela histórias, intrigas, culturas e ameaças próprias, tornando a exploração e as missões secundárias tão significativas quanto a narrativa principal.
No que toca às personagens, Kliff mantém uma postura mais fria e distante, mesmo perante a dispersão e o ataque ao seu clã, e a ligação emocional que sentimos por ele é limitada. Por outro lado, os companheiros que vamos encontrando possuem histórias e personalidades distintas, criando empatia e motivação para completar tarefas secundárias ou proteger certos personagens.
O ritmo da narrativa é um dos pontos fortes de Crimson Desert. Alterna entre momentos de ação intensa, exploração e pausas mais calmas, permitindo digerir a história e criar expectativas sobre o que vem a seguir. Pequenos eventos, puzzles ou missões secundárias funcionam como pausas naturais, diversificando a experiência sem estragar a coerência da trama principal e até tornando cada avanço na história mais gratificante.
O mundo de Crimson Desert é uma criação vasta e meticulosamente trabalhada, onde cada região parece ter sido concebida com propósito e identidade próprios. Desde as florestas densas e cheias de vida até desertos áridos e montanhas cobertas de neve, o jogo apresenta uma diversidade de biomas que vai muito além da estética, cada ambiente impõe desafios distintos, inimigos específicos e mistérios para desvendar. As vilas, cidades e pontos de interesse parecem existir de forma independente, com habitantes a realizar rotinas diárias, comércio a decorrer e pequenos eventos a acontecer naturalmente, conferindo a sensação de que Pywel é um mundo vivo, que continua a existir para além da nossa aventura.
A sensação de escala é impressionante. Ao percorrer trilhos de montanha, atravessar rios sinuosos ou aproximarmo-nos de aldeias ao longe, é fácil sentir a vastidão do mundo. Cada ponto do mapa transmite uma sensação de realismo e dimensão, tornando a exploração uma experiência recompensadora por si só. Os detalhes visuais, como o movimento das árvores ao vento, a luz refletida na água ou a fauna, criam imersão e fazem com que o mundo pareça dinâmico, vivo e repleto de histórias à espera de serem descobertas.
A liberdade de exploração é um dos pilares centrais do jogo. Não somos obrigados a seguir um caminho linear, podemos decidir entre avançar na narrativa principal, perseguir eventos secundários ou simplesmente perdermo-nos em regiões remotas à procura de segredos escondidos. Este nível de autonomia permite que cada jornada seja única, e cada um construa a sua própria experiência de descoberta. Muitas vezes, explorar um canto aparentemente sem importância pode revelar artefactos do Abyss, encontros com NPCs com missões únicas ou tesouros escondidos, mostrando que a curiosidade é constantemente recompensada.
Além disso, Pywel está repleto de pequenas histórias e detalhes que enriquecem a exploração. A interação com os NPCs, a observação do comportamento de grupos de animais, o estudo de inscrições antigas ou a descoberta de locais isolados criam uma narrativa ambiental que complementa a história principal dos Greymanes. Cada elemento do mundo convida à experimentação, escalar montanhas, atravessar cavernas subterrâneas ou investigar ruínas esquecidas proporciona não apenas recompensas materiais, mas também compreensão sobre a história e os segredos de Pywel.
A jogabilidade é um dos aspetos que pode assustar os jogadores quando começam a perceber a complexidade de Crimson Desert. Desde o combate até à exploração de mecânicas secundárias, o jogo procura equilibrar liberdade, profundidade e desafio, criando um mundo onde cada escolha tem peso e significado.
O combate é um dos aspetos mais destacados do jogo, caracterizando-se pela sua profundidade e variedade. Kliff e os outros personagens jogáveis podem utilizar uma grande diversidade de armas, desde espadas e machados a lanças, arcos e até habilidades mágicas. Cada arma tem características próprias, oferecendo vantagens e limitações que influenciam a forma como podemos abordar os combates.
A curva de aprendizagem do combate é gradual, exigindo compreensão no que se refere aos tempos de ataque, defesa e esquiva, assim como a melhor forma de combinar habilidades com combos. Combinando botões de forma estratégica, é possível executar ataques pesados, golpes rápidos, fintas e até movimentos mais elaborados, como agarrar ou lançar inimigos, incluindo ataques que lembram wrestling. Essa complexidade garante que, à medida que nos vamos familiarizando com o sistema, a sensação de domínio e impacto nas batalhas aumenta de forma tangível. Cada golpe, parry ou ataque bem executado transmite peso e resposta física, tornando cada combate satisfatório e memorável.
