Developer: Omega Force, Koei Tecmo
Plataforma: PC, Xbox Series X|S, PlayStation 5
Data de Lançamento: 22 de janeiro de 2026

Saber da chegada de algo novo à franquia Dynasty Warriors é sempre motivo de entusiasmo. Desde o anúncio de Visions of Four Heroes, o novo DLC prestes a chegar a Dynasty Warriors: Origins, que a vontade de o jogar foi imediata. Não apenas por tudo o que o jogo original representou, um dos melhores títulos da franquia, senão mesmo o melhor de sempre, mas sobretudo pelo que esta expansão prometia acrescentar. A ideia de explorar histórias alternativas centradas em figuras icónicas como Zhang Jiao, Dong Zhuo, Yuan Shao e Lu Bu, recorrendo ao cada vez mais popular conceito de “what if”, despertou desde logo aquela curiosidade inevitável de imaginar como estas personagens poderiam ter evoluído caso fosse eles os protagonistas da narrativa principal.

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A aposta nos cenários “what if” é, sem dúvida, um dos grandes trunfos de Visions of Heroes. Jogar ao lado destas quatro figuras históricas oferece uma perspectiva completamente diferente sobre acontecimentos que, no jogo base, pareciam muitas vezes inevitáveis. Cada uma das novas campanhas apresenta momentos inéditos, decisões alternativas e diálogos que aprofundam a personalidade e as ambições destas personagens. Como as histórias não são particularmente longas, não faz sentido entrar em grandes detalhes ou revelar acontecimentos específicos, mas é verdadeiramente interessante perceber como tudo poderia ter sido diferente caso estas figuras tivessem assumido outro protagonismo na história dos Três Reinos.

Mais do que mudar eventos, estas narrativas permitem-nos compreender melhor o pensamento e as motivações de cada personagem quando estamos do seu lado. No caso de Zhang Jiao, sente-se um forte peso ideológico e espiritual nas suas ações, quase como se existisse um receio constante em relação ao futuro e às consequências das decisões tomadas. Dong Zhuo, por sua vez, apresenta-se aqui sob uma luz diferente, deixando de ser apenas a figura tirânica clássica para surgir como alguém moldado pelo caos da época, forçado a endurecer para sobreviver e impor-se num mundo em colapso. Yuan Shao ganha uma dimensão estratégica mais vincada, revelando-se um líder mais calculista e consciente do seu papel, enquanto Lu Bu, como seria de esperar, continua dominado pela sua natureza guerreira. Ainda assim, surgem nuances que o tornam mais humano e contraditório, mantendo aquela aura de guerreiro lendário que bem conhecemos, não tanto movido por ambições políticas ou pelo desejo de marcar a história, mas simplesmente pela necessidade de provar, no campo de batalha, que é um dos maiores guerreiros de sempre.

Aliado a esta aposta nas histórias alternativas, surgem também novos aliados que ajudam a dar ainda mais peso às campanhas. Em alguns casos, estas adições servem sobretudo para reforçar a narrativa e a jogabilidade, como acontece com Diaochan, que está de regresso e assume um papel relevante na campanha em que entra. Já Zhuhe, que na história original tinha apenas uma importância a nível narrativo, agora destaca-se como uma adição verdadeiramente sólida à jogabilidade. Para além de partilhar o estatuto de Guardiã da Paz com o nosso protagonista, integra-se de forma natural tanto na narrativa como, sobretudo, nos combates, onde se revela uma presença bastante eficaz. No total, são três novos aliados, sendo que o terceiro prefiro deixar como surpresa, até porque a forma como surge numa das campanhas acaba por ser parte do impacto. Neste aspeto, é justo dizer que Visions of Four Heroes foi claramente pensado para ser jogado na sua totalidade, já que cada uma das quatro campanhas consegue oferecer não só histórias diferentes, mas também pequenas surpresas que ajudam a manter o interesse do jogador do início ao fim.

