Developer: Capcom
Plataforma: PS5, Xbox Series S|X
Data de Lançamento: 12 e 10 de novembro de 2020 respetivamente

Voltamos a Devil May Cry V um ano e picos depois para confirmar a nossa nota de excelência do jogo. Se já tinha levado a nossa pontuação máxima, agora teríamos que a estender, mas tentámos, mais do que tudo corroborar esta pontuação agora com a fasquia mais alta da nova geração de consolas e ver se continua a levar a nota de S como no jogo.

Testámos esta versão na PS5, onde podemos escolher ativar o Ray Tracing, e como já devem estar a pensar, foi da noite para o dia, literalmente, até porque num jogo tão escuro, e que vive desses ambientes tão sombrios, os efeitos de luz fazem toda a diferença. E aqui é um show de luz e cor, numa velocidade estonteante. Ainda mais impressionante se jogarem no modo Turbo. O Ray-Tracing dá vida a todos os objetos, com os reflexos nas montras ou dos vidros a sere, reais, com as luzes dos candeeiros ou mesmo dos inimigos a terem uma vida própria, os slashs das nossas espadas a iluminarem a sua ação, bem tudo acaba por ter uma luz própria devido a esta tecnologia, e isso torna tudo mais real e autêntico.

Podem escolher entre ativar o Ray Tracing, como vos dizia escolhendo a opção gráfica, com a resolução 4K a 30FPS ou a 1080p a 60FPS. Se preferirem a opção de performance, isto é, conseguir chegar aos 120FPS, o Ray Tracing será desativado automaticamente. O mesmo acontece se jogarem no modo Turbo ou no modo Legendary Dark Knight, onde o Ray Tracing é também automaticamente desligado para conseguir dar a performance desejada.

Para quem não conhece o jogo e não sabe o que estes modos significam, passo a explicar, no Turbo Mode, o jogo fica 20% mais rápido do que é normal, já no Legendary Dark Knight Mode, o número de inimigos é muito maior, parecendo por vezes mesmo hordes de inimigos.

O grande destaque desta edição especial é a introdução de Vergil como personagem jogável, juntando-se a V, Nero, e Dante. Ao contrário das outras personagens Vergil é jogável de princípio ao fim, através de um modo alternativo com algumas sequências contextuais, mas sem a maioria delas, visto que estavam presas às personagens com que jogávamos, de forma alternada no jogo. Gostava mesmo que a Capcom tivesse perdido aqui um pouco mais de tempo e tivesse recriado a campanha para encaixar Vergil com as suas próprias cutscenes e história.

Vergil de DMC5 é muito semelhante ao que encontrámos nos jogos anteriores, uma personagem extremamente poderosa que é um pouco mais difícil de controlar que as restantes, já que exige um tempo de resposta mais preciso, e espaço para libertar o seu poder. Vergil tem acesso às armas Yamato, Mirage Edge, e Beowulf, duas espadas e os punhos e perneiras portanto, que nos permite trocar com facilidade entre curto e médio alcance. Já o seu Devil Trigger continua a ser a invocação de um clone seu para reflectir todos os movimentos que fizermos. No entanto, e tal como qualquer outra personagem, é crucial encontra o equilíbrio entre as várias armas para fazer os extensos combos que todos desejamos fazer, e com Vergil é sempre um pouco mais díficil por ter um timing muito mais apertado e conciso. Depois deste olhar mais pormenorizado sobre as novidades desta Special Edition, olhamos agora para o resto do jogo, recuperando também a nossa análise já feita anteriormente.

Devil May Cry ao lado de Bayonetta são jogos com um estilo inconfundível, mais do que apenas a técnica nos comandos, o apelo são os combos, com um sistema de pontuação muito próprio que vai do D ao S, sendo este último o epíteto de um combo infindável, aliás, o foco é tanto que ao chegarmos a esse ponto somos logo brindados com uma conquista rara para os nossos troféus de consola.

No entanto Devil May Cry nem sempre foi consistente, se bem se recordam há uma espécie de desvio, uma espécie de reboot que não funcionou como era esperado, muito por culpa do apego que temos a personagens como Dante ou Trish, e portanto não é de espantar que neste Devil May Cry V voltemos a ter Dante e Trish envolvidos na trama, apesar de o foco das personagens se centrarem em Nero, o novo puto maravilha, e V, uma espécie de Mago cujo as suas verdadeiras intenções não são muito claras.

A Capcom sabe que para os fãs não basta oferecer um jogo cheio de inimigos para fazer combos, e por isso a história volta a ser bem trabalhada, com uma grande dose de incerteza e de desconhecimento das pretensões de todas as partes envolvidas, dando-nos aquele suspense e twist que se espera, e por isso logo à partida estamos perante uma boa dose de questões que nos vão dando o “drive” para o jogo.

Basicamente a história centra-se em Urizen, um demónio que conquistou um poder imenso, muito por culpa de ter arrancado em combate, um braço a Nero, e apesar dos esforços de Dante, Trish, Lady, V e Nero. Ninguém o consegue deter, nem mesmo Dante transformado e acompanhado da espada Sparta. É nesse momento que obriga V a levar Nero para o salvar e teoricamente este ganhar a força e a experiência para derrotar Urizen. Para o conseguir Nero vai tentar eliminar as forças das raízes que vêm do subsolo e alimentam Urizen através do sangue humano, despachando alguns dos seus fieis escudeiros pelo caminho, mas a tarefa não será fácil mas será, é claro, épica!