Além disso, o jogo permite alternar entre diferentes estilos de combate. O uso de armas de uma mão com escudo, dual wielding, ataques à distância com arco ou combate corpo a corpo sem armas cria diversidade suficiente para manter o combate fresco e desafiante ao longo de muitas horas. Personagens adicionais, como Damiane e Oongka, introduzem ainda mais variações de estilo, cada um com habilidades e mobilidade próprias, ampliando as possibilidades estratégicas.
A progressão é multifacetada e vai além do simples sistema de pontos de experiência (XP). Existe um incentivo de colecionar e utilizar artefactos do Abyss, que servem como a principal forma de evolução de habilidades. Cada artefacto desbloqueia pontos que podem ser distribuídos nas skill trees dos personagens jogáveis, permitindo criar builds únicas e especializadas.
Cada personagem tem a sua árvore de habilidades própria, refletindo o estilo de combate e funções em batalha. Kliff é versátil e equilibrado, Damiane foca-se na agilidade e ataques à distância, enquanto Oongka é um personagem mais pesado, com grande poder de impacto. A distribuição dos pontos exige planeamento estratégico, já que os artefactos são recursos limitados, e decidir investir num personagem pode significar que outro não beneficiará da mesma evolução sem recurso a resets. Esta abordagem oferece liberdade ao jogador para definir o seu estilo, ao mesmo tempo que cria decisões táticas importantes sobre a forma como irá enfrentar desafios e adaptar-se a diferentes situações.
Além das habilidades de combate, a progressão também está ligada à melhoria de equipamento, aumento de slots de inventário e reputação com facções, proporcionando uma sensação de evolução contínua e integrada ao longo do jogo.
Crimson Desert conta com uma série de sistemas e mecânicas que interagem entre si. Entre eles destacam-se o crafting, a economia, a agricultura, a pesca, a mineração, a cozinha e a gestão de recursos. Cada sistema contribui para o ecossistema do jogo, o que é coletado pode ser transformado em materiais para forjar ou melhorar armas, cozinhar refeições que aumentam atributos ou cumprir objetivos de missões secundárias.
Um dos sistemas que melhor exemplifica essa interligação é o Abyss, ou Abismo, um reino composto por ilhas flutuantes que existe acima de Pywel e que funciona quase como uma dimensão paralela. Mais do que um simples cenário alternativo, o Abyss está diretamente ligado à progressão do jogo e à forma como evoluímos o nosso personagem. É neste espaço que começamos a perceber que Crimson Desert vai muito além da exploração tradicional, introduzindo mecânicas e conceitos que lhe acrescentam mais complexidade, mas também mais profundidade.
É também no Abyss que Kliff adquire algumas das suas habilidades mais importantes, com destaque para o Axiom, uma força telecinética que permite manipular objetos, resolver puzzles e até ser utilizada em combate. Para além disso, desbloqueamos outras capacidades que impactam diretamente a exploração, como a possibilidade de planar enquanto tivermos stamina, que abre a verticalidade do mundo e permite alcançar locais que de outra forma seria bastante mais dificil. Estas habilidades não são apenas ferramentas isoladas, acabam por influenciar diretamente a forma como exploramos, combatemos e interagimos com o ambiente.
A progressão está igualmente ligada aos chamados Abyss Artifacts, que funcionam como a principal forma de evolução do personagem, substituindo o sistema tradicional de experiência. São estes artefactos que nos permitem desbloquear habilidades e melhorar atributos, enquanto os Abyss Cores introduzem a possibilidade de personalização do equipamento.
Para além disso, o Abyss funciona também como um espaço dedicado a desafios e puzzles, onde muitas vezes somos obrigados a dominar o Axiom para avançar. Estas zonas incentivam a experimentação e a observação, apresentando situações em que temos de manipular estruturas, alinhar mecanismos ou encontrar soluções criativas para progredir. Ao mesmo tempo, a existência de pontos como os Abyss Nexus facilita a navegação entre estas áreas, funcionando como pontos de viagem rápida – locais que vamos encontrando espalhados pelo mapa – e que vamos ativando, permitindo-nos viajar mais rapidamente entre os locais.
Mesmo existindo viagens rápidas, o jogo incentiva imenso termos iniciativa em explorar. Ao seguir uma missão, podemos descobrir artefactos, colecionáveis ou atividades opcionais que não apenas recompensam com itens, mas também aprofundam a compreensão do mundo. Essa interligação entre sistemas cria um efeito em cascata, melhorar o equipamento facilita o combate, explorar permite adquirir artefactos para evoluir habilidades, e dominar habilidades abre novas formas de interagir com o mundo. A diversidade de atividades é outro ponto central.
