Developer: Square Enix
Plataformas: PlayStation 4, Nintendo Switch
Data de Lançamento: 12 de Julho de 2019

Assim que falamos em Dragon Quest, o que nos vem imediatamente à memória são os magníficos RPG que a Square Enix sempre nos habituou. Uma franquia que é uma referência para muitos jogadores e que é sinónimo de qualidade e de diversão. Com a loucura por Minecraft, a empresa decidiu criar um novo jogo que fazia a junção entre os habituais RPGs e a loucura pela criação por blocos. E em 2016 surgiu Dragon Quest Builders.

Esta nova franquia veio por isso preencher uma vaga em aberto, isto é, uma espécie de Minecraft mas com objectivos e missões, com detalhes gráficos bastante melhorados, e claro, com o selo de qualidade da Square Enix. Dragon Quest Builders 2 surge três anos depois do primeiro ser lançado, e consegue oferecer aos jogadores a mesma diversão do primeiro, tendo adicionado novidades e conseguindo melhorar o que já era bom.

A história do jogo é bastante simples, o nosso personagem (que podem personalizar, sexo, cor de cabelo, cor de pele e cor da roupa) está aprisionado num barco, provavelmente para ser executado como foram todos os construtores daquele mundo. Ao longo da viagem de barco somos obrigados a fazer algumas tarefas (basicamente grande parte do tutorial do jogo) até que uma súbita tempestade acaba por afundar o barco. É aí que iremos acordar numa ilha, sendo salvos por Malroth, que se tornará no nosso grande companheiro nesta aventura e será um lutador e ajudante precioso. Imita-nos em quase tudo, como cortar árvores, apanhar itens e a lutar.

É nessa mesma ilha que teremos as nossas primeiras missões, e onde vamos ter de construir um pequeno quarto. Além de aprendermos a cozinhar, vamos também aprender como destruir, apanhar e reconstruir objectos. Tudo isto irá servir para perceberem as acções básicas de Dragon Quest Builders 2, para depois disto passarmos para uma nova ilha, e é aqui que começa o jogo verdadeiramente.

Nesta nova ilha teremos a primeira surpresa de Dragon Quest Builders 2, falo da componente de agricultura. Agora é possível cultivarmos diversas coisas: alfaces, trigo, cana de açúcar entre outras coisas. Para isso precisamos de construir campos de cultivo, tal como um sistema básico de rega e sementes. Essas sementes, como devem imaginar, serão obtidas através de missões, e esta é outra das componentes que não nos podemos esquecer: a componente RPG do jogo. As missões variam bastante, desde a exploração para encontrar pessoas ou itens, a construções que nos pedem (como quartos ou pequenas casas); no entanto, mais para a frente, serão necessárias construções muito mais elaboradas – e não querendo estragar surpresas, acredito que vão surpreender-se com o tamanho de algumas das construções que eventualmente vos irão pedir.

Além das missões, o nosso personagem vai subindo de nível, melhorando os seus stats, assim como aprendendo novas construções. Além disso, as vilas ou aldeias onde vivemos também têm a possibilidade de serem melhoradas e subirem o seu nível. Para isso teremos de ajudar os seus habitantes, seja em construções, seja na realização de pedidos. Tudo isso servirá para a sua felicidade, e será essa felicidade que nos permitirá evoluir a aldeia. Essa felicidade é mostrada através de corações que eles vão deixando cair e nós teremos de colectar.

Falando em construções, tal como no jogo anterior, existem plantas para construção de determinados edifícios. Essas plantas foram melhoradas e agora é possível ver ao detalhe cada item que temos de colocar em determinados locais para a construção ficar finalizada; isso acontece quase com uma espécie de filtro que podemos escolher, sendo que nos é mostrado o local exacto onde temos de colocar determinado item.

Os meios de transporte são algo que também não podemos deixar de falar, e o que nos chama instantaneamente a atenção é o parapente que vão obter mais para à frente. Para quem conhece, lembrar-se-á do parapente que Link usa em The Legend of Zelda: Breath of the Wild, e que nos ajuda a percorrer longas distâncias e até a efectuar ataques especiais. E além do parapente, também poderão percorrer as ilhas de carro, que apesar de serem mais limitados pelo ar, possuem ainda assim a capacidade de saltar pequenos blocos de terra.

Quanto à componente multiplayer – que provavelmente é das coisas que mais entusiasmaram os jogadores quando o jogo foi anunciado –, pode ser jogador localmente, ou com amigos em modo online. Até aqui tudo óptimo, porém, esta opção não estará disponível no início do jogo, muito pelo contrário, porque só depois de diversas horas de jogo é que ficará disponível. Algo que me deixou verdadeiramente decepcionado, já que é um daqueles jogos que jogado com amigos é muito, mas mesmo muito mais divertido. Seja como for, fiquem a saber que vão conseguir convidar os vossos amigos para a vossa sessão. Outra das componentes online e que estará disponível logo desde o início do jogo é a possibilidade de tirarem fotos aos vossos cenários e partilhar com o resto dos jogadores espalhados pelo mundo, e aqui, os jogadores que têm problemas com os spoilers têm de ter imenso cuidado para não descobrirem antes do tempo aquilo que não querem.

Algo que não nos podemos esquecer e até deixei propositadamente para último, é o combate. Isto porque embora este seja um jogo em que vão ter de combater e até derrotar alguns bosses enormes e que vos darão algum trabalho (devido ao pouco dano que lhes dão e à quantidade de vida que estes têm), a verdade é que o combate é simples e básico. Felizmente vão aprender algumas habilidades que vos ajudarão a dar mais dano, mas que terão de ser usadas no tempo certo, já que são um pouco lentas para executar. Para vos ajudar terão as armas que podem construir e que darão mais dano, além de poderem criar armas e oferecer a alguns dos habitantes da vossa aldeia, como a Malroth, por exemplo.

Graficamente, Dragon Quest Builders 2 está óptimo. Os personagens têm um design incrível, mas isso já sabemos a razão, o mestre Akira Toriyama (bem conhecido por ser o criador de Dragon Ball) foi um dos criadores dos personagens. Além disso, as nossas criações como armas e itens também não se ficam pelos cubos e têm uma forma bem definida e com um excelente detalhe.

A banda sonora continua boa, mas sem nada que nos faça dar grande enfâse a este ponto. Os jogadores da franquia Dragon Quest provavelmente vão conhecer facilmente algumas músicas assim como alguns sons, como por exemplo o famoso som de quando matamos os nossos inimigos ou de quando concluímos alguma missão.

Para concluir, Dragon Quest Builders 2 é uma excelente mistura de RPG de acção, construção e agora também de agricultura. Conseguirá agradar os fãs de RPG, assim como os fãs de construção. Oferece também objectivos, que é aquilo que muitos jogadores se queixam em Minecraft. Logo consegue trazer aos jogadores o melhor dos dois mundos. A mim convenceu-me e já perdi a conta às horas que passei neste jogo.