Developer: Toybox Games
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 10 de Julho de 2020

O detective Francis York Morgan está de volta para mais um thriller misterioso, mas desta vez não vem sozinho, já que teremos a companhia de Aaliyah Davis. Provavelmente muitos de vocês passaram completamente ao lado de do primeiro jogo, o que é normal, já que o jogo oferece uma história bizarra com personagens carismáticos, mas que devido à maneira como foi produzido não foi muito apreciado pelos jogadores. O jogo foi lançado primeiramente em 2010 para a Xbox 360, depois teve a sua versão na PlayStation 3 e PC, e só o ano passado chegou à Nintendo Switch, com o nome de Deadly Premonition Origins.

Tal como aconteceu com o primeiro jogo, Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise ou se adora ou se odeia. Uns vão achar uma obra prima, outros uma perda de tempo. Estão a ver os filmes do Manuel de Oliveira, altamente premiados, mas que a maioria dos comuns mortais não aguenta muito tempo à frente da televisão? Bem, acho que será mesmo por ai!

O jogo começa com a detective do FBI, Aaliyah Davis e o seu colega Simon Jones a entrar num prédio e a dirigirem-se ao apartamento de um suspeito de um crime, e no momento que vão tentar arrombar a porta ouvem uma voz a mandá-low entrar. E espantem-se, já que esse apartamento pertence ao detective Francis Zack Morgan – que devo desde já avisar que parece mais um morto-vivo do que propriamente um humano.

Aaliyah Davis e Jones começam então um interrogatório a Francis sobre um caso que ele já teria resolvido, ou seja, uma menina (Lise Clarkson) que teria sido morta em Le Carré. Primeiramente, Francis começa por lhes mostrar toda a sua inteligência, desarmando os dois detectives apenas por palavras, algo que já era de esperar, já que Francis sempre mostrou ser um personagem extremamente inteligente e perspicaz. Mas é nessa altura que aparece a personalidade de Aaliyah Davis que a partir de ameaças e de jogos de inteligência consegue dar-lhe a volta, obrigando-o a falar sobre o caso.

Podemos dizer que este início serve de apresentação dos dois personagens, e que oferece logo ao jogador uma amostra do que pode esperar deles, mostrando também que estamos perante duas personalidades bastante carismáticas e diferentes.

É na altura que Francis começa a desenvolver o que aconteceu em Le Carré, que somos transportados para aquela época, controlando o personagem Francis York Morgan e vivenciado tudo aquilo que ele está a contar (nesta altura alguns devem estar a ficar confusos, com o nome dos personagens, Francis Zack Morgan e Francis York Morgan).

A explicação está aqui, mas caso ainda queiram jogar o primeiro jogo, o melhor será mesmo saltarem este paragrafo, e não abrir estes detalhes. SPOILER ALERT!

No final do primeiro jogo, Zach e York descobrem que uma entidade demoníaca (Forrest Kaysen), obrigou o pai de Zach (um agente do FBI) a matar a sua mãe; com isso descobrimos que a dor de Zack foi tão grande, que fez com que ele colocasse o seu amigo imaginário York como o “dono” do seu corpo físico, escondendo a personalidade de Zach dentro da sua mente, até esta recuperar do trauma e estar pronta para voltar novamente.

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Em Le Carré começamos por tomar um pequeno-almoço num hotel, enquanto conversamos com o cozinheiro (que por sinal é também o dono, o arrumador, o recepcionista, isto é, o único empregado e faz-tudo daquele hotel). É aí que descobrimos ter existido um homicídio naquela pequena cidade, e claro, como agente do FBI, metemos mão à obra e vamos tentar desvendar o crime.

É à saída do hotel que encontraremos a nossa companheira nesta jornada, a pequena Patrícia Woods e o seu pai, o Xerife da localidade, que no caso deste último, por não estar acostumado com casos de homicídios, fica extremamente feliz por estarmos na cidade e dá-nos todo o apoio que para conseguirmos investigar o caso, ao mesmo tempo que a pequena Patrícia nos ajuda e fala-nos sobre os locais da cidade.

A história está muito bem contada, com diversos pormenores, personagens extremamente carismáticos (alguns até em demasia), e a verdade é que puxa sempre o jogador a querer saber mais do que se passa; principalmente depois do Capitulo 1, que é quando percebemos que estamos perante mais uma trama bastante estranha, e que arrasta a família Clarkson assim como eventos paranormais bem conhecidos do universo de Deadly Premonition.

