Developer: Flying Wild Hog, Focus Home Entertainment
Plataforma: PC, Xbox Series X|S e PlayStation 5
Data de Lançamento: 22 de novembro de 2022

Depois de já termos vagueado pelo Oeste à boleia de Weird West, e de Hard West II, voltámos a um lugar onde fomos felizes, desta vez com Evil West, mas será que valeu a pena?!

A Flying Wild Hog é conhecida pela série Shadow Warrior, mas desta vez decidiu apostar numa nova propriedade intelectual, mas sem perder a essência pela qual são conhecidos, isto é, um jogo cheio de acção e divertido, para jogar com o cérebro desligado e sempre a aviar. Nesse capítulo Evil West não desilude.

Ao contrário de Shadow Warrior que é jogado na primeira pessoa, Evil West é jogado na terceira e está muito mais virado para os combos e para ataques encadeados e devastadores a lembrar Devil May Cry e um pouco mais linear do que o jogo da Capcom.

A história de Evil West gira em torno de Jesse Rentier, um famoso caçador de vampiros que se vê metido numa perseguição mortal, ou será imortal?! de uma pequena e aparentemente inofensiva miúda vampira conhecida por Felicity. No entanto, logo no início do jogo, vamos perceber que Felicity de inofensiva tem muito pouco e juntamente com o seu exército de seres malignos vão atacar a nossa base de operações, o Instituto Rentier, sendo que o pai de Jesse é mordido e transformado em vampiro. É a partir daqui que a trama se adensa e por entre a vingança e a redenção nos vemos embrulhados na encruzilhada de Jesse e dos seus aliados na tentativa de capturar Felicity e de dar cabo do seu plano de dominar o mundo.

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Ao longo de 16 níveis, cerca de 10 horas de jogo, vamos andar a despedaçar vampiros, lobisomens e monstros de todo o tipo e feitio, sempre com um meio gore e grotesco, de forma algo repetitiva, é verdade, mas cuja acção desenfreada nos vai entretendo, especialmente as Boss Fights.

É o conjunto de habilidades e a variedade das mesmas que nos vai deixando ligado ao jogo, onde começamos a despachar tudo ao soco e ao pontapé, mas rapidamente vamos tendo mais poderes atribuídos à nossa manopla que serve desde balançar entre objectos ou disparar socos electrizantes nos inimigos. No entanto, há mais efeitos electrizantes que podemos usar conforme vamos avançando no jogo, temos um escudo de eletricidade que, usado no timing certo, atordoa os inimigos, podemos também nos “teletransportar” e atordoar o inimigo no impacto e iniciar um combo devastador ou ainda usar o tal chicote da nossa manopla para puxar o inimigo e enchê-lo de socos.

Para além disso vamos ter armas de curta e longa distância, aí invocando o ar mais Western do jogo, com um revólver e um rifle, que ora podem ser disparados em tiros singulares ou de rajada. Todas as mecânicas têm o seu momento mais oportuno. Quando surge um círculo em volta do inimigo que estamos a atacar, podemos disparar e quebrar o seu ataque, deixando-o atordoado. Mais tarde, podemos até desbloquear uma habilidade que nos devolve uma bala sempre que acertamos nesse círculo. Ainda vamos ter ao nosso dispor um lança-chamas e uma espécie de atordoador de luz, dando ainda mais hipóteses na componente de jogabilidade.

Como seria de esperar, ao eliminar inimigos ganhas XP para subir de nível e obter pontos de habilidade. Isto permite obter habilidades que nos ajudam nos combates e dão diversidade às mecânicas. Para além disso, o dinheiro serve para comprar melhorias para as armas e tornar ainda mais frenéticos os combates. A dificuldade de alguns encontros e certos inimigos vão-nos incentivar a usar alguma estratégia e reflexos rápidos, o que exige pensar bem onde gastar os pontos de habilidade e o tais dólares.