Um dos aspetos que nos chama a atenção depois de poucas horas de jogo é a enorme quantidade de conteúdo secundário disponível ao longo da aventura. Muito para além da narrativa principal, o jogo oferece um conjunto vasto de atividades que enriquecem o mundo e incentivam-nos a desviarmo-nos constantemente das missões principais.
As missões secundárias desempenham um papel importante na construção do mundo. Espalhadas por vilas, cidades e regiões mais isoladas, estas missões variam entre tarefas simples e histórias mais elaboradas que aprofundam o contexto de determinadas áreas ou personagens. Muitas delas surgem de forma orgânica, através da interação com NPCs, de cartazes em quadros de avisos e postes ou da exploração, contribuindo para a sensação de um mundo vivo e dinâmico. Embora algumas sigam estruturas mais tradicionais, outras apresentam pequenos arcos narrativos próprios, ligando-se às culturas, conflitos e acontecimentos locais de Pywel.
Os minijogos são outra componente relevante da experiência. Atividades como competições de arco, braço de ferro, combates improvisados ou pequenas tarefas do quotidiano ajudam a diversificar o conteúdo do jogo. Estas atividades funcionam como momentos de pausa entre combates ou missões mais exigentes, oferecendo uma alternativa mais leve e descontraída. Além disso, contribuem para dar vida ao mundo, mostrando que nem tudo gira em torno da ação e do conflito, mas também de pequenas interações sociais e desafios ocasionais.
Os puzzles assumem um papel particularmente importante em Crimson Desert, estando presentes tanto em missões como na exploração livre. Estes desafios variam bastante em complexidade, desde mecanismos simples até sequências que exigem observação, experimentação e também domínio de certas habilidades. Muitos destes puzzles estão ligados ao Abyss e à obtenção de artefactos, tornando-se essenciais para a progressão. A sua integração no mundo é natural, aparecendo em ruínas antigas, estruturas escondidas ou locais de difícil acesso, dando aquela sensação de descoberta e recompensa pela exploração feita.
Um dos aspetos que muito tem sido debatido em relação a Crimson Desert tem a ver com a sua interface e controlos. No aspecto da interface, esta reflete a ambição e a complexidade dos seus sistemas, apresentando uma grande quantidade de informação ao jogador desde os primeiros momentos. Os menus são extensos e organizados por várias categorias, abrangendo desde inventário, habilidades e crafting até sistemas de reputação, gestão de recursos e progresso geral. Esta densidade de opções é essencial para permitir um controlo detalhado sobre praticamente todos os aspetos do jogo, compreendo que possa causar alguma sobrecarga nos momentos iniciais, especialmente para quem não está habituado a este tipo de jogo.
No que diz respeito aos controlos, Crimson Desert apresenta um sistema bastante diferente do que habitualmente os jogadores possam estar habituados, algo que se deve muito à enorme quantidade de opções e possibilidades que temos, sobretudo no combate. A utilização de múltiplas combinações de botões para executar diferentes ações, ataques e habilidades torna a experiência exigente, sobretudo nas primeiras horas. O jogo aposta numa abordagem que privilegia a execução técnica e a memorização, com comandos que envolvem sequências específicas e timings precisos. Esta complexidade estende-se também a outras áreas, como a utilização de ferramentas, interação com objetos ou ativação de habilidades fora do combate.
A facilidade de aprendizagem acompanha essa complexidade de forma gradual. Embora no início não tenhamos logo aquela habituação inicial e possamos achar um pouco confuso, principalmente quando o jogo começa a introduzir várias mecânicas num curto espaço de tempo, a verdade é que, com a repetição e a prática, facilmente nos adaptamos, e tudo passa a ser feito de forma quase instantânea, sem sequer termos de pensar. Assim, passadas duas ou três horas, os comandos tornam-se naturais e a execução das ações mais fluida, especialmente quando se começa a compreender a lógica por trás das combinações e sistemas.
Relativamente à clareza das mecânicas, Crimson Desert nem sempre é imediato na forma como comunica os seus sistemas. Algumas funcionalidades e interações exigem experimentação ou atenção a pequenos detalhes que podem passar despercebidos numa primeira abordagem. Embora existam indicações e tutoriais, estes nem sempre explicam tudo ao pormenor e de forma explícita, levando-nos algumas vezes a descobrir certas coisas por tentativa e erro.
Um dos aspetos em que Crimson Desert mais impressiona é a sua capacidade gráfica, demonstrando claramente o trabalho da Pearl Abyss no desenvolvimento do seu motor gráfico. O mundo de Pywel é construído com um nível de detalhe extremamente elevado, onde cada elemento — desde a vegetação até às estruturas arquitetónicas — contribui para uma sensação de realismo e imersão constantes.
