Uma relação é sempre difícil, tem altos e baixos, e por vezes confundimos amor com paixão e essa por vezes apaga-se.

É isto que aconteceu comigo com o Destiny ao longo do tempo, é difícil para dizer quanta dedicação tenho tido ao jogo, para além dos euros que já gastei em figuras e “ghost’s” e sei lá mais o quê, mas se Destiny 2 poderia ser uma nova vida para o jogo da Bungie e da Activision, as expansões do jogo foram retirando toda a paixão lentamente, e o amor perdeu-se com a morte de um dos heróis e das figuras mais carismáticas do jogo. Há muito tempo que se fala que Cayde-6 morria neste Destiny 2, aliás, desde que saiu muitos rumores já falavam disso, e que isso de alguma forma já estaria preparado, mas se a morte de Cayde é uma tristeza imensa para os fãs, acho que ainda mais triste é o facto de terem promovido esta expansão com esse acontecimento.

Não seria de esperar que os jogadores tivessem essa revelação ao jogarem o jogo e não a questionar toda a conjuntura disso mesmo durante meses? Podem dizer que era para criar essa tristeza e depois o espírito de vingança, mas isso não teria muito mais impacto na comunidade quando jogassem o jogo? Honestamente não consigo compreender essa decisão, e no meu caso pessoal depois de meses a fio praticamente sem tocar em Destiny 2 e sem encontrar razões para lá voltar, saber que Cayde morre é dar cabo do resto que faltava. Será que esta expansão consegue pegar nos pedaços do meu coração e reconquista o meu amor?

Destiny 2: Forsaken – Launch Trailer

Bem, contextualizado e não causando nenhum spoiler, porque já foram todos feitos, Cayde-6 morre nas mãos de Udren Sov, o irmãozinho querido de Mara Sov que nos recebeu no Reef ainda no primeiro jogo na expansão de House of Wolves onde teve um papel preponderante a prender na altura Skolas e depois teoricamente morreu a defender o seu povo na batalha contra o Oryx.

A verdade é que Udren Sov nunca gostou de nós, e já nessa expansão tinha sido muito reticente em nos ajudar, desta vez foi longe demais e matou a figura paternal de todos os Hunter’s (incluindo eu). Basicamente Udren Sov decidiu criar um bando de assassinos, chamado Scorn, 8 barões, os mais fortes da galáxia, formam este grupo que conseguiu fugir da tal Prison of Elders. Isto tudo acontece pouco depois de aterrarmos com Cayde no Reef para investigar o que se está a passar no Reef que sem liderança tornou-se uma “cidade” sem rei nem roque.

Na tentativa de abater os fugitivos Cayde morre pelas mãos de Udren Sov e nós carregamos o nosso mentor com a promessa de vingança. Basicamente este é “plot” do jogo, vamos andar atrás dos 8 barões e de Udren Sov, numa jornada que nos vai levar à terra natal dos Awoken, a Dreaming City onde se desenrola a Raid, que promete ser a melhor de todas neste Destiny 2, cheia de puzzles e loot.

Destiny 2: Forsaken – Last Stand of the Gunslinger

Verdade seja dita, as cut scenes talvez sejam as mais impressionantes até à data, as com mais emoções à flor da pela, as que talvez tenham tido mais impacto, mas também o momento “do or die” do Destiny. A narrativa é bastante boa neste capítulo, porque faz algo que tem se visto pouco, que é, pegar em pedaços da história do primeiro jogo, completar algumas informações, criar essa ligação emocional, e trazer velhas personagens de volta, como o caso de Petra Venj, da guarda real da Rainha do Reef.

A campanha completa-se facilmente em 5 horas se seguirem apenas as missões principais e não se desviarem nas secundárias, nomeadamente nas “Hunts” de Spider, a quem no fundo temos de pagar para obter informações sobre o paradeiro dos Barões. A jogabilidade da história é bastante interessante porque cada Barão fará com que tenhamos uma abordagem diferente, por exemplo, o Rider é um fã incondicional de veículos e portanto vamos andar de Pike a tentar o abater ao longa dessa missão.

