Developer: Crytek/Saber Interactive
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4, PC e Nintendo Switch
Data de Lançamento: 18 de setembro de 2020

Em 2007 seria lançado não só um dos melhores FPS’s dos últimos 15 anos, mas também um jogo que graficamente estava à frente do seu tempo. No fundo, para muitos jogadores que eram fãs do género, era quase como o fruto proibido, dado que era um jogo que nem todos os PC’s da altura tinham poder para correr. Isto na capacidade mínima e média, porque quando a conversa era colocar os gráficos no ultra, poucos eram os computadores que resistiam, e nenhum deles propriamente barato.

Foi também um vislumbre do que os jogos poderiam ser visualmente – de forma padrão, claro – no futuro. Os detalhes das texturas, os efeitos de luzes e os reflexos que o CryEngine 2 proporcionava, eram algo que não estávamos habituados a ver nos jogos dessa época, e facilmente Crysis se tornou uma referência em diversos aspectos.

Se no PC a qualidade do jogo dependia essencialmente da máquina em si, já nas consolas era uma história completamente diferente, com versões em termos de qualidade completamente dispares do que podíamos ver no PC. Foi uma desilusão para os jogadores da PS3 e da Xbox 360, que sentiram não terem sido abrangidos pelo mesmo entusiasmo que a Crytek mostrava pela plataforma dos PC’s.

Treze anos depois – após de alguns teases que antecederam o anúncio –, soubemos que íamos ter um remaster, e até com uma versão optimizada para a Nintendo Switch. A integrar novas tecnologias no PC e nas consolas mais poderosas (PlayStation 4 Pro e Xbox One X) que serão importantes na próxima geração, como o Ray Tracing, a expectativa era enorme, e todos queríamos saber do que Crysis era capaz.

Era a versão para consolas que merecíamos? Em parte, sim. Com algum atraso, mas sim.

No que diz respeito ao PC, fica a sensação de que o objectivo de Crysis continua a servir de benchmark para o que aí vem na nova geração. Está hoje ainda mais exigente e não será qualquer hardware que irá tirar total partido do que tem para oferecer.

Quanto às consolas, foi adicionado o Ray Tracing à PlayStation 4 Pro e à Xbox One X, assim como um modo de performance e qualidade, para que o jogador possa escolher o que pretende para uma melhor experiência. Como não podia deixar de ser, também algumas texturas estão ligeiramente melhoradas, e até a iluminação e a vivacidade das cores foi tocada de maneira a trazer um maior realismo.

No modo de qualidade podemos jogar com a maioria das novidades gráficas, mas não será possível jogar acima dos 30 fps, enquanto que se decidirem pela performance, conseguem raras vezes chegar perto dos 60 fps, mas sacrificando o visual. Tudo dependerá do que será importante para o jogador.

Paga-nos o café hoje!Quanto às consolas de gama média, como a Xbox One e a PlayStation 4, vão ter finalmente uma versão do jogo como deviam ter tido aquando do seu lançamento. Será interessante para quem deseja reviver a experiência de há treze anos atrás, mas agora com bastante mais qualidade; mas também para quem nunca teve a oportunidade de experimentar um jogo que apesar ter uma jogabilidade que se nota já não ser actual, consegue ainda assim oferecer óptimos momentos, e continua a valer a pena. Mas sem Ray Tracing, claro.

Pegando no tema da jogabilidade, para quem não sabe, tudo se resume a um fato especial e ultrassecreto – o Nanosuit. O Nanosuit é baseado em nanotecnologia e concede habilidades especiais e apenas um pequeno grupo de soldados de elite tem o privilégio de usar. Iremos fazer parte desse mesmo esquadrão que é enviado para uma ilha ocupada pelo exército da Coreia do Norte, e na qual iremos investigar uma descoberta misteriosa feita por arqueólogos americanos.

Será o mote para que possamos pôr em prática todas as potencialidades do Nanosuit. É neste aspecto que Crysis sobressai, porque teremos de saber combinar um tipo de jogabilidade mais de acção, usando a habilidade do fato de endurecer a sua superfície, dificultando a penetração de balas e protegendo o seu utilizador; com uma abordagem mais stealth, optando por nos tornarmos invisíveis, e podermos infiltrar os postos de vigia dos inimigos, sem que estes se apercebam.

Ir alternando entre estas duas habilidades, enquanto exploramos esta ilha semi-linear e dilaceramos completamente as defesas do exército norte coreano, vendo o pânico e o terror nos seus rostos, é algo que só mesmo Crysis consegue propiciar. E isso não envelhece. No entanto, a nível da física do próprio jogo e da própria inteligência artificial dos inimigos, é onde podemos constatar que se encontra distante dos jogos lançados nos últimos anos.

Não obstante, continua a ser uma viagem divertida e excitante, que infelizmente acaba por ser afectada pelos imensos bugs que têm assolada especialmente as consolas, e em particular a Xbox One X. É por isso que é esperado um update massivo para que, finalmente, possa corrigir vários desses problemas.

Pensávamos que o estranho adiamento teria sido por essa razão, mas aparentemente não. Ou, bem vistas as coisas, talvez sim.

Crysis foi revolucionário em 2007 e um dos melhores jogos que surgiram nesse período. Hoje já não tem a capacidade de fornecer o mesmo que outrora já conseguiu, mas ultrapassados os problemas que o perseguem, e continuará a ser um fantástico shooter.

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