Developer: Blizzard Entertainment
Plataforma: PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, Nintendo Switch, PC
Data de Lançamento: 11 de fevereiro de 2026

Nunca pensei que depois de tantos anos fosse testemunhar a chegada de uma nova expansão em Diablo II, que introduz uma nova classe jogável e alterações profundas ao endgame. Com a expansão Reign of the Warlock, a Blizzard Entertainment não fez apenas um acrescento simbólico para celebrar a longevidade de Diablo II, esta expansão mexe com as fundações do jogo e, mais importante ainda, respeita aquilo que sempre o tornou intemporal.

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A introdução do Warlock em Diablo II: Resurrected marca um momento histórico, sendo a oitava classe oficial do jogo e a primeira adição significativa em 25 anos. Desde o momento em que assumimos o controlo desta nova identidade, fica imediatamente evidente que não estamos perante uma simples variação de classes já existentes. O Warlock traz consigo uma personalidade única e um estilo de jogo que combina magia, invocação e combate corpo a corpo, oferecendo uma experiência que parece familiar na essência de Diablo II, mas ao mesmo tempo completamente nova.

O Warlock é, acima de tudo, uma classe híbrida, capaz de assumir múltiplos papéis conforme a nossa necessidade e estilo de jogo. Pode ser um poderoso summoner, invocando Goatmen, Tainted e Defilers, ou mesmo vinculando praticamente qualquer demónio encontrado em Sanctuary para ampliar as suas capacidades. Ao mesmo tempo, pode canalizar magia devastadora através de habilidades de fogo e efeitos de área, garantindo controlo sobre grandes grupos de inimigos. E, por último, possui ferramentas únicas para o combate corpo a corpo, manipulando armas com a mente e utilizando Hexes estratégicos para maximizar dano e eficiência. Esta multiplicidade de funções faz com que nunca nos sintamos limitados a um único estilo de jogo, permitindo combinações criativas e builds altamente personalizáveis.

Mais do que apenas versátil, o Warlock transmite uma sensação de complexidade e liberdade estratégica que poucas classes em Diablo II ofereceram. Cada decisão, seja escolher que demónio subjugar, que feitiço usar ou que Hex ativar em determinado momento, transforma o campo de batalha num puzzle dinâmico, onde planeamento, timing e improviso coexistem. Sentimo-nos constantemente desafiados a experimentar diferentes combinações de habilidades e a explorar alternativas entre invocações, magias e ataques corpo a corpo, criando uma experiência de jogo que recompensa a criatividade, o pensamento estratégico e a atenção aos detalhes.

É ao verificar mais detalhadamente as três árvores de habilidades do Warlock que percebemos facilmente a sua versatilidade. A primeira árvore, Chaos, é a porta de entrada para quem deseja experimentar o poder bruto da magia e do fogo. Miasma Bolt dispara um projétil sombrio que cria uma nuvem de entropia, causando dano contínuo aos inimigos. Miasma Chain, por sua vez, liga-te a um inimigo com correntes sombrias que geram uma nuvem de dano contínuo, permitindo controlar espaços do mapa e ditar o ritmo das batalhas. O arsenal inclui ainda habilidades de fogo clássicas, como Ring of Fire e Flame Wave, que permitem limpar multidões com precisão, enquanto Apocalypse desenha um pentagrama que explode com dano massivo, oferecendo tanto espetáculo visual quanto utilidade estratégica. Sigils — Lethargy, Rancor e Death — introduzem manipulação direta do comportamento inimigo, podendo desacelerá-los, provocar ataques uns contra os outros ou finalizar os mais feridos com explosões devastadoras. A Chaos é, portanto, ideal para jogadores que valorizam o controlo de multidões, dano em área e apoio estratégico em combates cooperativos.

A árvore Eldrich oferece uma abordagem radicalmente diferente, centrada no combate corpo a corpo e na manipulação de armas com a mente. Levitation Mastery aumenta dano, ataque e chance de crítico, enquanto Cleave e Echoing Strike permitem limpar áreas extensas com ataques calculados. Blade Warp cria movimentação ofensiva, lançando armas astrais e teleportando o jogador até ao ponto de impacto, enquanto Mired Blades e Echoing Strike permitem burst damage e controlo de alvos únicos. Temos ainda as Hex Bane, Hex Purge e Hex Siphon que adicionam opções mais táticas, enfraquecendo inimigos, provocando explosões ou drenando recursos vitais. Psychic Ward cria uma defesa mental que absorve dano e atordoa inimigos corpo a corpo, enquanto Eldritch Blast inflige dano mágico e renova Hexes ativos, oferecendo sinergia entre habilidades. Mirrored Blades cria cópias da nossa arma que atacam inimigos, aumentando o dano total de forma controlada. Eldrich é, acima de tudo, uma árvore que recompensa planeamento, timing e criatividade, permitindo experimentar combinações ofensivas e defensivas.