Começamos com Nero e aprendizagem a um novo estilo de jogo, isto porque Nero tem agora um braço mecânico e com ele poderes específicos. Na verdade são alguns braços visto que podemos escolher o que mais nos der jeito e perante o inimigo, Overture tem um explosão e podemos surfar nele (how cool is that?!), Gerbera dá-nos um impulso extra, o Punch Line pode ser arremessado dando socos-foguete, Helter Skelter perfura escudos, o Tomboy aumenta o poder da espada Red Queen ou o Buster Arm que pode matar com um só golpe o inimigo; mas aquilo que percebemos é que facilmente teremos várias combinações e vários truques na manga. A nível de comandos, e em relação a Nero, já falarei de V, temos o ataque forte, o saltar e o disparar a nossa pequena Magnum, para além das teclas relativas aos braços com as quais podemos disparar o nosso Devil Trigger, o poder associado a esse braço, ataque normal com o braço em si que pode passar por lançá-lo e ficar automaticamente a bater no inimigo, ou “pescá-lo” com o gancho que temos também à disposição. Os combos são muitos e variados, a aprendizagem de todas as teclas e combinações não é fácil, mas têm um tutorial em que vão sendo dadas informações de como os executar. Para além disso podem sempre escolher o modo em que os combos são utilizados de forma automática, mas honestamente tira a piada toda e é apenas recomendado para aqueles que chegaram agora ao jogo.

Quanto a V, a jogabilidade é completamente diferente e inédita na saga, V sendo uma espécie de mago, tem como poder controlar as sombras, munido do seu livro de feitiços e acompanhado do seu Grifo falante, V pode utilizar o Grifo para disparar, pode utilizar a sua sombra em forma de pantera para atacar e ainda pode invocar o chamado Pesadelo, uma espécie de Troll Gigante, no entanto no corpo a corpo V é muito frágil, portanto os ataques são sempre controlados à distância pois apenas tem uma bengala que pode usar como “finisher”.

Tendo por base estas duas personagens e seguindo a lógica habitual da franquia vamos apanhar e “caçar” muitas orbs para desbloquear movimentos, ataques e poderes tanto em V como em Nero, o que dá uma boa dose de evolução e de aprendizagem, visto que vão ter que aprender os novos movimentos. Apesar de ser um jogo Hack and Slash existe uma componente de exploração bastante densa, no sentido de encontrar as missões secretas, onde temos de encaixar partes de diagramas utilizando a perspectiva, accionando os portais para as jogar, aí podemos adquirir as Orbs mais raras para os upgrades de poder e vitalidade. Para além disso existe ainda um modo chamado O Vazio, um campo de treinos para testarmos os talentos e técnicas.

Ainda não falei de Dante não foi?! Se calhar há reviews que nem vão falar dele… Mas nós vamos, será bem lá para à frente na história que vamos ter acesso a ele e mais uma vez com uma jogabilidade diferente das outras personagens. Desde logo temos um par de pistolas, a Ebony e Ivory e uma caçadeira, a Coyote-A que podemos mudar conforme prefiramos disparar a curto ou longo alcance, depois as técnicas de Dante dividem-se em quatro através dos botões direccionais podemos escolher entre Pistoleiro, Espadachim, Trapaceiro ou Guarda Real, e basicamente são os nossos Devil Tingers do Dante cada um com uma utilização especifica. Pistoleiro dá tiros poderosos com a arma equipada, Espadachim faz um ataque rotativo com a espada, Guarda Real, defende os ataques e Trapaceiro dá-nos a habilidade de fazer double dash. Para quem segue a franquia vai reconhecer a espada de Dante, a famosa Rebellion, mas também o Balrog, as luvas que nos tornam um Rocky demoníaco, podemos variar também os estilos com as luvas equipadas. Para além disso podemos utilizar o nosso poder demoníaco e nos transformarmos quando temos barras de energia para isso revitalizando a nossa energia ao mesmo tempo. As surpresas em relação a Dante não se ficam por aí, porque lá mais para a frente vamos ter a oportunidade de experimentar uma mota que se divide em duas, para além de queimar a cara dos inimigos com as suas rodas ainda podemos dar uma boleia demoníaca, simplesmente genial! Há ainda a “arma” mais estranha de sempre, um chapéu, sim um chapéu de cowboy chamado Dr. Faust que utiliza as orbs que colectamos para disparar, só mesmo vendo…

Para os menos familiarizados com a história podem ser ver um breve vídeo que está disponibilizado logo no ecrã inicial para compreenderem melhor a trama, caso tenham saltado algum capítulo, na nossa versão testada, a Deluxe, tivemos ainda acesso a 4 braços especiais para Nero, a banda sonora do jogo, uma forma diferente dos combos serem anunciados, e uma arma especial para Dante, a Cavaliere R.

A Capcom encontrou o seu rumo, e à boleia do RE Engine o novo motor de jogo que desenvolveu é capaz de dar gráficos soberbos, com uma qualidade invejável e efeitos nas texturas e na iluminação, algo que já tínhamos também visto no remake de Resident Evil 2, mas Devil May Cry V vem bater a bitola no sentido em que demonstra que é capaz de pegar num jogo de raíz e dar essa qualidade gráfica que muitos terão de acompanhar se quiserem sobreviver. Para além disso a estabilidade que oferece praticamente sem quebras de frames e especialmente sem loadings entre cut scenes e o jogo em si, demonstra a capacidade deste motor de jogo e aquilo que se espera alcançar com as consolas desta geração. Na Xbox One X, a versão que testámos, não encontrámos falhas, apenas babámos com a qualidade.

Devil May Cry V será visto no futuro como um marco para a Capcom, com o jogo que os fãs esperavam e com a qualidade que poucos achavam possível obter, foi pensado ao pormenor e isso compensou e de que maneira, é perfeito em qualidade e quantidade, o único problema que consigo encontrar é como a franquia poderá seguir depois disto.