Passando para a jogabilidade, Visions of Four Heroes mantém todos os alicerces que fizeram de Dynasty Warriors: Origins um enorme sucesso, mas introduz algumas mudanças importantes. Desde logo, é essencial perceber que tudo o que têm do jogo original vos acompanha neste DLC, mas o inverso nem sempre acontece. Um exemplo disso é a nova skill tree introduzida com esta expansão, que não ficará disponível caso regressem à história principal. Já o nível da personagem, esse sim, mantém-se de forma consistente entre conteúdos. Uma das alterações mais relevantes prende-se com o equilíbrio das batalhas, que agora se adaptam ao nível do jogador. Deixa de ser comum entrar em confrontos onde se limpam grupos inteiros de inimigos com um único golpe apenas por estarmos demasiado overpower, o que contribui para um desafio mais equilibrado e satisfatório.

Outra das grandes novidades passa pela introdução de duas novas armas, o Arco e o Rope Dart, que vão sendo desbloqueadas à medida que se avança nas campanhas. Sem entrar em detalhes sobre a ordem em que joguei as histórias, posso dizer que, na primeira campanha que completei, apenas desbloqueei o Rope Dart já perto do final, enquanto o Arco surgiu logo numa segunda campanha, bastante mais cedo. Isto faz com que a própria ordem escolhida para jogar as campanhas possa influenciar o momento em que se tem acesso a estas novas armas, algo que acaba por trazer alguma surpresa na nossa progressão.

Quanto às armas em si, ambas alteram de forma clara a maneira como enfrentamos os inimigos. O Arco permite uma abordagem mais controlada e estratégica, possibilitando ataques à distância sem abdicar do combate corpo a corpo típico da série. Já o Rope Dart aposta fortemente na mobilidade e na fluidez, proporcionando combates mais dinâmicos, cheios de movimentos rápidos e ataques encadeados que recompensam o domínio do ritmo de jogo. Posso dizer que, no jogo original, a minha arma preferida era o Staff, mas depois de testar o Rope Dart, tornei-me rapidamente um grande fã. Não é que as restantes armas não tenham valor, todas oferecem algo único, mas tanto o Staff como agora o Rope Dart são aquelas que melhor transmitem a sensação de liberdade e impacto que tanto aprecio num musou.

Continuando a falar das armas, o DLC traz também mais dois níveis de proficiência para cada uma delas, bem como novas Battle Arts. Estas adições são extremamente bem-vindas, sobretudo porque incentivam a experimentar as novidades introduzidas e a explorar combinações diferentes. Para além de reforçarem a sensação clara de progressão e aumento de poder do personagem, funcionam como um convite constante à experimentação, algo essencial num DLC que aposta tanto na diversidade de estilos de combate. A nova skill tree permite-nos aumento quer de vida do personagem, força assim como defesa, entre outras adições, mas diria que estas três são as mais importantes.

A nova base de operações passa agora a situar-se numa estalagem, que funciona como um verdadeiro centro de preparação entre batalhas. É aqui que encontramos a Shop, onde podemos adquirir novas armas e itens úteis para os confrontos, mas também o Training Ground. Neste espaço temos acesso a vários desafios, alguns focados nas diferentes armas do jogo e outros em áreas de combate específicas, com objetivos bem definidos e recompensas associadas. Existem ainda batalhas realizadas diretamente no local de treino, pensadas para testar as nossas capacidades ao limite. Fica rapidamente claro que, apesar de nenhuma das campanhas ser particularmente longa, Visions of Four Heroes oferece uma quantidade significativa de conteúdo paralelo. Para quem é fã de musous, isto acaba por ser verdadeiramente entusiasmante, até porque muitos destes desafios conseguem ser bastante exigentes.

Algo que também continua presente no jogo são as missões secundárias. Estas surgem na nova base de operações, onde, ao falarmos com alguns NPCs, somos convidados a cumprir determinados objetivos específicos. Estes pedidos passam, por exemplo, por derrotar um certo número de inimigos com uma arma concreta, utilizar uma Battle Art um número definido de vezes, entre outros desafios semelhantes. No fundo, este sistema segue exatamente a mesma lógica do jogo original, funcionando como uma forma adicional de ganharmos pontos para gastar na nova skill tree deste DLC.

