Developer: id Software, Bethesda Softworks
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4 e PC
Data de Lançamento: 20 de Março de 2020

Depois do adiamento de DOOM Eternal em Novembro passado, a desilusão deu lugar a uma certeza de que iríamos ter o jogo com a qualidade que todos desejávamos. E chegada finalmente a altura do seu lançamento, confirma-se: valeu bem a pena esperar.

O sucesso do reboot lançado em 2016 abriu uma janela para o potencial que esta nova abordagem prometia atingir. DOOM Eternal não só aproveita os mesmos conceitos do anterior, como adiciona várias novidades que o colocam no pódio dos melhores shooters desta geração.

Quando pensamos no DOOM Slayer imaginamos uma força imparável que chegou para castigar o mal da forma mais impiedosa e dolorosa possível. Em DOOM Eternal conhecemos provavelmente o expoente máximo do seu poder – mas agora ainda mais cruel, sangrento e brutal.

A história de DOOM Eternal tem lugar anos depois do seu antecessor, com os agentes do Inferno a trocarem Marte pela Terra, onde já conquistaram mais de metade do planeta. Com a população terrestre a ser rapidamente dizimada, somente o DOOM Slayer será capaz de inverter a situação e salvar a espécie humana, atropelando quem ousar colocar-se no seu caminho.

Para isso, teremos de encontrar e exterminar os três Hell Priests: aqueles que são apontados como os rostos responsáveis pela invasão. Sendo que logo no começo da história, o primeiro Hell Priest tem o pequeno azar de se cruzar com o DOOM Slayer, servindo de exemplo e aterrorizando as duas restantes entidades, que assistem à distância ao seu inevitável e fatídico destino.

O seu fundamental é o mesmo. O ritmo frenético do combate, capaz de fazer suar as mãos e causar arritmias; o gore e as animações violentas das Glory Kills; a atmosfera e os cenários fantasmagóricos incrivelmente detalhados; e a banda sonora, de um fantástico metal industrial que nos impele a cavalgar sedentos daquele sangue demoníaco.

Porém, existem várias coisas novas e que vão mudar a jogabilidade drasticamente. A mecânica da Chainsaw e das Glory Kills mantém-se, proporcionando energia e munições extra, mas agora junta-se também o Flametrower, que rouba Armor do inimigo. Esta é a base do combate e cria uma dinâmica de agressividade que nos obriga a procurar matar os demónios da maneira que corresponda às nossas necessidades mais urgentes.

O combate está ainda melhor, no entanto, também mais difícil e complexo, o que requer alguma adaptação. Todos os inimigos têm pontos fracos e convém sabê-los, porque alguns são realmente complicados de ultrapassar, especialmente o temível Marauder.

O sentido estratégico de DOOM Eternal é o mais elevado de todos os jogos da franquia. Temos de combinar as armas e os mods mais indicados, com a utilidade das granadas, do Flametrower, da Chainsaw e Glory Kills; identificar as fraquezas de quem atacamos naquele instante, e sempre em constante movimento, tirando partindo das plataformas espalhadas pelo terreno.

Por sentirmos ter um número quase infinito de opções, o combate ganha uma fluidez que nenhum outro shooter consegue igualar. E se no começo será frequente alguma atrapalhação, quando começamos a dominar todos os aspectos da jogabilidade, fica absolutamente viciante.

As novidades são imensas no campo dos upgrades e abrangem tanto as armas como o fato. Aliás, são tantas coisas novas, que chegamos a sentir-nos algo perdidos até absorvemos toda a informação. Contudo, a ideia é personalizarmos o DOOM Slayer da maneira que mais encaixa no nosso estilo. Um bom exemplo são as Runes, em que só podemos equipar três, e vai desde desacelerar o tempo enquanto estamos no ar, a tornar as Glory Kills ainda mais poderosas.

Mas há mais, como uma granada especial que congela os inimigos, e tal como a granada básica, pode igualmente ser melhorada através do menu do fato, assim como outros elementos, que incluem uma melhor exploração dos mapas, resistência a certo tipo de dano e outras vantagens relacionadas com a mobilidade.

As armas são praticamente as mesmas, mas as alterações proporcionadas pelos Mods e pelas Masteries fazem com que o jogo se transforme a cada upgrade, oferecendo uma sensação de poder que só tem tendência a crescer. A vastidão do arsenal é inacreditável.

Para ajudar a desbloquear conteúdo temos os Mission Challenges, que conforme vamos completando recompensam-nos com pontos para melhorar o nosso DOOM Slayer, ou com Sentinel Batteries para restabelecermos o poder da Fortress of DOOM (a nossa base de operações), ganhando acesso a novas armas e upgrades.

Ao Double Jump junta-se o Dash, que nos permite esquivar rapidamente aos ataques do inimigo. Agora também podemos escalar certas estruturas e lançar-nos de plataforma em plataforma. No mesmo campo, temos ainda o Meat Hook da Super Shotgun que usamos para nos movermos rapidamente em direcção às vítimas, e que tanto serve para agredir os inimigos, como para escapar de posições desvantajosas.

Simplesmente não dá para parar de jogar. É muito provavelmente a melhor campanha de um título DOOM, tanto em qualidade como em longevidade. O sistema de progresso foi pensado ao pormenor e leva-nos a querer explorar cada canto do mapa à procura de secrets, upgrades e easter eggs.

Também existe um interessante modo multiplayer chamado Battle Mode. Foi uma ideia realmente original por parte da ID Software e consiste em opor dois demónios controlados por humanos contra um Demon Slayer, comandado por outro jogador. Precisa de alguns ajustes, até porque ainda é um pouco desequilibrado em favor dos demónios, todavia, as partidas normalmente são intensas e divertidas, funcionando como um jogo do gato e do rato.

Em relação à parte gráfica, apenas podemos dizer que está fantástico. Usa o ID Tech 7 como motor de jogo, e é uma excelente demonstração da sua capacidade, seja na qualidade das texturas, como na optimização. Não notámos quaisquer quebras de performance, o que é espantoso num jogo com esta velocidade e com tamanha quantidade de objectos e animações.

A banda sonora dispensa apresentações, e é incrível a injecção de adrenalina que o metal composto por Mick Gordon provoca durante o combate. Quando o tom da música acelera é como se algo despertasse em nós, tal e qual uma força que tem o poder de nos transportar para a fúria do DOOM Slayer.

DOOM Eternal não é só mais um jogo. É o auge de uma das sagas mais duradouras de que há memória nos videojogos. Além de reunir todas as principais características dos seus antecessores, o mais recente título da série consegue ainda dar um passo em frente, definindo o que podemos esperar e exigir de uma futura sequela.

Um clássico instantâneo.