A árvore Demon é onde o Warlock realmente se transforma num comandante do campo de batalha. Invocar Goatmen, Tainted ou Defilers permite criar um exército versátil: Goatmen absorvem dano corpo a corpo, Tainted atacam à distância com bolas de fogo e Defilers partilham o dano entre os inimigos. Cada invocação pode ser potencializada por passivas e habilidades complementares, como é o caso do Demonic Mastery que aumenta o número máximo de demónios, além de melhorar velocidade, dano e ataque. O Blood Oath liga a vida do demónio à do Warlock, aumentando sobrevivência e resistência. As mecânicas de controlo são aprofundadas com Death Mark, que teleporta os demónios para atacar inimigos, o Blood Boil sacrifica vida dos demónios para causar explosões de fogo, e o Engorge alimenta os demónios com corpos para curar e os fortalecer. O ponto alto é Bind Demon que permite subjugar praticamente qualquer demónio encontrado no jogo, cada um oferecendo bónus únicos. A opção Consume transforma um demónio em poder temporário para o Warlock, aumentando vida, velocidade e outros atributos. Esta árvore exige decisões táticas constantes, tais como que demónio vincular, que demónio consumir e quando invocar aliados.

Com toda esta informação, é fácil perceber que o verdadeiro poder do Warlock emerge quando estas árvores se cruzam. Combinações híbridas permitem invocar aliados para nos proteger enquanto lançamos feitiços sobre os inimigos, alternando entre Chaos, Demon e Eldrich para maximizar dano, sobrevivência e controlo de área. A gestão dos demónios adiciona ainda mais complexidade, escolher entre invocar, vincular ou consumir, sincronizando essas ações com momentos críticos do combate, transforma cada batalha. Testar combinações, alternar entre invocações, Hexes, magias e ataques corpo a corpo cria uma experiência estratégica diferente que fará muitos jogadores, principalmente aqueles mais hardcores passarem muitas horas a testar builds e a potenciar o Warlock da melhor maneira.

Algo que também chegou com a nova expansão foram novos itens, como por exemplo os tomes de classe, itens exclusivos para o Warlock que funcionam como escudos e ao mesmo tempo oferecem habilidades únicas e passivas poderosas. Estes tomes introduzem a possibilidade de explorar combinações inéditas de equipamento que nunca seriam possíveis com as classes anteriores. Juntamente com os tomes, chegam novos sets específicos do Warlock, que oferecem bónus sinérgicos quando usados em conjunto, incentivando a experimentação e a criação de builds totalmente personalizadas.

Além disso, novas daggers foram introduzidas, agora capazes de ter habilidades exclusivas do Warlock, o que significa que até armas que antes seriam secundárias podem assumir papéis centrais na nossa build. Runewords adicionais aumentam ainda mais o leque de opções, permitindo criar armas e armaduras com propriedades únicas que se integram de forma natural às árvores de habilidades da classe. Gemas especiais também foram adicionadas, muitas delas com efeitos raros e distintos, oferecendo vantagens que podem alterar significativamente a forma como abordamos o combate ou a gestão dos nossos demónios.

Quanto aos Sunder Charms foram completamente reimaginados, tornando-se mais raros e mais poderosos, e exigindo decisões cuidadosas sobre quando e como utilizá-los para maximizar o potencial da nossa build. Para além disso, vários ajustes a itens antigos foram implementados, corrigindo desequilíbrios que existiam no jogo.

O endgame de Diablo II: Resurrected – Reign of the Warlock recebeu uma reformulação profunda com a introdução de Terror Zones, oferecendo uma experiência dinâmica e estratégica que vai muito além do grind tradicional. Estas zonas foram concebidas para mudar a cada 30 minutos, com afixos específicos nos monstros que alteram radicalmente a forma como devemos abordar os combates. Além disso, a adição de shards permite que agora possamos colocar em modo terrorized um acto inteiro à nossa vontade, devolvendo parte do controlo que antes estava entregue ao servidor. Desta maneira, podemos dizer que o endgame está agora ainda mais interessante, onde a preparação para saltarmos para aqueles locais torna-se de certa maneira quase obrigatória.

Dentro destas zonas, os Heralds elevam o nível de desafio, perseguindo-nos com poder crescente a cada encontro. Não se trata apenas de aumentar o dano ou a vida dos monstros, mas de introduzir padrões de comportamento e habilidades que exigem adaptação constante. Cada confronto com um Herald é um teste não apenas de poder, mas de timing, posicionamento e gestão de recursos. O loot também foi significativamente melhorado, recompensando-nos por aceitar o risco e estimulando uma abordagem mais estratégica, especialmente em grupos onde a coordenação pode determinar a diferença entre sucesso e derrota.

