Developer: Ubisoft Montreal
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, PC
Data de Lançamento: 26 de Março de 2018

Nenhum outro shooter é tão importante para o conceito do Open World como a saga Far Cry. Um nome que ajudou a desenvolver o género, especialmente a partir do segundo título do franchise, e é hoje uma das referências dominantes. É actualmente impossível pensarmos em jogos que tenham lugar em cenários de mundo aberto e não nos lembrarmos imediatamente de Far Cry, que é também conhecido pela tradição de nos trazer vilões marcantes na história mais recente dos videojogos.

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Mas Far Cry tem ainda uma característica muito única, porque além de se manter fiel às origens, tem uma maneira sempre surpreendente de se reinventar. Far Cry 5 não é diferente. Segue a mesma linha de exploração e liberdade, e apresenta-nos ao aterrorizante Joseph Seed, um fanático líder do culto religioso Eden’s Gate.

O seu intenso começo demonstra isso mesmo. Primeiro com uma breve, mas explícita introdução aos elementos básicos da história, e de seguida empurrando-nos para o mundo aberto de Hope County, em Montana. A experiência que a Ubisoft foi acumulando ao longo dos anos, até noutros jogos que seguem um modelo similar, como Assassin’s Creed, Watch Dogs e The Division, torna os aspectos mais importantes e transversais aos bons jogos, em algo que se vai descobrindo de forma subtil e natural.

Um bom exemplo é o tutorial, que nos vai apresentando sem pressa ao fundamental de Far Cry 5. Tudo cirurgicamente estruturado, para que a aprendizagem se misture discretamente com o desvendar de todas as possibilidades. Desta vez, com a hipótese dessa descoberta ser feita a dois, visto que é possível completar a história em Co-op.

Na história não se pretende criar algo psicadélico, nem tão pouco rocambolesco. Sim, é rebuscado, como qualquer cenário onde tivéssemos de enfrentar maníacos religiosos seria rebuscado, no entanto, o principal objectivo é criar um plano de fundo para que tudo possa funcionar, num mundo que se pretende vivo, complexo e dinâmico.

A região rural e selvagem de Hope County está dividida em três partes, e cada uma delas entregue a um membro da família Seed, os quais teremos de enfrentar um de cada vez. Para isso, iremos transformar-nos na face da resistência, libertando a população local de um regime que os controla através do medo e do fanatismo. Na verdade, eles esperam desesperadamente que alguém tome a iniciativa e os lidere, e é por isso que se juntam a nós sem qualquer hesitação. A ajuda vem de diferentes formas, e até aí devemos saber escolher conforme a situação e o nosso próprio estilo de jogo, porém, não se resume apenas aos habitantes da região, porque até animais podemos recrutar.

A acção é o normal que podemos encontrar num título Far Cry, contudo, agora mais entrelaçado no ambiente em volta, tornando-se mais imprevisível e caótico. Os perigos estão escondidos, e podem surgir de qualquer lado, onde até a natureza, e nomeadamente os animais selvagens, conseguem ser implacáveis.

Continua a ser necessário algum reconhecimento do terreno e da localização dos inimigos quando decidimos atacar um Outpost, mas diga-se, esse era um dos aspectos que não podiam faltar, já que sensação de realidade no combate é inseparável da franquia. Todavia, não há uma estratégia certa quando se trata de abordar uma batalha, e tanto há lugar para aqueles que gostam de pensar o assalto com calma, como para os mais impacientes que não querem perder tempo com grandes planos.

Dado que o mapa ainda tem um tamanho considerável, não podiam faltar veículos, e é possível conduzir de tudo um pouco, desde carros, a camiões, motas, barcos, e até avionetas ou helicópteros. Aliás, “variedade” é mesmo a palavra de ordem, e além de um sistema de progressão muito bem construído, que nos permite ir ganhando importantes habilidades, basta olharmos para a enorme quantidade de armas que temos à nossa disposição, e ficamos com uma pequena ideia do esforço que foi feito para nunca nos sentirmos aborrecidos.

Talvez a maior prova disso é o novo modo Arcade. Um editor com um número quase infinito de opções, onde podemos inclusivamente aproveitar diversos elementos de outros jogos da Ubisoft, e que nos deixará jogar em mapas criados e partilhados por outros jogadores, tanto em singleplayer, multiplayer e co-op. Foi a principal novidade desta versão, e o sucesso tem sido evidente.

Escusado será dizer que Far Cry 5 é uma beldade do ponto de vista gráfico, cujas vistas são geralmente de cortar a respiração. E se o panorama de vegetação selvagem sabe sempre como adoçar o olhar, os efeitos sonoros acompanham igualmente os méritos visuais na perfeição, criando uma envolvência constante, e oferecendo realismo à experiência.

Depois de ter sido acusado de alguma estagnação, a série renasce, demonstrando ainda estar bem viva. O legado era pesado, mas o quinto título da saga sai totalmente vencedor, e dá também o mote para os que se seguem. A jogabilidade é fantástica, e a vontade de levar a história até ao fim é praticamente irresistível.

Na mosca, Ubisoft!

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Nuno Mendes
Completamente obcecado por tudo o que tenha a ver com futebol, é daqueles indesejados que passa mais tempo a editar as tácticas do PES do que a jogar propriamente. Pensa que é artista, mas não conhece as cores primárias, e para piorar, é ligeiramente daltónico. Recusa-se a acreditar que o homem foi à Lua.
analise-far-cry-5<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #339966;">SIM</span></strong></h4> <ul> <li style="text-align: justify;"> Um enorme mundo para explorar</li> <li style="text-align: justify;"> Graficamente espetacular</li> <li style="text-align: justify;"> Bastante variedade</li> </ul> <h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff0000;">NÃO</span></strong></h4> <ul> <li style="text-align: justify;"> Pequenos bugs</li> <ul>