Developer: Playtonic Friends, Fabraz
Plataforma: PlayStation 5, Xbox Series X|S, PlayStation 4, Xbox One, PC
Data de Lançamento: 4 de novembro de 2021

O que salta desde logo à vista em Demon Turf é o seu estilo artístico. Pode parecer estranho, mas parece-me um jogo dentro do universo dos videoclipes dos Gorillaz. Até os penteados dos personagens parecem inspirados nisso. Posso estar a exagerar, mas foi essa a sensação com que fiquei. Alucinação ou não, o que é certo é que o jogo de plataformas 3D tem um design bastante peculiar e traz consigo alguns elementos chave que contribuíram para o sucesso de jogos antigos do género.

Digo isto por várias razões, a começar pela organização dos níveis do jogo. A comparação mais fácil de fazer é com os primeiros jogos de Crash e Spyro. Tal como nesses clássicos, aqui há vários mundos e dentro de cada um deles existem vários níveis e artefactos para colecionar. Como se não bastasse, os níveis ainda têm um sistema competitivo para ver quem o passa mais rápido, a lembrar as relíquias que se tinham de conseguir a muito custo em Crash Bandicoot. 

Em Demon Turf  assumimos o papel de um jovem demónio, embora tenha mil anos de idade, chamado Beebz que vai tentar governar o reino, mas para isso terá de passar por cima do Rei dos Demónios que insistentemente lhe vai enchendo a cabeça com ameaças. A narrativa é divertida e com algum sarcasmo e dá ideia que a idade não pesa naquela gente. 

Este reino de demónios pode ser jogado na ordem que quisermos, desde que tenhamos os requisitos necessários para desbloquear o nível que pretendemos. Estamos perante uma espécie de mundo aberto com várias passagens e edifícios próprios, nos quais podemos encontrar itens para comprar, salas para descansar ou até um estúdio de fotografia. É lá que conseguimos entregar alguns retratos que nos pedem para fotografar com a nossa máquina. 

O reino é bastante grande e não raras vezes perdi-me entre caminhos. Felizmente no menu de pause podemos escolher a localização para a qual queremos ir e cada área está bastante bem dividida. Os níveis são aqueles típicos com obstáculos que vamos ter de ultrapassar. Dar saltos curtos, longos, duplos, aproveitar as paredes para alcançar uma altura maior e também algum combate pelo meio. Beebz tem uma sombra que nos indica o local exato da sua queda para temos uma noção melhor de profundidade em saltos mais complicados. Mais uma das técnicas usadas em Crash Bandicoot. Talvez o elo mais fraco deste Demon Turf seja o sistema de combate. Existem áreas de luta específicas, onde vamos ter de aplicar as nossas habilidades que, na verdade, não são assim tantas quanto isso. Há truques não muito bem desenhados e até um desnorte quando decidimos disparar alguns projéteis. O seu controlo não é fácil e isso tira muito ao combate se compararmos por exemplo com Ratchet & Clank. Além destas pequenas batalhas, existem duelos com bosses para medirmos forças e continuar a avançar no jogo. Não posso dizer que são icónicos, daqueles que jamais esquecerei, ainda assim têm o seu charme 2D representado num jogo que é 3D.

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Os níveis têm ainda um sistema de checkpoint bastante interessante. Não há um local exato marcado pelo jogo, mas ao nosso dispor temos quatro bandeiras que podemos colocar ao longo de cada nível. Isto dá aos jogadores uma maior liberdade na escolha das zonas que achamos mais difíceis de ultrapassar e se tivermos essa sensação de perigo, podemos salvaguardar-nos com uma bandeira de checkpoint. Pensem bem antes de decidir se querem usar ou não porque depois de colocada, já não se pode voltar atrás, a não ser que comecem os níveis do início.

A jogabilidade é simples e embora haja alguma combinação de botões para fazer algumas manobras, existem placards informativos dentro do jogo que nos estão sempre a avivar a memória de como se faz esta ou aquela manobra. O jogo tem alguns problemas de câmera, mas nada que nos faça perder a cabeça. Podemos optar por ter tudo automático, mas o melhor é colocar em modo manual e sermos nós a controlar a câmera à nossa própria maneira. Os resultados são melhores. A música que acompanha o jogo, com pena minha, não é a de Gorillaz, mas até passa bem. Muitas vezes nem reparamos nela e isso até que é bom num jogo destes.

Sendo um jogo disponível também na PlayStation 5, onde fiz a análise, tenho de notar que o jogo não é feito para a nova geração. O DualSense não dá uso às suas funcionalidades maravilhosas como se fazem sentir em Astro’s Playroom ou Sackboy. No entanto, é um jogo bastante completo e com muito para explorar. São mais de 20 horas de conteúdo sem contar com colecionismos se quiserem completar tudo.

Feitas as contas, Demon Turf é uma agradável surpresa desde o primeiro momento. Assim de repente, estamos perante um jogo de plataformas à moda antiga que lembra os primórdios de Crash Bandicoot ou de Spyro The Dragon. Com uma identidade própria e um universo que enche as medidas, é o jogo ideal para quem gosta de passar os níveis em contra-relógio e a bater tempos de outros jogadores. Desafiante e divertido, não se podia pedir mais, apenas que haja uma sequela daqui a uns anos.