Destiny 2: Forsaken – E3 Story Reveal Trailer

Mas a grande e radical diferença que encontramos em The Forsaken é o facto de podermos alocar agora as armas que quisermos nas slots que quisermos, por exemplo, se só quisermos shotguns nas 3 slots, agora podemos, é um sistema de anarquia que pode funcionar, numa tentativa quase de desespero da Bungie para que os jogadores joguem da forma que quiserem, desde que estejam felizes. Para além disso há um novo super para cada classe, o Hunter agora parece um Jedi a desviar balas com a sua lança e aparecer ainda mais ninja com ela, o Warlock pode teletransportar-se com enorme velocidade e depois criar uma explosão de energia, e o Titan com o seu martelo devasta tudo à volta.

O level cap passa agora para 50 com a light a chegar aos 600, o que dará uma enorme margem de manobra, na progressão e nomeadamente no grind para lá chegar, que passará sempre pelo loot da Raid, Raid essa que ainda não consegui explorar de um modo conclusivo, mas cujo já consegui experimentar o Blind Well, uma espécie de Escalation Protocol, como encontrámos na expansão The Warmind.

Destiny 2: Forsaken – Dreaming City Trailer

Outra das boas novidades é o Modo Gambit no PVP, que aqui se transforma PVP meets PVE tudo no mesmo sítio. basicamente temos duas equipas em dois mapas diferentes a lutar contra bosses para conseguir sacar-lhe motes e quantos mais conseguirmos, maior a hipótese de ganharmos, mas só que a determinado momento podemos invadir o outro mapa e dar cabo de todo o progresso que a outra equipa conseguiu atingir, é um caos que me agradou imenso e que faz com as tácticas que tenham que ser usadas, necessitem de coordenação e orientação que no fundo é o espírito deste jogo que tanta gente tem apagado da sua memória.

Destiny 2: Forsaken – Official Gambit Trailer

As armas e armaduras também têm novas modalidades, se quiserem, isto porque temos lança rockets que disparam dois mísseis, armadura de pernas que ao deslizar repelem rockets, arco e flecha que geram campos de electricidade, ou que mostram os inimigos através das paredes, armadura de peito que confere um duplo dodge, entre outros. Para além disso e como já referi, agora podem equipar em qualquer slot, qualquer tipo de arma, dando ao jogador a possibilidade de jogar da forma que quiserem, algo que já muita gente ansiava.

Destiny 2: Forsaken – New Weapons and Gear

Destiny 2: The Forsaken voltou a criar um ânimo nos jogadores, existe uma história interessante, bons momentos criados, com os Scorn a terem mecânicas específicas e diferentes, e a voltar a ter muitos motivos para vasculhar, sejam as quests ou as hunts, e muitos segredos para revelar, desde adquirir a Ace of Spades, a mítica arma de Cayde, passando por tentar cumprir objectivos que dão recompensas “físicas”, isto é, se acabarem a campanha antes do final de setembro, vão receber a banda sonora do jogo de borla, por exemplo, resta saber que outros bónus poderemos receber.

O sandbox do jogo foi totalmente reformulado, a forma como subimos de nível está mais difícil e demorado, com a questão das infusões a gerar ainda alguma controvérsia, mas a levar, pelo menos, o jogador a demorar mais a conseguir chegar ao topo do level cap desta expansão. O PVP com o modo Gambit também ganhou nova vida, e o Raid da Dreaming City, cheia de puzzles e enigmas, vai também aliciar os jogadores durante um bom tempo, mas como sempre a pergunta que fica é: “Quanto tempo vai a Bungie conseguir aliciar os jogadores desta vez?!”, porque a paixão fica, mas o amor apenas se for cuidado.

4.0

Sim

  • Um dos momentos mais marcantes da história de Destiny
  • Sandbox reformulado
  • Modo Gambit no PVP

Não

  • A história é algo curta
  • Algumas dúvidas quanto à longevidade desta expansão
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