Developer: Saber Interactive, Crytek
Plataforma: Xbox One, Xbox Series, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch e PC
Data de Lançamento: 15 de Outubro de 2021

Além de uma referência do benchmark nos PC’s – tornando-se até inclusivamente um meme – a franquia Crysis é ainda hoje uma das mais importantes no género dos shooters na primeira pessoa. E com razão, já que a impressionante qualidade gráfica e a jogabilidade fantástica, eram uma mistura explosiva que envolviam o jogador até ao fim.

Depois do lançamento de Crysis Remastered em Setembro do ano passado, todos sabíamos que era uma questão de tempo até que os dois restantes jogos levassem o mesmo facelift. E não estávamos enganados, dado que meses depois foi anunciada a remasterização da trilogia completa, que chegaria em Outubro de 2021.

Esse trabalho foi novamente entregue à Saber Interactive, que já tinha sido responsável pelo remaster de Crysis. Infelizmente, Crysis Remastered Trilogy não contém Crysis Warhead, uma expansão do primeiro jogo, em formato standalone. É pena, uma vez que é considerado por muitos como o melhor da série, mas quem sabe se eventualmente não levará o mesmo tratamento e será lançado individualmente.

Esta remasterização incide somente sobre o campo gráfico, e não há quaisquer novidades em relação ao gameplay. Compreende-se, uma vez que já estava praticamente perfeito nesse nível, essencialmente no segundo e no terceiro – os mais refinados nesse domínio. No entanto, no aspecto visual, a diferença é substancial, principalmente para quem apenas experienciou os jogos na PlayStation 3 e na Xbox 360.

Mas a trilogia de Crysis é muito mais do que isso, e um bom exemplo é a história complexa, que conhece várias fases e personagens ao longo de cada jogo. Começa com um pequeno grupo de soldados de elite que são enviados para investigar um estranho fenómeno numa ilha controlada por forças norte coreanas.

Mas o que distingue estes soldados de todos os outros, é a particularidade de serem especificamente treinados para usar uma tecnologia de ponta e ultra secreta – o Nanosuit. É um fato dotado de nanotecnologia que concede habilidades especiais, maximizando várias capacidades humanas, como velocidade, força e resistência sobre-humanas, para além da capacidade de podermos ficar invisíveis.

Um fato com extraordinário conjunto de úteis ferramentas, que se tornam extremamente eficazes e letais nas mãos destes militares de elite que foram escolhidos entre milhares. E bem precisam, porque o que começa como uma operação de reconhecimento stealth, rapidamente se transforma em algo bem mais preocupante do que eles possam imaginar.

Na verdade, não estão minimamente preparados para o que vão encontrar, porque se não bastassem os inúmeros soldados norte coreanos no terreno, acabam por descobrir que esse é o menor dos seus problemas. O motivo pelo qual esta ilha passou a estar no centro da atenção de tanta gente com poder, é porque foram recentemente descobertos vestígios de uma espécie extraterrestre e da sua tecnologia, igualmente conhecidos como os Ceph.

Normalmente estas histórias não costumam terminar bem, e é precisamente isso que se verifica aqui, com tudo a descontrolar-se em menos de nada. Ao longo dos três jogos, como devem calcular, os aliens acabam por revelar as intenções da visita, e passa a ser uma luta para evitar a extinção da raça humana.

Toda a narrativa é bem distribuída pela trilogia e nunca se torna desinteressante. Antes pelo contrário, porque como o Nanosuit é central tanto para a história, como para a jogabilidade, cada situação de combate tem um entusiasmo acrescido. Obriga a que sejamos criativos e a planearmos muito bem o que fazer antes de passarmos à acção. Essa é a magia de Crysis e a razão pela ainda hoje é um jogo que agarra imediatamente.

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 Quando aprendemos a usar o potencial do Nanosuit, o gameplay torna-se absolutamente espetacular. Uma força imparável que quase brinca com o inimigo, e controlando o campo de batalha como bem lhe apetece. Poucos jogos oferecem esta sensação de poder e versatilidade de soluções num FPS. Num momento estamos invisíveis, no meio dos inimigos sem que estes notem a nossa presença, e no outro estamos a causar o terror.