Por fim, há uma novidade que não pode ficar de fora: as Strategic Battles. Estas surgem ao longo das campanhas em mapas onde aparecem vários batalhões espalhados pelo terreno, sendo apresentado um valor que representa a força total da nossa aliança e outro, sempre superior, correspondente às forças inimigas. Para desbloquear a batalha final, é necessário reduzir a força do inimigo até um determinado valor, o que na prática significa eliminar todos os batalhões inimigos presentes, com exceção daquele que representa o confronto decisivo.

Este modo funciona por turnos, sendo que cada turno corresponde a uma ação realizada por cada um dos batalhões no mapa. Quando é o nosso batalhão a agir, entramos numa batalha em tempo real, tal como acontece no restante jogo. Já os batalhões controlados pelo CPU possuem uma espécie de barra de vida, que representa a força restante desse batalhão, seja ele inimigo ou pertencente à nossa aliança. Para além das batalhas em tempo real, sempre que um batalhão inimigo é derrotado, ganhamos a possibilidade de fazer um ataque diretamente no mapa, sem necessidade de entrar em combate, surgindo apenas uma pequena animação acompanhada do dano causado.

No final de todos os turnos disponíveis, e tendo eliminado os batalhões inimigos, avançamos então para o confronto decisivo, este mais uma vez com uma batalha em tempo real. Este novo modo estratégico introduz uma forma diferente de encarar o jogo, dando-nos liberdade para decidir que batalhões atacar, que forças enfraquecer e quando assumir a iniciativa. No conjunto, trata-se de uma ideia muito bem conseguida, que acrescenta um novo dinamismo à fórmula clássica de Dynasty Warriors.

Em termos gráficos e sonoros, não há muito a acrescentar, já que Visions of Four Heroes mantém o nível de excelência do jogo base. O trabalho técnico continua sublime, seja ao nível das texturas, da densidade e detalhe dos campos de batalha, das animações ou da iluminação, que volta a contribuir de forma decisiva para a escala épica dos confrontos. Tudo corre de forma fluida e consistente, reforçando a sensação de estarmos perante um título muito bem polido.

A componente sonora acompanha esse mesmo nível de qualidade. A banda sonora mantém-se de altíssimo nível, com as já icónicas composições épicas que definem a identidade da série e elevam cada batalha. O voice acting continua igualmente forte, com especial destaque para a interpretação em japonês, que consegue transmitir emoção, intensidade e personalidade às várias personagens, ajudando a dar ainda mais peso narrativo às campanhas deste DLC.

Infelizmente, a ausência de localização em português continua a fazer-se sentir. Não existe qualquer possibilidade de utilizar legendas ou texto na nossa língua, algo que poderá afastar alguns jogadores e limitar a acessibilidade do jogo.

Dynasty Warriors: Origins – Visions of Four Heroes consegue entregar exatamente a qualidade que já se esperava desta expansão. Trata-se de um DLC robusto e coerente, que acrescenta valor real ao jogo e demonstra um cuidado claro na forma como expande a experiência original. Ao combinar novas histórias bem trabalhadas, personagens relevantes e adições à jogabilidade, esta expansão oferece uma experiência completa e muito satisfatória, que certamente irá agradar aos fãs de musou. Depois deste DLC, só fica o desejo de que a Omega Force e a Koei Tecmo já estejam a preparar o próximo.

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Rui Gonçalves
Desde o tempo do seu Spectrum+2 128k que adora informática. Programador de profissão nunca deixou de lado os jogos, louco por RPGs e jogos de futebol. Adora filmes de acção e de ficção científica, mas depois de ver o Matrix nunca mais foi o mesmo.
analise-dynasty-warriors-origins-visions-of-four-heroes<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #339966;">SIM</span></strong></h4> <ul> <li style="text-align: justify;">Ter uma nova perspectiva da ideologia dos 4 protagonistas do DLC</li> <li style="text-align: justify;">Combate continua incrível</li> <li style="text-align: justify;">Adição das duas novas armas</li> </ul> <h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff0000;">NÃO</span></strong></h4> <ul> <li style="text-align: justify;">Não apresenta localização para Português</li> </ul>