O verdadeiro culminar do endgame está nos Colossal Ancients, para termos acesso a esta batalha é necessário conquistá-la passo a passo. Primeiro, é necessário derrotar os bosses principais — Andariel, Duriel, Mephisto, Diablo e Baal — quando os seus respetivos atos estão em modo terrorized. Só nessas condições cada um tem a possibilidade de deixar cair a sua estátua específica, obrigando-nos a enfrentar e vencer os cinco sob dificuldade acrescida.

Depois de reunidas as cinco estátuas, o ritual continua fora do campo de batalha. É necessário combiná-las no Horadric Cube, e é essa combinação que abre um portal para uma área exclusiva onde este confronto nos aguarda. Este momento cria uma sensação clássica de Diablo, preparar os ingredientes certos, ativar o artefacto e ver o portal surgir como promessa (ou ameaça) do que está por vir.

Ao atravessar o portal, encontramos o Altar of the Heavens. Basta interagir com ele para que o verdadeiro teste comece. De imediato surgem os três Colossal Ancients, cada um ligado a um elemento distinto: fogo, gelo e eletricidade. A luta inicia-se sem transições ou fases de preparação – é caos imediato e total. A arena enche-se de efeitos elementais, obrigando a uma leitura constante do espaço, posicionamento cuidadoso e gestão rigorosa de resistências.

A mecânica que eleva este encontro acima de um simples boss fight é o escalonamento de poder. Sempre que um dos Ancients cai, os dois restantes tornam-se mais fortes e com novas habilidades. A ordem de eliminação deixa de ser uma escolha óbvia e passa a ser uma decisão estratégica central. Eliminar primeiro o mais problemático para a nossa build pode significar enfrentar os dois sobreviventes numa versão amplificada, deixar o mais perigoso para o fim pode resultar numa fase final brutal e quase imparável. O que foi algo que achei muito interessante.

A expansão não se limita a acrescentar conteúdo desafiante ao endgame, também trouxe alguma modernização ao jogo com um conjunto de melhorias de qualidade de vida que muitos jogadores pediam. Uma das adições mais impactantes é a introdução de Loot Filters integrados diretamente no jogo. Em vez de depender de soluções externas, passa a ser possível personalizar o que vemos no chão, ajustar níveis de destaque, esconder itens irrelevantes, entre outras possibilidades.

As Advanced Stash Tabs representam outra adição muito significativa. O sistema de stash foi expandido com novas abas dedicadas, capacidade de empilhamento para gemas, runas e outros materiais, além de ferramentas de organização mais eficientes e hotkeys para navegação rápida. A gestão de inventário, que sempre foi parte da identidade de Diablo II, mantém o seu peso estratégico, mas deixa de ser frustrante.

Por fim, o Chronicle, uma funcionalidade que certamente agradará aos jogadores mais hardcore. Trata-se de um registo account-wide que acompanha todos os itens encontrados ao longo do jogo, criando uma espécie de arquivo histórico pessoal. Cada descoberta passa a ficar registada com a data de quando aquele item foi encontrado, mais uma maneira de incentivar os jogadores a andar à caça de itens raros não apenas para os ter, mas também pela sensação de completar uma coleção.

Diablo II Resurrected – Reign of the Warlock demonstra uma ousadia rara, expandir um clássico intocável como Diablo II sem comprometer a sua essência. A introdução do Warlock, as melhorias de qualidade de vida, desde Loot Filters a Advanced Stash Tabs e Chronicle, mostram que a Blizzard estava atenta aos pedidos da comunidade, sem descaracterizar a experiência clássica. Além disso a reformulação do endgame, especialmente com os Colossal Ancients, irá certamente prender os fãs do jogo durante muito mais horas. Podemos dizer sem problemas que esta introdução aprofunda o universo de Diablo II sem reinventá-lo, tornando a experiência mais rica, complexa e gratificante

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Rui Gonçalves
Desde o tempo do seu Spectrum+2 128k que adora informática. Programador de profissão nunca deixou de lado os jogos, louco por RPGs e jogos de futebol. Adora filmes de acção e de ficção científica, mas depois de ver o Matrix nunca mais foi o mesmo.
analise-diablo-ii-resurrected-reign-of-the-warlock<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #339966;">SIM</span></strong></h4> <ul> <li style="text-align: justify;">Warlock extremamente versátil</li> <li style="text-align: justify;">Endgame mais desafiante</li> <li style="text-align: justify;">Melhorias de qualidade de vida</li> </ul> <h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff0000;">NÃO</span></strong></h4> <ul> <li style="text-align: justify;">Complexidade elevada para novos jogadores</li> <li style="text-align: justify;">Algumas mecânicas pouco intuitivas</li> </ul>

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