O Nanosuit oferece sempre uma resposta para qualquer circunstância. Seja em modo stealth para nos aproximarmos indetectáveis ou até para chegarmos a locais onde possamos fazer o reconhecimento do local, ou acionando o Maximum Speed para emboscarmos o inimigo sem que este tenha tempo de reagir, ou, em último caso, utilizando a resistência extra que o fato proporciona para momentos em que o dano será inevitável.

Alternar entre todos estes modos é o que torna a jogabilidade de toda a trilogia desafiante, onde a tensão de não sermos descobertos facilmente dá lugar à adrenalina resultante de uma acção desenfreada. Crysis acerta em vários pontos, e é por isso que será para sempre um clássico do género.

Eram shooters à imagem de outros dessa altura, onde apenas nos focávamos no objectivo e na história. Não havia distracções com com sistemas de crafting, e apenas podíamos fazer pequenas modificações nas armas. Por isso mesmo é que o ritmo era sempre altíssimo, descortinando todos os mistérios que a narrativa nos escondia.

Ao contrário de Crysis que é num semi-mundo aberto, Crysis 2 e Crysis 3 são experiências mais lineares, que decorrem na cidade de Nova York. Essa mudança, além de contribuir com elementos interessantes para a história, faz com que nunca fique repetitivo, porque este novo cenário traz também novos obstáculos e formas de combater.

Quando foi lançado, era o título que todos queriam jogar, mas que infelizmente poucos conseguiam correr nos seus PC’s, pelo menos de maneira aceitável. A exigência por uma máquina capaz era tal, que a célebre pergunta “Can it run Crysis” ainda é usada actualmente. Ora, com esta remasterização, a pergunta volta a colocar-se.

Tudo foi praticamente melhorado visualmente. A resolução, as texturas, os efeitos e a própria performance. Estes remasters foram concebidos fundamentalmente a pensar nas consolas da nova geração. A Xbox Series X e a PlayStation 5 tinham finalmente o poder para tirar partido das diferentes versões de um sempre severo, mas incrível CryEngine. Claro que é nos PC’s de topo que continua a ter o melhor aspecto possível, porém, também nas consolas está igualmente sólido, inclusivamente na Xbox One e na PS4.

Com suporte para 4K e a correr a 60 FPS, a aparência não podia ser melhor na Xbox Series X e na PlayStation 5. Já na Xbox One X e na PlayStation 4 Pro baixa até aos 30 FPS, ainda assim, as animações são suficientemente suaves para que o gameplay continue fluído e vertiginoso. Esta renovação nota-se imediatamente na imagem, agora muito mais límpida e imponente.

A iluminação de Crysis sempre soube como arrebatar o jogador, e sabendo isso, a Saber Interactive fez questão de caprichar nesse ponto. O Ray Tracing realmente consegue levar a luz e os reflexos para outro nível, e torna toda essa experiência magnífica. O contraste entre os efeitos luminosos e as sombras – sobretudo na selva – criam uma viagem labiríntica e de suspense que nenhum outro jogo conseguiu igualar nesse contexto.

O aspecto gráfico era efectivamente das poucas coisas que podiam ser melhoradas. A história e a jogabilidade já eram óptimas, assim como a banda sonora, que sabia acrescentar empolgar o jogador sempre nos momentos certos. Fosse através da música, ou dos excelentes efeitos sonoros, toda a composição foi magistralmente pensada para criar tensão. E consegue-o, sem qualquer dúvida.

Existem ainda alguns bugs relacionados com a jogabilidade e com a inteligência artificial. O loading de certos objectos à distância tem também alguns problemas, assim como algum pop-up texture, e precisam ser corrigidos, porque são coisas que estragam, de facto, a imersão. Todavia, provavelmente será revisado nas próximas actualizações, tal como aconteceu com o primeiro remaster.

Crysis Remastered Trilogy é ideal para quem sempre quis experimentar a saga, mas ainda não teve a oportunidade. Especialmente para quem tem um bom PC, ou consolas na última geração, poderá agora visitar no seu máximo esplendor, uma das melhores franquias de First Person Shooters futuristas. E quem gosta do género, tenho a certeza que vão adorar.