Developer: Square Enix
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 27 de Setembro de 2019

Foi há cerca de um ano atrás que tive a oportunidade de jogar Dragon Quest XI: Echoes of an Elusive Age, e acreditem que este é um dos melhores JRPG que podem encontrar no mercado. Além de ser provavelmente o melhor, ou um dos três melhores jogos da franquia Dragon Quest que podem encontrar.

Foi com muita pena que os jogadores da Nintendo viram o jogo ser lançado noutras plataformas à excepção da Switch, mas a verdade é que um ano depois, aí está a versão do jogo para a híbrida da Nintendo. E valeu a pena a espera, visto que até teve direito a uma adição impressionante.

Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition (nome com o qual é recebido na Nintendo Switch) conta a história de um bebé que é vitima de uma tentativa de assassinato falhado. Isso acontece porque este bebé é a reencarnação do Luminary. Neste sentido, de maneira a salvá-lo, a sua mãe coloca-o num cesto e foge com ele. Sendo que durante a perseguição pela floresta, o bebé acabará por ir parar a um rio e salvo por um velhote.

Junto com o bebé e o cesto vinha uma carta que contava exactamente quem era esta criança, as suas origens e o que ele teria de fazer um dia mais tarde. Sabendo isso, este velhote e a sua esposa iram cuidar desta criança como se fosse sua, até este atingir a idade adulta e um dia mais tarde poderem revelar-lhe toda a verdade. Passam-se vários anos e é quando o nosso personagem já é um jovem adulto que o jogo começa, sendo exactamente para comemorar este feito que na aldeia de Cobblestone – local onde foi criado – que teremos de subir uma colina junto da sua amiga Gemma e irão acontecer diversas peripécias, como lutar contra algumas criaturas. Pela primeira vez, o poder do nosso jovem revela-se, já que a marca que este tem na sua mão irá irradiar uma luz e um enorme raio cai do céu, salvando os dois amigos.

Esta é a altura que percebemos que tudo mudará a partir daquele momento, forçando a sua mãe adoptiva a contar a sua verdadeira origem e que ele é a reencarnação do Luminary. Dá-lhe um colar que vinha junto com o seu cesto quando foi encontrado e manda-o falar com o rei. A partir daqui, terão de ser vocês a descobrir o resto.

Embora o nosso personagem seja a “estrela da companhia”, a aventura será quase sempre passada com outros personagens. Nesta jornada vão encontrar diversos personagens que vos ajudarão e terão um papel importante. As classes de personagens que vão encontrar é vasta, temos por exemplos os healers, feiticeiros, daggers, fighters entre outros. O objectivo é também vocês encontrarem o que será melhor para vocês em determinada fase do jogo. E não fugindo ainda aos diversos personagens que vamos encontrando, algo que certamente vos fascinará, é a sua personalidade, já que cada uma é realmente distinta, e isso está bastante presente em toda a aventura.

Quanto à jogabilidade, aqui teremos de nos dividir, ou seja, a versão da Nintendo Switch de Dragon Quest XI oferece algo inédito, isto é, além de ser possível jogar o jogo totalmente 3D agora existe a possibilidade de jogá-lo também em 2D. Começando pelo 3D, aqui vão encontrar a melhor jogabilidade que já viram nesta franquia. O personagem desloca-se livremente pelo mapa, salta, anda de cavalo, pode conversar com os personagens da sua party, entre outras coisas. Já a versão 2D é uma adição bastante gira, lembra-nos RPG’s mais clássicos em 2D, torna o jogo mais rápido também, já que nos deslocamos mais rapidamente e ficamos com a sensação de que o mapa também reduz. O grande problema neste modo é mesmo as cutscenes que desaparecem, e por vezes ficamos sem perceber o que aconteceu. Um dos exemplos disso é a cutscene em que se vê o raio a cair do céu e a mão do nosso personagem a irradiar luz. A essa cutscene nunca terão acesso (jogando em 2D), tornando esta hipótese do 2D um pouco sem graça, sem falar que as vozes dos personagens desaparecem.