Algo que foi bastante bem colocado no jogo foi a mescla entre os capítulos em que jogamos com York e a investigação de Aaliyah Davis. Isto oferece uma visão diferente à história, vista de dois ângulos e ao mesmo tempo trazendo sempre incerteza ao jogador sobre quem está correcto, e se o que estamos a viver com York será mesmo assim ou apenas invenção da sua cabeça.

Se com Aaliyah Davis temos a possibilidade de fazer perguntas, contra-argumentar, mostrar provas, relatórios e dados específicos para tentar comprovar a nossa teoria perante Zach, quando jogamos com York estamos num mundo aberto, onde podemos entrar em alguns locais, investigar, falar com os NPC’s e conduzir o nosso skate pela cidade (o carro de York foi roubado, e no local do estacionamento deixaram um skate). Foram também adicionadas as viagens rápidas ao jogo, o que nos poupa de fazermos todo o caminho como acontecia no primeiro jogo.

Algo também interessante é que ao longo da história York vai adicionando elementos ao seu quadro de investigação, enquanto faz perguntas a ele próprio (que terá de ser o jogador a responder), oferecendo uma sensação de certeza relativamente ao que estamos a fazer, e isso é bastante engraçado.

Se o enredo está muito bem trabalhado, assim como a relação entre York e Aaliyah está incrível, existem coisas que são a total antítese disso. Desde logo, a lentidão do jogo, principalmente no mundo aberto quando jogamos com York, em que antes de chegamos aos locais para activar as viagens rápidas temos de percorrer os caminhos de uma cidade praticamente morta, em que mal se vê vida na rua. Depois temos os diálogos que apesar de bem escritos, são demasiado longos e com diversas linhas completamente desnecessárias.

Já as missões também têm as suas falhas, já que grande parte delas apenas as podemos fazer em determinados horários, algo que não faz grande sentido. Até entendo que o jogo tente transmitir uma ideia de realidade, já que certos locais só abrem a determinadas horas, ou que as pessoas só estão em casa de noite ou à hora de almoço, mas caramba, termos de ir encontrar um local para dormir ou perder tempo noutras coisas para passar o tempo, não faz sentido nos dias de hoje. Seria muito mais fácil chegarmos ao local e o jogo perguntar se queríamos avançar no tempo até ao horário de fazer aquela missão.

A jogabilidade está mediana. Não sendo péssima, também não oferece ao jogador uma sensação de adaptabilidade. É lenta e o personagem não responde de maneira rápida, e a verdade é que me lembra imenso (tal como acontecia com o primeiro jogo) Resident Evil 3 e 4 nos locais mais fechados, já que nos locais abertos a inspiração vai mais para o Mafia.

Algo que esperemos que melhore e muito com algum update são os tempos de loadings que normalmente são enormes. Algumas vezes cheguei a pensar que a Nintendo Switch tinha simplesmente parado, já que o ecrã de loading tem uma árvore com umas folhas vermelhas a esvoaçar, e por vezes tudo fica imóvel, e essas folhas nem se mexem, dando a impressão que o jogo simplesmente parou.

Em temos gráficos, o jogo varia entre o bom e o mau, já que existem locais com bom detalhe; algumas cutscenes estão muito bem deitas, mas depois chegamos a locais que ficamos pasmados com a falta de qualidade, e quase vos garanto que GTA San Andreas que foi lançado em 2004 consegue superar Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise em diversos locais no mapa.

Se em termos gráficos as coisas variam entre o bom e o mau, algo que temos de ressalvar são os diálogos. Diria que 95% dos diálogos do jogo têm voz, oferecendo ao jogador uma excelente experiência nesse aspecto. Os actores oferecem uma óptima performance e dão alguma vida ao jogo, até porque sendo os diálogos tão longos, sem voz, provavelmente ou saltávamos à frente, ou adormecíamos.

Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise é um misto de sensações. Consegue ter um enredo incrível, mas ao mesmo tempo ter uma jogabilidade tão lenta que causa um tédio quase insuportável ao jogador. Diria que quem jogou o primeiro jogo e adorou, vai continuar a amar o jogo, por outro lado, quem não gostou do primeiro, pode continuar bem longe do segundo. Já os novos jogadores, diria para jogarem o primeiro antes de tentarem este.