A única coisa que não me agradou foi o bloqueio do mapa em determinados pontos. O que quero dizer com isto é que a estrutura linear não me chateia muito, com os cenários a serem o suficientemente amplos e com várias camadas de profundidade para nunca me sentir enclausurado no percurso do nível, mas há determinados pontos em que não conseguimos voltar para trás. E eu sou daqueles jogadores que gosta de andar para trás e para adiante para varrer o mapa e os coleccionáveis e tive alguns momentos onde quis voltar para trás, porque claramente estava no caminho da missão principal e já não o consegui fazer, e isso frustrou-me um bocado devo ser honesto. É daquelas coisas, que estas, sim, já estão demasiado datadas. Fora isso os níveis assumem um formato de percorrer e investigar zonas e depois entrarmos numa zona circunscrita para as batalhas, quer sejam elas mais básicas ou mais complexas, o esquema passa sempre po aí.

Outro ponto que poderá ser considerado menos positivo é a repetição de inimigos, não que me tenha causado muita espécie, mas a diversidade acaba por se fazer mais pelo número de ataques que temos disponíveis do que propriamente pelas diferenças dos inimigos que nos aparecem pela frente e nos obrigam a usar estratégias diferenciadas. Só nas Boss Fights, essas sim bastante mais duras e complexas, é que senti-me sempre desafiado e com necessidade de estudar o adversário de uma forma mais perspicaz.

Em termos de personagens para além de Jesse Rentier, temos o seu pai William Rentier, o líder do Rentier Institute, pelo até à sua destruição e até ser mordido por um vampiro e ficar doente, depois temos Edgar Gravenor, o fiel parceiro de Jesse e o braço direito do seu pai, apesar de se ter reformado, prometeu a William que ajudar Jesse e, por fim, Emilia Blackwell, uma perita em medicina e em algumas artes ocultas e de pesquisa de seres “fora do normal”.

Do outro lado da barricada temos Peter D’Abano, o vampiro aristocrata que adoptou a órfã Felicity porque lhe lembrava a filha que perdeu. Felicity teve a pior vida que possam imaginar, espancada, abusada, esfomeada e atormentada pelos ricos e poderosos, Felicity tem um desejo insaciável de vingança e após Peter ter-lhe dado o dom da vida eterna, jurou que haveria de dominar o mundo.

Quanto à direcção de arte, a própria Flying Wild Hog assume as suas inspirações que vão desde Hellboy, passando por Moonshine ou pela série de animação de Castlevania, e facilmente conseguimos perceber isso. A manopla faz lembrar o braço monstruoso de Hellboy, o lado mais Western de Moonshine e, claro, os vampiros e as bestas de Castlevania.

Em termo gráficos muito se tem falado da execução técnica do jogo e o que posso dizer, tenho o testado em PC, é que não consigo perceber alguns comentários que circulam por essa internet fora a dizer que o jogo tem gráficos de PS3 ou Xbox 360. Joguei na definição “Épico” com o Frame rate bloqueado a 30FPS e o jogo apresenta gráficos de elevado nível. A iluminação, os efeitos, as texturas da paisagem, da água, do fogo, da electricidade, das superfícies parece-me um jogo de grande qualidade. No entanto, para tirarem vocês as vossas próprias conclusões deixo aqui um trecho de jogabilidade com as definições que referi.

Por fim, destacar mais um ponto forte do jogo que é, o modo cooperativo. Podem jogar toda a campanha na companhia de um amigo que por sua vez também jogará com Jesse, mas, no entanto, só o host da sessão é que progredirá na campanha. Depois podem ajudar o vosso amigo e fazer o mesmo com ele, até porque o jogo tem apenas 10 horas de duração. Bem sei que não é o ideal, mas pelo menos têm essa opção disponível, o que é porreiro.

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Evil West é o terceiro jogo deste ano no faroeste e, mais uma vez, gostei imenso da experiência que me proporcionou. É um jogo com uma belíssima direcção artística, com mecânicas simples, divertidas e desafiantes, com um sistema de combate puro e duro, sempre a aviar. Não tem uma grande narrativa, é um jogo para não pensar muito, mas não tem falhas no seu propósito. É a prova que a Flying Wild Hog consegue fazer jogos de terceira pessoa, consegue fazer algo diferente de Shadow Warrior e, é também a prova que a Focus Home Entertainment continua a trazer jogos de qualidade.