Os cenários destacam-se pela sua riqueza visual e variedade. Florestas densas com vegetação volumétrica, desertos marcados por tempestades de areia, regiões montanhosas cobertas de neve e zonas costeiras com água dinâmica criam um mundo diversificado e visualmente consistente. A densidade de objetos no ambiente, como árvores, rochas, edifícios e pequenos elementos decorativos, reforça a sensação de um mundo vivo e credível.
A iluminação é um dos pontos mais fortes do jogo. O sistema de luz dinâmica, aliado ao ciclo de dia e noite, transforma completamente a atmosfera dos ambientes. O nascer e o pôr do sol são particularmente marcantes, com jogos de luz e sombra que alteram a perceção do espaço e contribuem para uma experiência visual mais envolvente. Quando combinado com efeitos atmosféricos, como nevoeiro, chuva ou neve, o resultado é uma ambientação consistente e detalhada, que reforça o realismo do mundo.
Os efeitos de partículas e física também merecem destaque. Elementos como poeira, folhas ao vento, água em movimento e impactos em combate são representados com realismo, reagindo de forma convincente às nossas ações. A água, em particular, apresenta comportamento dinâmico, com reflexos, ondulações e interações físicas que aumentam a credibilidade do ambiente.
No que diz respeito às personagens, os modelos apresentam um elevado nível de detalhe, tanto ao nível das texturas como das animações. Equipamentos, roupas e armaduras foram recriados com cuidado, evidenciando materiais distintos e comportamentos físicos próprios. As animações em combate são fluidas e transmitem peso, contribuindo para a sensação de impacto nas ações.
No meu caso, que joguei no PC, temos várias possibilidades de ajustar parâmetros como qualidade de sombras, distância de renderização, efeitos de iluminação e detalhe ambiental. Algo bastante marcante é que não é preciso uma máquina extremamente potente para conseguir correr o jogo de maneira fluida sem abdicar de uma boa qualidade gráfica; ajustando as várias configurações, conseguimos facilmente jogar a 60 fps numa máquina com uma configuração razoável, mantendo uma boa relação entre qualidade visual e desempenho. Ainda assim, caso queiram ativar configurações mais exigentes, especialmente com tecnologias como ray tracing, o impacto no desempenho pode ser significativo, exigindo um hardware mais robusto para uma experiência totalmente fluida.
O aspeto sonoro do jogo também está verdadeiramente incrível. Cada ação em Crimson Desert é acompanhada por efeitos sonoros que reforçam a imersão, desde o som dos passos em diferentes superfícies até ao impacto das armas durante o combate. Os efeitos variam consoante o ambiente, com diferenças claras entre zonas urbanas, florestais ou montanhosas, criando uma sensação auditiva coerente com o mundo.
Em combate, o som assume especial importância. O choque entre armas, o impacto de golpes e os efeitos associados a habilidades transmitem peso e intensidade, ajudando a perceber o ritmo e a eficácia das nossas ações. Sons ambientais, como vento, água corrente ou animais ao redor, complementam a experiência, tornando cada local mais credível e envolvente.
A banda sonora acompanha de forma dinâmica os diferentes momentos do jogo. Na exploração, predominam composições mais calmas e atmosféricas, que proporcionam uma sensação de descoberta e solidão em determinadas regiões. Durante combates ou momentos narrativos mais intensos, a música torna-se mais presente e dramática, contribuindo para aumentar a tensão e o impacto emocional das situações.
Quanto ao voice acting, disponível em inglês, cumpre o seu papel ao dar vida às personagens e às interações. As vozes apresentam uma qualidade consistente, ajudando a transmitir emoções e intenções; ainda assim, é talvez aquele ponto em que, para um jogo desta magnitude, esperava um pouco mais.
Crimson Desert é um jogo fascinante, coloco-o quase no mesmo patamar que The Witcher 3, Red Dead Redemption 2 ou The Legend of Zelda: Breath of the Wild ou Tears of the Kingdom. São aqueles jogos que nos dão vontade de jogar horas e horas a fio, explorar todos os cantos do mundo e sentir aquele vazio quando sabemos que já descobrimos quase tudo e queremos mais. São horas e horas de jogo, que facilmente chegam às centenas se quisermos realmente fazer tudo. Se tinha a sensação de que este seria um dos jogos do ano, depois de o jogar não tenho qualquer dúvida disso, é claramente um jogo essencial para quem gosta deste género.



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