Seja em 2D ou 3D, uma das mecânicas clássicas dos jogos Dragon Quest regressou, e tanto os padres, como os santuários, servem para salvar o jogo e até para fazerem o “switch” entre o 2D e 3D. Existem também as estátuas e até as fogueiras onde podemos revitalizar as nossas energias, criar equipamentos, armas armaduras e as jóias. E se falamos em criações, teremos de falar do sistema de crafting de Dragon Quest XI, que além de incrível, vão ter de encontrar recipes para as fabricar, além dos materiais necessários para tal. Esses materiais vão poder ser encontrados explorando o mapa ou comprando em loja, e para isso vão precisar de dinheiro. Quando chega o momento do fabrico, terão um sistema cujo objectivo é acertar na temperatura ideal, e atingindo isso, vão conseguir uma arma com excelentes status. Caso não consigam ser tão certeiros na temperatura, então a arma não terá status tão bons. Existe também a possibilidade de melhorar os equipamentos e neste caso o sistema é idêntico a anterior.

Quanto às habilidades e progressão dos personagens, como acontece como na maioria dos JRPG, as batalhas dão-nos XP que vão melhorando os membros da nossa party. Quando atingimos o limite da barra de progresso, o personagem em questão sobe de nível e a barra reinicia-se. Essa subida de nível irá oferecer-nos pontos de habilidades que servirão para desbloquear habilidades e melhoramentos na skill tree e cada personagem tem algumas habilidades únicas com uma skill tree própria.

O combate é por turnos, mas se jogarem em modo 3D podem movimentar o vosso personagem dentro da área de combate, enquanto que no modo 2D, apenas conseguem ver os inimigos. Os combates estão muito bons, sendo possível comandar toda a party ou dar apenas instruções do que devem fazer os nossos companheiros. Como disse anteriormente, é importante conhecerem a fundo a vossa party, assim como saber quando e como usar as habilidades. Existem combates bastante simples e fáceis, mas outros com um grau de dificuldade elevado, nesse caso é importante comandarem vocês todos os personagens.

Embora o início da história seja bastante cliché e até muitas das coisas que aconteceram também sejam bastante previsíveis, a verdade é que mesmo assim o jogo consegue surpreender-nos em muitos pontos. O tempo de jogo também será longo, e se gostam de explorar e conhecer tudo, andar por todos os pontos do mapa e conhecer todos os cantos das cidades, acreditem que no mínimo 70 horas de jogo é o que vos espera. Se forem daqueles jogadores que o que interessa é a história principal, então provavelmente ficarão pelas 50/60 horas de jogo.

Saltando agora para a parte gráfica, terei de dividir em três partes, isto é, o modo portátil em 3D, o modo dock em 3D e claro o modo 2D. Avançando já para o modo 2D, este apresenta-se todo em pixel art, e como já havia referido mais atrás, as cutscenes desaparecem e fica transformado num RPG clássico. Falando do modo 3D em modo portátil, devo dizer que fiquei impressionado – o jogo apresenta gráficos muito interessantes, tudo muito bem desenhado, com muita cor, luz e com vários detalhes. As cidades, o campo, as grutas, os castelos, tudo está incrível. Os monstros que teremos de derrotar têm a mão de Akira Toriyama (o criador de Dragon Ball), daí muitos dos estilos serem bastantes familiares. Já no 3D em modo dock, aí as coisas mudam um pouco de figura. Não que o jogo não continue bonito e cheio de luz e cor, mas já se nota que o detalhe gráfico perde bastante qualidade, principalmente se tiverem jogado o jogo na PlayStation 4.

Saltando agora para a componente sonora, temos de dizer que está incrível. Começando pelas músicas, que estão dentro do estilo habitual ao qual a franquia já nos habitou, sendo que até nos faz ter aquela nostalgia relativamente a outros jogos. Não posso também deixar de falar dos diálogos, que estão excelentes; os personagens com diferentes sotaques, a maneira que falam muito adequado aos diversos personagens; está uma adaptação muito boa.

Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition é sem dúvida alguma uma excelente entrada na Nintendo Switch. É um dos melhores JRPG que podem encontrar para a consola da Nintendo, oferece muitas horas de jogo, uma excelente jogabilidade, bons gráficos (principalmente em modo portátil) e uma boa aventura. É imprescindível para fãs de Dragon Quest, principalmente se ainda não o tiverem jogado.

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